sábado, 15 de julho de 2017

Falácia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

A Rádio Guaíba de Porto Alegre ouviu os três senadores gaúchos sobre o vandalismo protagonizado por cinco senadoras e cinco paspalhos com mandato de deputado. Dos gaúchos, os senadores Ana Amélia e Lasier Martins foram categóricos e diretos: repudiaram a baixaria. Ambos com dicção de estadista. Já o Sen. Paulo Paim...

Em 11/07/2017, as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA) e Regina Sousa (PT-PI), compondo a cena com os deputados Jandira Feghali (PCdoB),

Chico Alencar, Luiza Erundina e Ivan Valente, do PSOL, e Marco Maia (PT), invadiram o plenário do Senado, interditando a mesa da presidência. Foram oito horas de vulgaridade e autoritarismo a debochar da democracia, imagens que a TV levou para o mundo. Tudo para impedir a votação da reforma trabalhista. Não conseguiram: a nova lei foi aprovada por 50 a 26.

Fazendo lembrar o que ocorre na ultrajada Venezuela, a cena desmascarou a truculência desses adoradores de ditaduras. Essa esquerda odiosa, que vive defendendo o governo criminoso de Nicolás Maduro, não quer democracia. Só o poder.

Assim, por ser dessa mesma esquerda, o Sen. Paulo Paim não causou surpresa quando, entrevistado, tergiversou, evitando escancarar que estava implicado no abuso. Como fez? Como sempre! Deu uma resposta esquiva ao que lhe foi questionado, passando de imediato a falar doutras coisas sem parar, fugindo da pergunta. Conseguiu.

A resposta esquiva, destinada à "militância" e a enganar ingênuos, foi alegar que todos viram sua tentativa de mediar a interrupção da pantomima. Como quem dissesse: "Já brincamos! Agora vamos voltar ao trabalho..." Ou seja, Paim (que não saiu na foto, mas participou do vandalismo) não negou que julgava certo aquele abuso. Só um pouco demorado...

Mal dissimulado, ele quis passar por bonzinho. Nada novo. Com sua principal habilidade (a de ocultar o que lhe passa pela cabeça) praticou seu habitual marketing do "apesar de": "ele é 'diferenciado' apesar de...", "apesar de petista", "apesar de seu partido estar atolado até os eixos na corrupção", "apesar de ser da bancada que desmoralizou o Senado da República perante o mundo", etc.

Funcionará? Até aqui, por exemplo, Paim conseguiu esconder de boa parte do eleitorado ser, ele, dos que se empenharam em venezuelizar o Brasil. Mas o quadro está mudando. E seu prestígio vem caindo até dentro do PT. Ainda mais que, a cada tanto, ele alimenta o boato de que vai sair da sigla (é do marketing), O que lhe rende a antipatia de seus pares.

Em suma, num dos episódios mais infames da história do Congresso Nacional, Paulo Paim foi simplesmente Paulo Paim.

Uma pena, mas o entrevistador não insistiu para que ele respondesse o que efetivamente lhe foi perguntado. Talvez por saber que somente a militância amestrada estava acreditando na falácia. Talvez por achar que a maioria dos ouvintes captava a demagogia do senador. Fosse como fosse, teria sido conveniente repetir a pergunta.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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