quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fogo ex-amigo

Luciana Genro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Já se disse por aí: "pior inimigo é o ex-amigo". E a neopetista Luciana Genro confirma isso, dando no rim do PT com suas críticas: acusou Lula e o PT de apenas fingirem interesse na queda de Michel Temer e preferirem prolongar o desgaste do presidente até as eleições de 2018. Entregando os ex-companheiros, falou: "O PT não tem interesse em derrubar Temer agora. Eles querem deixar o governo sangrar e fazer os ajustes para quem assumir depois".

Embora hoje no Psol, saberá o que diz. Originariamente do PT, donde foi expulsa em 2003 ao se opor a uma reforma da previdência que Lula propôs, ela ainda tem uma relação de proximidade com alguns caciques petistas, a começar por seu pai, Tarso Genro. Ninguém duvida dela, que deve ouvir muita coisa nos churrascos dos fins de semana...

Mas em sua "delação gratuita", o mais grave está aqui: "(...) sangrar e fazer os ajustes para quem assumir depois." A raia miúda não sabe nada, mas os graúdos do PT sabem muito bem que reformas são necessárias. Como ministro da Fazenda de Dilma, aliás, Joaquim Levi chegou a propor uma série de reformas - o que, ao menos para alguns, implicaria perdas no presente em favor de um futuro sustentável. Isso não daria IBOPE.

O populismo venceu Levi. Prevaleceu aquela lógica do lulopetismo: pensar reformas é para adultos, enquanto que convém ao projeto bolivariano que o povão permaneça infantilizado, esperando um papaizinho que carregue todo mundo no colo - Dilma não colou como mamãezinha. Ou seja, os figurões do PT sabem que as reformas são necessárias. Mas preferem que outro o faça e suporte o desgaste, para que disso o PT tire proveito eleitoreiro. É o que Luciana Genro está dedurando.

Pois é. Ela pode ser rasa nos debates, defender ditaduras, manter os preconceitos e cacoetes de quando era do PT, mas neste momento tem o mérito de tirar a máscara do lulopetismo. Assim é a política.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como era de se esperar, a maioria da oposição e, até, dos que bajulam o temer, querem que ele seja o "culpado" das reformas e os herdeiros não terão esse abacaxi para resolverem. São autênticos fingidores. Naquele circo todos são artista, atores. Os "palhaços" somos nós.