sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Para entender o Islamismo



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Quais as regiões ou territórios que compõem a atual Palestina?
                                    
A Palestina é uma região geográfica que compreende os territórios entre a margem oeste do rio Jordão e o mar Mediterrâneo, ao sul do Líbano e a nordeste da península do Sinai. Dentro dela estão hoje o Estado de Israel e as áreas ocupadas militarmente por Israel na guerra de 1967: a chamada Faixa de Gaza (no litoral do Mediterrâneo) e a Cisjordânia (entre o rio Jordão e Jerusalém).
O nome Palestina vem do povo filisteu, que habitava essa região em tempos bíblicos (até hoje, em árabe, a palavra se pronuncia mais ou menos “filistin”). Em 1948, a ONU dividiu essa região geográfica em dois territórios autônomos, um para os judeus e outra para os palestinos, o povo arabizado que habitava a região. Vários países árabes reagiram contra a criação do Estado de Israel e houve uma guerra, na qual o vencedor, Israel, ampliou seu território e os vizinhos Egito e Jordânia anexaram áreas reservadas ao Estado palestino (a Faixa de Gaza, ficou para o Egito; o território entre o rio Jordão e Jerusalém, denominado Cisjordânia, ficou para a Jordânia).

Na guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias), Israel tomou essas duas áreas, que passaram a ser chamadas de “Territórios Ocupados”. Nos anos 90, como fiadores do processo de paz entre palestinos e Israel, Egito e Jordânia abriram mão do direito aos territórios, que estão hoje sob um regime de autonomia relativa da Autoridade Palestina (cujo líder é Iasser Arafat). Os palestinos querem transformar esse território em um Estado Palestino e por isso, muitos jornalistas e políticos já têm usado a expressão Palestina para se referir só às áreas destinadas à Autoridade Palestina.
    
O que é mouro? Qual a diferença entre árabe e mouro?
 
Mouros são os habitantes berberes originais da região onde hoje fica o país Mauritânia (noroeste da África). Em português antigo também se dizia “mauro” (palavra que sobrevive como nome próprio). Quando os árabes conquistaram o norte da África, passou a ser um dos povos árabes, pois adotou a língua, a escrita e a religião dos árabes. Em seguida, no século 8 d.C., foi o responsável pela conquista da península Ibérica (Espanha e Portugal). Nessa região, a palavra muitas vezes é usada como um genérico para árabes. Com a reconquista da Espanha pelos reis católicos, em 1492, a elite moura foi expulsa mas grande parte da população adotou o cristianismo forçado e permaneceu no país, onde funcionavam como mão de obra, dando origem à expressão “trabalhar como um mouro”.
    
Qual é o significado da cidade de Meca para os muçulmanos e qual o significado daquela pedra de cor negra que fica ao centro da grande mesquita da cidade?

Localizada no oeste da península arábica é o principal centro da religião muçulmana, seu local mais sagrado. Em árabe seu nome é
Makkah, uma variação de seu antigo nome Bakkah. Ao tempo dos faraós gregos do Egito (a dinastia dos Ptolomeus, de Cleópatra) era chamada de Macoraba, origem de seu nome atual.

Meca é a cidade onde nasceu o fundador da religião muçulmana, o profeta Muhammad (Maomé, em português), e a regra da fé islâmica impõe a todos os fiéis que façam uma peregrinação (
hajj) a Meca pelo menos uma vez na vida (quem vai mais de três vezes ganha um título de reconhecimento, sharif ou xerife).

Localizada pouco menos de 100 quilômetros do litoral do mar Vermelho, perto do porto de Jedá, Meca é um ponto estratégico da península já desde a Antiguidade mais remota. Era um oásis, um perfeito ponto de descanso para as caravanas que atravessavam a península desértica para fazer o comércio entre os povos do Mediterrâneo e o Sul da Ásia e a África Oriental. A cidade viveu um grande crescimento nos primeiros séculos da era Cristã, com o crescimento econômico dos impérios Romano e Bizantino.
 
A esta altura, ela já era um lugar sagrado para as religiões politeístas dessa região, por causa de uma pedra preta de origem desconhecida, em torno da qual havia sido erguida uma construção chamada Caaba (Ka'ba, em árabe), que ao longo dos últimos séculos foi destruída e reconstruída. Maomé fez daquele centro de atração das religiões anteriores, que ele combateu, o ponto central do rito que criou. Em torno da Caaba foi construída a Mesquita de Meca. É a Caaba que faz de Meca uma cidade sagrada.

O Corão, o livro santo dos muçulmanos (escrito por Maomé), diz que ela é a construção mais antiga feita pelo homem sobre a face da terra, o centro do mundo. É para ela que os muçulmanos se voltam quando rezam cinco vezes por dia. Em outro trecho, o Corão diz que Ibrahim e Isma'il (Abraão e Ismael dos livros santos dos judeus e dos cristãos) construíram as fundações da Caaba, mas isso é interpretado como sendo as bases de uma nova construção, em seu tempo.
        
A Caaba tem 10m x 12m de área e tem 15 metros de altura, cada um de seus cantos aponta para um dos pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Na parede voltada para o nordeste está a porta que dá acesso ao seu interior. Dentro dela está a pedra negra, que é mantida elevada a 1,5m do chão. A pedra, cujo diâmetro original era de cerca de 30cm, está quebrada em três pedaços grandes e vários estilhaços, conseqüência de dois incêndios no passado. Dentro da Caaba há ainda outra pedra, a Pedra da Fortuna, que é menos importante para a religião.
   
Até hoje, cuidar da Caaba é responsabilidade dos descendentes da família a quem Maomé atribuiu a função.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

Minha bisavó octogenária nos contava uma fábula crítica ao invasor da Península Ibérica. A princesa, transformada em pomba pela feiticeira que se casou com o rei, todos os dias ia ao jardim real recitar: "Como vai Seu Rei com sua moura torta. Ela come, ela bebe, ela vai na festa. Pobre de mim pombinha comendo capim pelo campo."