segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

É melhor saber...


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Saber o que acontece é essencial para quem quer vacinar-se contra a manipulação ideológica. Em "Confissões" (O Globo, 16/12/2017), Merval Pereira destaca o caráter autoexplicativo dos depoimentos dos envolvidos em delitos de corrupção na Operação Lava Jato.

Citando exemplos, o jornalista mostra que os depoimentos "por si só deixam claro o mecanismo criminoso utilizado, ou se revelam uma confissão espontânea, mesmo que o autor não tivesse essa intenção". Os casos descritos derrubam por terra a ofensiva ideológica que pretende
impingir a falsa ideia de que os depoentes são coagidos a falar, quando o que fazem eles é revelar espontaneamente (ou convenientemente) alguns delitos apenas, estratégia urdida por seus caríssimos advogados.

O ex-governador do RJ, Sérgio Cabral, admitiu perante o juiz Marcelo Bretas que usou dinheiro do caixa 2, informando que foi para ter "uma vida incompatível, muito além dos meus dinheiros lícitos. Eu errei". Não disse o quanto surripiou (muitos milhões, segundo o MP) e recorreu a atenuantes. Mas, como diz Merval Pereira, "Numa frase, o ex-governador do Rio confessou que desviou dinheiro para manter um alto padrão de vida, embora negasse que se tratasse de propina. Questões semânticas que não se sustentam diante da lei."

Já os réus Glaucos da Costamarques e João Muniz Leite revelam toda a farsa em torno da propriedade de um apartamento, que pode ser de Lula ou de seu amigo José Carlos Bumlai (recibos de aluguéis assinados de uma só vez durante internação de Costamarques no Hospital Sírio-Libanês, aluguéis que ele nunca recebeu mas foram declarados por Lula e, gerando impostos, acabaram pagos por José Carlos Bumlai).

Para ocultar os fatos, a estratégia lulopetista é forjar crenças – a mitologia da "perseguição", da "falta de provas" e do "interesse internacional", que o brasileiro desinformado assimila fácil. É a desonestidade de dizer que a Lava Jato é uma "armação" para atacar o PT.

Só que os réus têm os advogados mais bem pagos do país; condenados,
recorrem ao 2º grau; não um, mas vários desembargadores examinam os recursos, apesar disso a maioria das condenações são confirmadas (às vezes, aumentadas). Ah, mas falta o recibo da propina... (Crime registrado em cartório?) Como lembra Merval Pereira, "Um conjunto de indícios pode dar ao Juiz uma certeza acima de qualquer dúvida razoável". É, aliás, o que prevê a lei brasileira.

Renato Sant’Ana é Advogado e Psicólogo.

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