domingo, 7 de janeiro de 2018

A memória curta de Stédile


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

É preciso ter memória muito curta e uma “cara-de-pau” para não se botar nenhum defeito para gravar um vídeo de repercussão nacional com as baboseiras e mentiras ditas por João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra-MST, às vésperas do julgamento de Lula pelo TRF-4,em Porto Alegre.

Stédile conclama o “seu povo” e o exército dos “sem-terra” para darem início ao que ele chamou de “luta de classes” ,tendo presente o julgamento  do ex-Presidente Lula no próximo  dia 24 de janeiro, com isso tentando  constranger e intimidar os desembargadores que farão o julgamento, reformando ou confirmado a  sentença de condenação proferida em primeira instância pelo Juiz Federal Sérgio Moro, de Curitiba.

Com essa ridícula postura o que o referido cidadão está pretendendo  nem se resume mais em exigir o “foro por prerrogativa de função de Lula”, ou seja, julgamento dos seus crimes pelo STF, como instância originária, como antes tentavam. As “exigências” agora se ampliaram. A ”mobilização popular” que o Stédile propõe não passa de pretender um INDULTO, ou ANISTIA antecipada , sem mesmo início de cumprimento da pena de prisão por Lula, pasmem, dado pelo próprio Poder Judiciário. Sem dúvida essa seria uma inovação no Direito Penal e Processual Penal, sem precedentes. Certamente “eles” julgam que Lula está “acima da lei” e de todos os códigos. Nem se preocupam em saber a verdade. Se Lula cometeu, ou não, crimes.  O que ele não pode é ser condenado e preso.

A tremenda “cara-de-pau” de Stédile está em omitir a participação efetiva que teve tanto Lula, quanto Dilma, o PT e seus coligados, no descalabro político  e governamental que aí está, apesar de Lula estar respondendo nesse processo por outros problemas.  Todos compunham uma mesma “quadrilha” de criminosos contra a coisa pública, desde 2003.  Temer foi eleito “vice” de Dilma em 2014. Mas são criminosos iguais. Gente da mesma “laia”.

O fato de Temer ter participado do golpe “político” dado contra Dilma , e que acarretou o seu impeachment, não tira a validade dessa medida do ponto de vista jurídico. O impedimento de Dilma seguiu à risca os preceitos constitucionais, apesar da ré ter sido favorecida com a condenação “meia-sola” que recebeu (o tal “fatiamento”), preservando-se os seus direitos políticos, numa  manobra muito “safada”, mas bem arquitetada pelo então presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski.

Stédile, com essa “convocação”, está “lavando as mãos” ,próprias, do PT ,de Lula e Dilma,  como se eles nada tivessem a ver com o péssimo desempenho do Governo Temer, que jamais deixou de ser “farinha do mesmo saco” deles. Mesmo porque na verdade o PT continua mandando no Governo Temer, apesar de ter saído da principal “vitrine”.

O PT e toda a sua militância estão certos em condenar o Governo Temer. Mas não têm nenhuma moral para reivindicar agora o papel de “oposição”, de “moralistas”, como estão fazendo, nem para se considerarem mais capacitados, honestos e menos corruptos que o Governo Temer.

Resumidamente, falta legitimidade a essa pretensa “oposição” para ameaçar o Poder Judiciário com o início de uma “revolução”, ou “luta de classes”, se porventura Lula for condenado pelos crimes a que responde.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

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