sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Petrobras tem obrigação de revelar nomes de dezenas de ladrões e corruptos que está processando


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Algoz de si mesma ou vítima de uma organização criminosa, a Petrobrás tem a obrigação moral de publicar um fato relevante ao mercado divulgando um resumo dos 59 processos judiciais que a empresa move contra “ladrões” e “corruptos” que a lesaram. Até agora, a estatal de economia mista apenas informou à imprensa que espera receber R$ 41 bilhões nestas ações regressivas. Até agora, com amplo estardalhaço, a Lava Jato só devolveu R$ R$ 1,475 bilhão aos cofres da petrolífera.

A divulgação da indenização de R$ 9,6 bilhões aos investidores estrangeiros, para encerrar apenas uma de vinte e tantas ações na Corte de Nova York, irritou os investidores tupiniquins. Com toda Justiça, eles exigem tratamento idêntico. A Petrobrás enfrenta um processo bilionário de arbitragem movido pelo escritório de Modesto Carvalhosa. O caso, que será julgado pela Câmara de Arbitragem da Bolsa de Valores (B3), tem extrema importância econômica porque conta com o apoio dos maiores fundos de pensão do País, além de investidores de peso.

O escândalo do Petrolão gera uma polêmica jurídica sem fim. Expõe a precária regulação do mercado de capitais no Brasil em relação às 151 empresas de economia mista. A maior contradição básica é: a União Federal (controladora das “estatais”) dificilmente será punida administrativa ou judicialmente pela própria máquina do governo federal. A Comissão de Valores Mobiliários não é independente, nem de fato, nem de direito. Apesar da qualificação de seus técnicos, a CVM é uma “SEC de mentirinha” que só aplica multa pagas por seguradoras das estatais.

Como esperar isenção e atuação ofensiva-punitiva de uma CVM que é uma autarquia do Ministério da Fazenda. Nos governos Lula-Dilma, a contradição ficou ainda mais vergonhosa. Ministros da Fazenda, a quem a CVM era subordinada, como Antônio Palocci e Guido Mantega, fizeram parte ou presidiram o Conselho de Administração da Petrobrás. Apenas por coincidência (que não existe), Palocci e Mantega são alvos de processos e condenações na Lava Jato. Só agora, muito tempo depois que o cofre da Petrobras foi arrombado, a CVM ensaia processos (apenas administrativos) contra ex-dirigentes e conselheiros da petrolífera.

Teatrinho de “Processo Sancionador” tardio não resolve o problema, porque não leva o ladrão para a cadeia, e nem o obriga a devolver o que foi afanado dos cofres ou desviado dos negócios da companhia. É mais que evidente a culpa ou dolo dos políticos que ocupavam (ou infestavam) a cúpula da União Federal. Mas como se pode esperar que a própria Advocacia da União entre com ações judiciais regressivas contra seus dirigentes? Melhor esperar sentado... Eis a fratura exposta do regime Capimunista tupiniquim: União e governo, que se confundem, fazem negócios, negociatas, e não são punidos (por eles mesmos).

A mídia amestrada por verbas publicitárias da Petrobras produz “análises” sem-noção sobre o caso Petrobras. O problema mais grave, a contradição e esgotamento do nosso modelo estatal, nunca é enfocado. Por isso, é uma piada de mau gosto e uma afronta à mínima inteligência dos investidores noticiar que “a Petrobras luta para não ser tachada de empresa criminosa”. A empresa ainda corre risco de levar uma multa de US$ 1 bilhão imposta pela  Securities and Exchange Commission – a xerife do mercado de capitais nas terras do Tio Sam...

Na verdade, a Petrobras “teve a boa vontade” (kkk) de negociar um acordo judicial para não impedir os “negócios” que o governo temerário do depauperado Michel Temer deseja fazer com a “estatal”, privatizando ativos estratégicos e ainda lucrativos. Ações judiciais – aqui ou lá fora -, junto com processos administrativos – aqui e acolá – atrapalham os futuros negócios. A organização criminosa brasileira agiu, com muita competência, para justificar a dilapidação do patrimônio estatal.

A Petrobras não vai admitir às autoridades judiciais e fiscalizatórias norte-americanas que “cometeu crimes”. Até porque, na verdade, quem cometeu o “crime” foi o modelo capimunista do Brasil. Os dirigentes do governo da União - controladora as “estatais” – é quem dita as ordens para os negócios estratégicos das empresas de economia mista. O dolo criminoso é do modelo ou dos “bandidos eleitos pelo voto obrigatório”? A culpa criminosa é da estatal e de seus executivos e conselheiros? Independentemente das polêmicas que gerem as respostas, o certo é que o modelo brasileiro é canalha.

Se a Petrobrás fosse uma empresa da Coréia do Norte, talvez a coisa ficasse mais feia... Certamente, algum criativo jurista do Departamento de Justiça dos EUA até poderia sugerir uma inédita ação judicial contra o “Capitalismo Estatal”. Já pensou nosso Estado Capimunista tupiniquim sendo processado em uma Corte Transnacional? Por tal “lógica”, a Petrobras bem que poderia acionar o “Judasciário” para meter uma ação contra a União (o acionista majoritário que indica os executivos e conselheiros que lesaram a empresa, de forma direta ou indireta, de modo doloso ou culposo...

A Lava Jato daria uma grande contribuição ao debate se partisse para cima da apuração sobre crimes societários no Petrolão. Uem sabe, as investigações descobrissem que os maiores beneficiários das sacanagens na petrolífera foram os maiores bancos do planeta. Eles detêm os títulos da dívida da empresa – cujo valor de face reflete um título “junk bond”... É impossível ocorrer um esquema tão volumoso de corrupção sem a participação sistêmica da Oligarquia Financeira Transnacional.  

Brincadeiras-sérias à parte, o caso Petrobras escancarou o esgotamento do nosso modelo Capimunista Rentista. Mais uma vez, fica evidente que o Brasil só tem jeito se for passado a limpo por uma inédita Intervenção Institucional que implante um novo modelo estatal, Capitalista de verdade, para que o País mais roubado do mundo se transforme em um País rico que empregue as receitas a favor do desenvolvimento de seu povo – o que nunca aconteceu em nossos 500 anos de História mal-contada...





Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 5 de Janeiro de 2018.

5 comentários:

Anônimo disse...

Vindo dos Pampas
Blog dedicado a informações, politica, esportes, fotos e humor. Este Blog não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
"Chefe de quadrilha não pode presidir o Brasil!", diz general Augusto Heleno sobre Lula
Essa tem sido minha briga. Os brasileiros com vergonha na cara, não podem aceitar que o chefe da quadrilha, que arruinou o país, seja candidato ao mais alto cargo da República, se valendo de chicanas jurídicas. Isso é um deboche, um murro na nossa cara. Os idiotas da objetividade dizem que não há provas. Há sim, inúmeras. Basta que os magistrados de todos os níveis se tomem de um sentimento nacional e julguem, sem protelações e embargos, o que já lhes foi relatado sobre Lula e asseclas, por vários dos quadrilheiros mais notórios. Agilizem os processos e coloquem essa máfia onde já devia estar: atrás das grades. Danem-se os prazos e os embargos. Basta que a imprensa, tão ciosa (quando lhe convém), no ataque à honra alheia, dispa-se das vestes ideológicas e assuma o papel preponderante que lhe cabe, com formadora de opinião, no extermínio dessa gangue. A mídia televisiva, precisa mostrar, exaustivamente, cara e feitos dos corruptos, independentemente de partidos políticos, cor, raça, opção sexual, condição financeira.
Vão esperar que tenham 80 anos?
Por que as delações não poupam o Molusco?
Traição coletiva ao amado chefe? Não seria mais inteligente poupá-lo e investir no carisma de bandido que, segundo seus adoradores, vai reconduzi-lo à Pres Rep?
A família, os filhos, os verdadeiros amigos lhes cobram um mínimo de dignidade, que reduza, senão as penas, pelo menos o inferno em que mergulham ao fazerem um exame de consciência.
Não está em jogo esquerda, centro ou direita, estatismo ou liberalismo, presidencialismo ou parlamentarismo. Trata-se da sobrevivência do Brasil, que anunciado muito tempo como o País do porvir, transformou-se em uma multidão angustiada, face ao triste futuro que se desenha no horizonte, se essa corja se mantiver no poder.
Augusto Heleno Ribeiro Pereira - General de Exército da reserva

Anônimo disse...

Vindo dos Pampas
Blog dedicado a informações, politica, esportes, fotos e humor. Este Blog não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

General Augusto Heleno: 'Interessa à quadrilha manter o povo ignorante"

"País perpetua exclusão, com 11,8 milhões de analfabetos”. Esse número e a não menos espantosa cifra de analfabetos funcionais explicam o resultado do Sr Luiz Inácio nas pesquisas eleitorais (ainda que altamente duvidosas). Daí emerge a massa de seus eleitores.
Esses dados comprovam o fracasso das duas décadas de lulopetismo. A imprensa canhota não faz essa relação. Política de Inclusão social, baseada em benefícios financeiros (sem valorizar educação e trabalho) e uma roubalheira desenfreada, nas obras e empresas públicas, empurraram o Brasil para índices africanos de desenvolvimento humano.
Desculpe a ironia, mas por incompetência, planejaram mal. Uma desconstrução mental mais vigorosa lhes garantiria o poder para sempre, mesmo negando à população saúde, escola, trabalho, segurança e, em última análise, liberdade de escolha. Estilo venezuelano.
Interessa a essa quadrilha manter o povo ignorante, desinformado e dependente da caridade institucional. Na hora H, mentiras, acompanhadas de um sanduíche de mortadela e uma gorjeta, resolvem.
Diário do Poder

Anônimo disse...

Vindo dos Pampas
Blog dedicado a informações, politica, esportes, fotos e humor. Este Blog não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
A fala dos generais ✰ Artigo de Ruy Fabiano
Há muito não se ouvia falar em “efervescência nos quartéis” - há precisamente 32 anos, desde o advento da assim chamada Nova República, em 1985. Mas ei-la que volta.
A fala do general Hamilton Mourão, há uma semana, não deflagrou, apenas expôs uma situação há muito instalada.
Militares da reserva, entre os quais os generais Augusto Heleno e Paulo Chagas, de grande prestígio no Alto Comando – e cujas falas refletem, com clareza, o que lá se passa -, vêm difundindo pelas redes sociais o ambiente de indignação e inconformismo do estamento militar.
Como estão na reserva, não mereciam maiores atenções. Mas não falam desarticuladamente. A solidariedade que manifestaram ao general Mourão expressa o que pensa a alta oficialidade.
Os militares jogam suas fichas na Lava Jato, mas identificam resistências em alguns ministros do STF e do STJ, e em membros da Procuradoria Geral da República, que, segundo avaliam, dificultam a erradicação da corrupção no meio político. A esquerda – leia-se PT - teria ainda forte influência no conjunto das instituições do Estado.
O comandante do Exército, chefe do Alto Comando, general Eduardo Villas Boas, é visto como moderado, de trato diplomático, alguém que não segue impulsos. Antes de se manifestar, peneira as palavras para não deixar margem a dúvidas. Mas é sensível (e leal) ao que se passa em sua retaguarda.
A entrevista que deu ao jornalista Pedro Bial, segunda-feira, na TV Globo, sem dela dar ciência ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, o confirma. Nela, buscou minimizar o impacto das palavras do general Mourão, sem, no entanto, contestar-lhe o conteúdo: a lei e a ordem estariam de fato fragilizadas. continua...

Anônimo disse...


Vindo dos Pampas
A fala dos generais ✰ Artigo de Ruy Fabiano continua ii
Nessas condições, as Forças Armadas, “dentro da legalidade”, conhecem seu papel. Não foi dito assim tão cruamente, mas o sentido está sendo assim interpretado. Mourão não foi, nem será punido. Ele expressou um sentimento hoje dominante nos quartéis. Puni-lo seria exacerbar ainda mais os ânimos.
O ministro Jungmann pediu contas da conduta do general, que está na ativa, integra o Alto Comando e teria transgredido o Regimento Disciplinar do Exército.
A resposta do general Villas Boas foi protocolar, reiterando fidelidade à Constituição. Não mencionou qualquer punição ou advertência ao general Mourão. Nem Jungmann voltou ao assunto.
Além do quadro geral de desordem pública, incluindo a degradação do ensino e dos costumes, sob a chancela do Estado, há o tratamento secundário que recebem do ponto de vista orçamentário. O Orçamento da Defesa, de R$ 800 milhões – e que se esgota neste mês de setembro -, é o mesmo concedido ao Fundo Partidário.
Isso ocorre ao mesmo tempo em que as Forças Armadas são chamadas a intervir no Rio de Janeiro, em operações delicadas, que as expõem, enfrentando sabotagem no governo estadual, com forte presença do crime organizado. “No Rio, o crime organizado capturou o Estado”, constatou o ministro Raul Jungmann.
Ao longo das três décadas em que se recolheram aos quartéis, os militares absorveram em silêncio uma narrativa adversa a respeito de seu papel nos 21 anos em que governaram o país.
Sustentam que continuam sendo difamados. Agiram em 64 sob o clamor da sociedade civil. Seu primeiro presidente, Castello Branco, foi eleito pelo Congresso (como mandava a Constituição de então), com o voto de lideranças como Ulysses Guimarães, Juscelino Kubitschek e Franco Montoro.
O advento da luta armada – “os mesmos que, com a anistia, estão hoje aí” – fez com que o regime se prolongasse e recorresse, com moderação, a atos de exceção. “Isso ninguém fala e os mais moços imaginam que o regime se instalou por mero capricho autoritário”, diz um general.
Há uma tendência de não mais aceitar a tal “narrativa ressentida dos derrotados”. Querem agora responder a cada vez que venham a ser chamados de ditadores e tiranos, como fez o general Paulo Chagas ao responder ao senador Randolphe Rodrigues, que chamou o general Mourão de “maluco” e o Exército de chantagista. continua...

Anônimo disse...


Vindo dos Pampas
A fala dos generais ✰ Artigo de Ruy Fabiano continua iii e termina
“A Comissão da Verdade listou, entre mortos e desaparecidos, 434 pessoas. Isso, em 21 anos, dá 20 pessoas por ano. Hoje, são assassinadas 70 mil pessoas por ano. A Comissão da Verdade só se esqueceu de listar os mais de 150 mortos pela esquerda, entre as quais cidadãos comuns (caixas de bancos, vigilantes, recrutas) e gente dela mesma, em julgamentos sumários. Houve uma guerra que não queríamos e não queremos – e eles perderam”, diz a mesma fonte.
Não está agendada nenhuma intervenção. Mas há, “dentro da rotina militar”, planejamento para qualquer eventualidade.
Os militares acham que, se houvesse um general candidato à Presidência – citam Paulo Chagas e Augusto Heleno -, não têm dúvida de que seria eleito. Veem Jair Bolsonaro como alguém com limitações, sem o preparo intelectual e o perfil de disciplina de Chagas e Heleno. Mesmo assim, pelo simples fato de evocar a farda, vem ganhando crescente apoio, conforme as pesquisas.
Veem uma disparidade entre o que sai na mídia mainstream e o que circula nas ruas e redes sociais, onde a maioria clama por intervenção militar. Por alto, e em síntese, é esse o sentimento que se alastra nos quartéis.
Ruy Fabiano