domingo, 4 de março de 2018

De Coquis e Batráquios em Geral



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Trinta anos atrás mais ou menos, eu estava em San Juan de Puerto Rico para tentar resolver um impasse surgido entre uma empresa fabricante   de Rum local, o “Ron Granado” e a agência em que eu trabalhava na época na área de criação.

Era minha primeira vez na ilha, e ao entardecer, fui surpreendido por um fenômeno sonoro local.

Pela cidade inteira soavam milhares de pequenas, mas estridentes vozes que repetiam incessantemente:

- Co qui, co qui, co qui!

Era como um grito de guerra, de um exército alienígena dominador, que estivesse invadindo a ilha.  O som único, começara ao longe e agora se   aproximava, rapidamente do jardim frontal do El San Juan Resort Center, onde eu estava hospedado.

O sol já não era mais que uma mancha avermelhada no horizonte. A noite caía rapidamente e as luzes da cidade já estavam todas acesas. Fui até o terraço de meu quarto no terceiro andar, que dava vista para a cidade e o jardim frontal, que profusamente iluminado, apresentava um verde brilhante devido à chuva rápida de todas as tardes.    

Bastou abrir as grandes portas de vidro que me separavam da noite porto-riquenha, para dar-me conta de duas coisas;primeira, o barulho era ensurdecedor o que mostrava que o invasor já estava ali, segundo, era invisível, mas ninguém parecia importar-se com isso.

Pouco depois, quando desci para jantar, perguntei na recepção de que se tratava aquele barulho. Fui gentilmente informado de que durante toda minha estada na ilha teria de aprender a conviver com aquele barulho que era produzido por um sapinho que é o animal símbolo local, e esse era justamente o período de acasalamento deles, o som era dos machos  convidando as fêmeas para uma rapidinha “sem compromisso”.  Um dos atendentes, me levou até uma loja de joias que existia no saguão do hotel e me mostrou um esculpido em Jade.

A réplica não era maior que a unha de meu dedo indicador.  Perguntei se era uma miniatura (até pela potência de seu chamado) e fui informado que não, os pequeninos e inofensivos Coquis como eram obviamente   conhecidos, eram verdadeiros barítonos.

Embora eu, como a maioria das pessoas não tenha especial atração   por essas criaturas, terminado o jantar, fui dar um passeio pelo gramado para ver se via   pelo menos um desses bichinhos. Bastou dar o primeiro passo, para que um esquadrão deles saltasse a minha frente e conforme eu andava maior era o número de fujões.

Para meu espanto, embora tivessem seguido com sua cantoria a noite inteira, em nenhum momento me atrapalharam o sono.

Parece que existe um censor em nosso cérebro que identifica o som como algo normal da natureza e o torna parte do ambiente.

Para finalizar com os Coquis, que pertencem a classe dos Eleutherodactylus e existem em várias cores, se por qualquer motivo um dia tiver de engolir um sapo e me derem o benefício da escolha, a vítima será certamente um Coqui.

E aqui acaba a poesia.

Vamos falar dos batráquios brasileiros, que gritam lu la, lu la, lu la e de tempos  em tempos, assolam as avenidas de nossas cidades, queimam pneus nas estradas, invadem terras e institutos de pesquisas agrárias.  Esse não é um barulho natural e sabemos ao que se destina.  Portanto incomoda. Sabemos quem são.

Batráquios das espécies sindicais, pseudo intelectuais, políticos e baderneiros pura e simplesmente. Como espécie, poderiam chamar-se  lu las.

Seu canto também é de acasalamento. Acasalamento com a organização criminosa que hoje dirige o país.

Esses batráquios brasileiros possuem algumas similaridades com os de Porto Rico. Por exemplo: o tamanho do cérebro, o barulho que fazem e a certeza de que como eu caminhando na gramado, quando o nosso exército puser seus pés na estrada, eles também pularão  espavoridos para fugir do gigante que ousaram desafiar com seu canto nefasto.

A diferença é que os nossos (como tudo nesse país) são sapos grandes e feios, em sua maioria barbudos e gordos, mas acautelem-se batráquios brasileiros, vocês gritam muito, mas eu e o resto do povo estamos com vontade de passear no jardim, e não iremos sozinhos, iremos com nossas Forças Armadas.   

Existe um ditado em Porto Rico: Tão porto-riquenho quanto um Coqui.

Em breve aqui haverá um: Tão batráquio e preso quanto um lu la.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

2 comentários:

Anônimo disse...

Aorei.

João Eichbaum disse...

Excelente texto, revelando o talento de quem realmente sabe escrever!