segunda-feira, 9 de abril de 2018

Ecos do Passado



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maynard Marques de Santa Rosa

O curto “post” do comandante do Exército em seu “twitter” ecoou nas profundezas do abismo midiático, ocupando maior espaço de comentários do que as onze horas despendidas pelo STF no julgamento do habeas corpus impetrado por um réu ilustre.

Nota breve e simples, mereceu até mesmo editorial da Folha de São Paulo, em 5 de abril de 2018, onde sintetiza o conteúdo de toda a orquestração. A indagação singela sobre “quem realmente está pensando no bem do país e quem está preocupado apenas com interesses pessoais” foi considerada como “manifestação política desastrada”, “deplorável” e que “suscita reação”.

Sem dúvida, a afirmação de que o “Exército compartilha o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade” repercutiu na opinião pública como alento ao ânimo e à esperança dos brasileiros de todos os rincões afetados pela corrupção das administrações petistas.

Em especial, o alerta de que “O Exército se mantém atento às suas missões constitucionais” parece ter soado como trombeta do Apocalipse nos redutos da desordem.

De fato, no Brasil de hoje, o equilíbrio social está comprometido. O Estado, hipertrofiado pelo viés esquerdista de sucessivos governos, acostumou-se a ingerir na sociedade e na família, ampliando a esfera do direito às custas da moral e dos costumes. 

A sociedade perdeu o rumo. Os valores que a sustentavam esgarçaram-se, deixando-a ao sabor do bombardeio da comunicação de massa. Como resultado, instalou-se no país um clima de esquizofrenia social, em que sobressaem os indicadores de desarmonia, visíveis na corrupção sistêmica e na insegurança urbana.

Em consequência, o brasileiro perdeu a fé em si próprio. Sem fé, esvaiu-se a esperança no futuro. Sem esperança, prevaleceu a atitude de “salve-se quem puder”, que liquida o espírito de solidariedade. 

O abuso do conceito de democracia, disseminado longamente pelo populismo político no seio do povo, aprofundou os atavismos de anarquia e irresponsabilidade, que jaziam latentes na mentalidade popular desde os primórdios da formação do país.  

Evidentemente, não há paralelo entre as provocações inconsequentes do chamado “Exército de Stédile”, das lideranças que as respaldam – “Vai ter que matar gente” –, e o alerta sereno que se respalda na autoridade moral. Por que, então, tamanha intolerância?

Se “todos são iguais perante a lei” e se “é livre a manifestação do pensamento”, as garantias do artigo 5º são, naturalmente, extensivas a todas as opiniões, sobretudo as que emanam da Instituição mais respeitada pelo povo.

O editorial referiu-se, ainda, ao triste histórico de intervenções militares na vida política do país, mas omitiu as circunstâncias deploráveis que as tornaram inevitáveis.

Portanto, é justo e necessário recobrar a consciência coletiva.  Não foi o “twitter” que projetou a sombra de 1964, mas sim o registro inconsciente do passado, que aflora nos arautos que teimam, justamente, em reproduzir as circunstâncias desestabilizadoras.

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército, na reserva.

Um comentário:

Manuel Maeder disse...

muito bem dito meu general!! discordo apenas do "triste historico de intervençoes", vejo apenas o EB cumprindo a sua funçao de sempre, mantendo a unidade da naçao, corrigindo desvios inaceitaveis à grande maioria da populaçao decente, construindo a infra-estrutura da qual vivemos ate hoje. triste mesmo è o historico dos governos civis, principalmente os dos ultimos 35 anos, que nos deixaram assim como hoje estamos: mais uma vez precisando que o nosso glorioso EB intervenha.