domingo, 20 de maio de 2018

Militares candidatos



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rômulo Bini Pereira

Envolto em uma constante crise política, econômica e social sem precedentes, o Brasil terá, em outubro próximo, mais uma eleição geral, com inúmeros pré-candidatos de diversas posturas políticas e ideológicas. Nesses trinta anos da Nova República, eis que surge no cenário eleitoral, pela primeira vez, um candidato à Presidência oriundo do meio militar, que, de modo surpreendente, atinge e mantém índices significativos nas pesquisas eleitorais. Trata-se do Deputado Federal Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército Brasileiro. Para os opositores dessa candidatura, esse resultado das pesquisas é um fato que deve ser combatido com críticas de toda ordem, por representar, segundo eles, um verdadeiro perigo de retorno ao regime militar.

Tornou-se corriqueiro nos últimos anos culpar o regime militar como sendo o grande responsável pelas constantes crises e desacertos políticos e sociais. Criou-se uma imagem de escuridão e de malignidade em tudo que se referia ao regime, com uma incidência ideológica das esquerdas brasileiras em artigos a respeito, como aconteceu agora, denegrindo presidentes militares, com base em documento de agência estrangeira (CIA), relativo a fatos supostamente ocorridos há mais de quarenta anos. O interessante é que tal agência sempre foi considerada como sendo o “Grande Satã” pelas esquerdas sul-americanas. Hoje, esse “oportuno memorando” tornou-se de alta e inquestionável credibilidade. Uma evolução surpreendente!         

Os fatos positivos do período, tais como a modernização do País e conquistas sociais de relevância, raramente  são assinalados e muito menos as virtudes e os predicados morais que os governos militares apresentaram em suas gestões: a honestidade, a probidade, a responsabilidade no trato da coisa pública, a grandeza de colocar os interesses do País em primeiro plano e a inadmissibilidade de atos de corrupção em todos níveis governamentais.

Dentre as razões da aceitação de Bolsonaro por parte da população, sobressai a sua integridade pessoal observada em sua longa vida parlamentar sem qualquer mancha ligada à corrupção. De seus opositores, inúmeros estão envolvidos nessa corrupção desenfreada que se alastra pelo Brasil, e há, inclusive, os que atuaram na luta armada fratricida. Estes, sob a capa de uma luta pela "democracia", desejam solertemente a instalação de regimes bolivarianos. Aliados a esses opositores, há artistas e intelectuais, bem como políticos receosos de perderem as benesses que lhes proporcionam o status quo da vida política atual.

Em data recente, cerca de setenta militares, pré-candidatos a cargos eletivos em todo o País, reuniram-se em Brasilia e adotaram como lema de suas campanhas: Ética, Moral e Honestidade. Possíveis atitudes radicais, em nenhum momento, foram postas em discussão e todos eles optaram por suas inclusões democráticas no processo eletivo que já começou.

O Comandante do Exército, por incontáveis vezes, declarou a predominância dos princípios da Constituição nas soluções políticas de problemas nacionais. Em seus pronunciamentos não existe uma assertiva sequer  de  adoção de medidas manu militari ou o apoio a crescentes clamores intervencionistas.

Destarte, desejar relacionar candidaturas militares, principalmente a do Bolsonaro, a um possível retorno ao regime militar é, ao mesmo tempo, uma falácia e uma leviandade. Um verdadeiro fantasma criado sub-repticiamente.

Por oportuno, cito o recente artigo transcrito neste jornal, edição de 05 maio, intitulado Volta à ditadura pelo voto, de autoria do jurista dr. Miguel Reale Junior, ex-Ministro da Justiça, quando expressa a sua opinião a respeito da candidatura de Bolsonaro. O articulista assegura que ela representaria um retorno dos militares ao poder. Com a devida vênia, discordo dessa afirmativa. Nos preâmbulos deste artigo apresento as minhas razões de discordância daqueles que consideram a candidatura de Bolsonaro um perigo para o regime democrático; e complementando, digo que ela representa, além de outros motivos, um protesto do povo contra os governos incompetentes e corruptos das três últimas décadas.

Como ex-Ministro da Justiça, o dr. Reale sabe muito bem o que os militares têm representado para a solução de problemas de toda ordem nos quais a ação governamental se mostra incapaz. No presente, cumprem duas missões relevantes: uma humanitária em Roraima, no acolhimento dos refugiados oriundos da bolivariana Venezuela e, outra na intervenção federal no Estado do Rio no setor de Segurança. Na Nova República o grande objetivo foi o de servir ao País, o que lhes têm dado uma credibilidade ímpar perante a opinião pública.

Ainda em seu artigo, o dr. Reale  — como a profetizar um terror futuro e alertar aos que ele denominou de "ignorantes" do que foi o regime militar —, ressalta a sua participação na presidência da Comissão de Mortos e Desaparecidos. Sem dúvida, uma ação de alto grau humanitário, mas que deu origem à polêmica Comissão da Verdade por sua forma unilateral de interpretar fatos históricos. Foi uma comissão de verdade única e ideologicamente comprometida que proporcionou milhares de beneficiários de pensões vitalícias e polpudos proveitos a bancas advocatícias. A ideologia esquerdista, com isso, foi para as calendas.

Correndo risco de ser ousado, talvez seja mais válido voltar sua inteligência e notório saber jurídico, como no impeachment de Dilma Roussef, para o nosso débil sistema democrático, no qual os três Poderes da República estão desacreditados pela população brasileira. Este sim, um fato real.

Por fim, espero que o eminente jurista compreenda e aceite as candidaturas de militares, inclusive a de Bolsonaro, como uma opção democrática e legalmente apoiada na Constituição de 1988.

Rômulo Bini Pereira, General-de-Exército R/1, foi Chefe do Estado-Maior/Ministério da Defesa.

3 comentários:

Loumari disse...

NÃO HAVERÁ ELEIÇÕES EM 2018 | O 2º MANDATO TEMER

https://www.youtube.com/watch?v=Ys0QEstgNbY

Elesi F disse...

que merda de artigo, parece que vou ter que parar de frequentar esse blog, só dão voz para ignorantes e pessoas desprezivéis de amor ao proximo.

É O VELHO E BOM MOCISCMO MILITAR BRASILEIRO, QUE TRATA TRAIDOR, AGENTES INTERNOS QUE SERVEM A IDEOLOGIA E MOVIMENTOS INTERNACIONAIS COMO PESSOAS NORMAIS, chamando de ''nobre'', de ''excelência'', ''jurista''

Esses militares são a vergonha mundial, O IMPEACHMENT DA DILMA FOI UMA MANOBRA PARA SALVAR A CLASSE POLITICA E AS INSTITUIÇÕES, FOI A PIOR COISA QUE ACONTECEU, QUEM NÃO PERCEBEU ISSO AINDA TEM SÉRIOS PROBLEMAS MENTAIS.

COM DILMA, TINHAMOS UMA REVOLUÇÃO E ELAS ESTAVA NAS RUAS, FORÇAS INVISIVIES, MAÇONARIA E CAPITAIS INTERNACIONAIS QUE DOMINAM O BRASIL COM SEU GOVERNO INDIRETO, CRIARAM FALSOS LIDERES, FINANCIARAM FALSOS MOVIMENTOS PARA LEVAR O GADO A ACEITAR O IMPEACHNENT.

JANAINA PASCHOAL FOI PAGA PELO PSDB COM 40 MIL REAIS PARA FAZER O PROCESSO DE IMPEACHMENT.

MICHEL REALE JUNIOR É MAIS COMUNISTA QUE DILMA ROUSEFF,

FAVOR ENCAMINHAR ESSE TEXTO PARA O SUPOSTO GENERAL

OSVALDO disse...


Quero aqui deixar minhas impressões e o eloquente General a meu ver se perdeu no curso da história política do Brasil, uma vez que ainda defende as nossas Forças Armadas.
Não posso concordar com suas correlações entre militares, ex, e a própria imagem das FFAA. Todos sabemos que as FFAA sempre foram a direita no sistema político brasileiro e que todos, eu disse todos os demais partidos considerados esquerda.
Esquerda é esquerda e direita é direita !
Óleo não se mistura a água e se isso acontecer, não é óleo.
Aos ex militares que estão tentando um cargo político, está mais evidenciado que não estão atrás das melhoras do Brasil, mas estão mais preocupados com o “deixa eu levar o meu antes que acabe !”
Não adiantou nada os nossos brilhantes ex Generais representarem o supra sumo do verdadeiro militar brasileiro, os quais foram até diferenciados na Segunda Guerra Mundial, pelo seu alto espírito humanitário; pelo seu alto grau de adestramento e pelo seu alto grau de garbo, pois enfrentaram o que enfrentaram por vontade própria e não por obrigação do dever, mas pela obrigação da honra.
Lembro-me bem, do que foi dito, quando foi entregue ao comando do País, ao General Castello Branco ,na sala de reuniões do alto comando do EB, no então Ministério da Guerra, no Rio de janeiro.
Estavam ali reunidos, o generalato, para ver quais os rumos que o País iria tomar, quando de repente entra um General, Muniz de Aragão, e fala a seguinte frase: “ – o povo pode escolher o Presidente que quiser, mas o Presidente será O General Castello Branco !” Dessa forma o General Castello Branco foi eleito com 361 votos de um total de 475 representantes da Câmara à época.
Caso o exmo. Sr. General não saiba quem foi o General Muniz de Aragão, ele foi um dos articuladores do golpe militar de 64.
Mas como dizia sobre Castello Branco, após ele não existiu mais nenhum outro Oficial General preocupado como ele, que em 1955 ajudou na remodelação administrativa do Exército e de lá para cá, depois de 1985, nada mais de expressão foi feito quer no Exército quer nas outras Forças e a degradação foi aterrorizante à nível do que seja uma Força Armada.
Não tivemos mais aumentos, amargando até hoje míseros 3% e mais nada.
Nossos armamentos são ultrapassados e sem vistas de melhorias por um bom tempo, salvo em algumas determinadas coisas.
Dizer que consideram a candidatura de Bolsonaro um perigo para o regime democrático, é no mínimo infantilidade, uma vez que pelas declarações do Cmt. Do EB, Gen. Villas Bôas, o Exército não quer saber da assunção do País, portanto Bolsonaro vai “guerrear” sozinho, pois não terá o respaldo dos militares, mesmo com o Art. 142 lhe dando os poderes para tal.
Os novos Generais não querem mais envolvimento algum com a responsabilidade de governar o País.
O pensamento maior do General Castello Branco foi, para mim, quando ele pronunciou sua ideia em relação ao sistema Leninista Marxista, aonde dizia que “ seus objetivos capitais são: dissociação da opinião pública, nacional e internacional, criação da indecisão e, o principal, retirar das nações a capacidade de luta. ” E isso foi comprovadamente feito após 1985, de maneira sorrateira, mas contundente e sem chances de mudança.
Enfim, nossas FFAA se degradaram ao longo dos anos por diversos fatores, mas o principal deles foi e é o ideal de servir à Pátria como tem de ser, descumprindo as partes principais do Art. 142 da Constituição aonde é dito que elas são de caráter permanente para a defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e o cumprimento da lei e da ordem, tudo o que caiu no possível esquecimento, se subordinando à figura de um dos itens desse artigo, ao Presidente da República que já é considerado o líder de uma verdadeira organização criminosa, quiçá muito mais forte e perigosa do que o famigerado PT.
Caso esteja errado e tudo seja um desvario meu. Me corrija por favor.