quarta-feira, 4 de julho de 2018

Palácio da Luz Vermelha



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Em termos relativos, até não muito tempo atrás, cinquenta anos, pouco mais, pouco menos, as casas de tolerância neste país, (e não somente nele) eram conhecidas como a casa da luz vermelha.

Se algum visitante inocente, de passagem por Erechim, no interior do Rio Grande do Sul, perguntasse a alguém, sobre um local onde seria possível divertir-se sem compromisso “After Hours”, receberia a seguinte resposta.

- Em Brasília (acredite ou não, esse era o nome do bairro que abrigava a zona do meretrício da cidade nos anos sessenta). Lá é  só procurar as casas com uma luz vermelha na porta, são várias. 

Premonitório, no mínimo.

Lembro que na porta de entrada sempre havia uma placa de metal com os dizeres: assinante da Guarda Noturna, com a figura de um pastor alemão. Uma espécie de selo   de segurança para os frequentadores do estabelecimento.

Nos derradeiros momentos do governo da Anta Planaltina, lembro de ver na televisão tanto o Palácio do Planalto quanto Palácio dos Três Poderes iluminados com uma forte luz vermelha. Numa arrogante demonstração de orgulho comunista para o mundo ver.  Foi inevitável, pelo menos para mim, associar a imagem, com os puteiros de minha juventude.

Até uma ofensa às putas, que pelo que me lembro, eram mais honestas em suas casinhas de madeira, do que atuais ocupantes dos palácios Brasilienses.

Hoje, na época da libertinagem em que vivemos, do dá quem quer, e come quem estiver a disposição, o Palácio da Luz Vermelha transformou-se em uma franquia. Embora a luz que os ilumina, tenha mudado para verde, (a quem querem enganar?), temos o congresso da Luz Vermelha, o senado  da Luz Vermelha  o STF  da Luz Vermelha, e palácios  governamentais   em todos estados  do nosso território, assim como uma infinidade de outras instituições, onde  são praticadas  arte da fornicação, sexual, financeira, intelectual  e política.

Somente para sócios escolhidos a diversão não é mais democrática, mas partidária.  Sacanagens não previstas nem mesmo no Kama Sutra são praticadas   por seus sócios como: O tesão do dinheiro na cueca, a sacanagem da loirinha de Pasadena, o bacanal dos guardanapos na cabeça em Paris e inúmeras variações, onde a enrabada é sempre a classe média.

Com certeza na porta destes palácios, em breve vai existir uma placa:   Assinantes do STJ, com a ilustração de onze ratos de toga, para   garantir que cafetões e meretrizes estão ali protegidos.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

jomabastos disse...

"Assinantes do STJ"? Não será STF?