sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Na Política é proibido dizer a verdade



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

A tese que vou defender é que ninguém sobrevive na política brasileira falando ou escrevendo a verdade, bem como  apontando as suas deficiências morais e culturais, oriundas, na maior parte, da vontade coletiva e dos costumes às vezes corrompidos  do próprio povo. Por isso tem alguma razão de ser a afirmação do filósofo francês “Joseph de Maistre” , que “cada povo tem o governo que merece”.

Uma certa mídia tem “caído de pau” com bastante frequência em cima do General Hamilton Mourão, candidato a vice-Presidente da República, na chapa encabeçada por Jair Bolsonaro, por algumas verdades irrefutáveis  que o candidato  anda dizendo nas sua campanha eleitoral, e que os brasileiros deveriam ouvir com atenção e meditar um pouco sobre elas.            

Ora , qualquer antropólogo ou estudioso da realidade brasileira jamais  poderia omitir uma característica marcante do “eu” brasileiro, e que contamina talvez a maior parte do seu povo, consistente na  dependência que tem   pelo ASSISTENCIALISMO “DE ESTADO”, desmedido, ou seja, da exigência que os “assistidos” fazem no sentido de que o Estado supra todas as suas necessidades, independentemente do mérito ou participação de cada um para recebê-las.

O  pedagogo Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido, etc.), talvez tenham sido um dos maiores “gurus” da esquerda brasileira, principalmente do PT, especialmente  nos seus primeiros passos ,no seu “jardim-da-infância”, como organização partidária.                                              

Mas enquanto o citado pedagogo sempre combateu com veemência  o ASSISTENCIALISMO, mais que qualquer outra coisa, por achar que essa postura de dependência  “não realizava na plenitude o ser humano”,  tornando-o “dependente”, o partido que se inspirou em grande parte  nas suas ideias, o PT, fez exatamente o contrário durante todo o tempo em que “foi” Governo. Sem qualquer preocupação em que fossem geradas novas riquezas pelo aumento da produção econômica, o PT passou a distribuir  assistencialismo desmedido por todos os cantos ,”gastando” muito mais do que poderia.                                                        

Somado à corrupção generalizada na área política e governamental, o excesso de assistencialismo colocou o país num estado  pré-falimentar, praticamente “quebrado”.

Devido à longa vivência que teve na política como Deputado Federal, pelo  Rio de Janeiro, Bolsonaro certamente jamais conseguiria “escapar” inteiramente de certos vícios culturais que impregnavam  também  a  “sua” Câmara Federal. Seria absolutamente impossível sair ileso dessa convivência perniciosa. Como militar ,o “Capitão” Bolsonaro não estaria sujeito à “má influência” da política. Mas como político, sim. E muito.

E certamente é  esse o principal motivo dos desentendimentos “domésticos” entre a fala de Mourão, que é militar “puro sangue” ,e o discurso  de Bolsonaro, que  foi “aculturado” na política ,e hoje não é  mais militar ,e sim político.

É por isso que Mourão ,apesar de falar muitas  verdades, “politicamente”  (numa política totalmente viciada) está no caminho errado ao dizê-las , enquanto Bolsonaro pode estar  moralmente errado ,mas  absolutamente certo, como político, ao omitir a verdade, prometendo inclusive manter certos  benefícios absurdos que foram assegurados  pelo petismo assistencialista, porque  bem sabe que perderia os votos dos eleitores beneficiários, portanto a própria eleição,se dissesse  o contrário. Em política, portanto, é proibido  falar a verdade. Bolsonaro sabe disso. Mourão , ”ainda”não.

Entre Bolsonaro e Mourão, eu ficaria com o segundo, apesar da plena consciência que não me elegeria para nada, nem para suplente de Conselheiro Fiscal de Condomínio Residencial, se como candidato adotasse esse tipo de discurso: o da verdade. Seria a política, por conseguinte, a “ciência e arte de mentir”?

Mas o bom senso e a realidade indicam que o melhor caminho para a “chapa” Bolsonaro/Mourão seria  adotar o discurso de Bolsonaro num primeiro momento , durante a campanha  até as eleições, e o discurso do General Mourão, depois da “posse”, se for o caso, respectivamente,  na Presidência e vice-Presidência da República. Só assim o Brasil teria alguma chance de ser “consertado” e sair do caos em que a esquerda irresponsável, corrupta e criminosa o meteu.                                                                                                                                             
Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

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