quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Curiosa Preocupação



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

O lulopetismo, autodeclarado "campo democrático" - que, aliás, pratica impiedoso autoritarismo e despreza a democracia -, tem um código de conduta com cláusulas tácitas entre as quais está "Todo petista deve odiar Olavo de Carvalho": até quem nunca leu um só parágrafo do filósofo
repudia o seu pensamento.

Esse dado é útil para entender o funcionamento de alguns rapazes de O Globo, como o exasperado Bernardo Mello Franco, para quem Bolsonaro teria acertado se houvesse escolhido para ministro da educação Mozart
Ramos (homem de ideias alternativas). Mas, segundo ele, Bolsonaro errou, porque deu ouvidos a Olavo de Carvalho e optou por Ricardo Vélez Rodríguez.

Registre-se que, também em O Globo, preocupadíssimo com a religiosidade do futuro governo, Merval Pereira lembrou que ninguém, de modo algum, pode falar de "estelionato eleitoral", sendo a escolha do ministro coerente com o que Jair Bolsonaro apregoou desde que entrou para a política (há três décadas) e prometeu como candidato à presidência.

Volto a Mello Franco. Será que ele não compreende que foi para provocar profunda mudança no país que as urnas elegeram Bolsonaro? Afirmando que "Mozart Ramos tinha currículo para o cargo" e lamentando a opção por Vélez Rodríguez, ele mostra de modo oblíquo que gostaria de ver a continuidade do desastroso quadro atual: o sistema educacional, do ensino básico à universidade, está aparelhado para a doutrinação esquerdista.

Curioso! Colunistas de O Globo, assim como da Folha de S. Paulo, em ataque cerrado a um governo que nem sequer assumiu, de repente deram para se preocupar com a educação. Ignoram que o futuro ministro, por formação, pretende que na sala de aula haja ensino, o que é certo, em vez da abusiva "conscientização" introduzida pelos governos petistas. Claro, ninguém dirá que o futuro ministro é isento. Mas ninguém, de boa-fé, o acusará de assumir a pasta para servir a um partido.

Fato é que o novo ministro tem formação primorosa e uma visão do ensino conflitante com os programas escolares que, moldados ao ideário socialista, causaram um genocídio cultural no Brasil.

Aí está a diferença: enquanto os ministros da "era PT", militantes de um projeto de poder, usavam o ministério para implantar uma ditadura socialista no Brasil, Vélez Rodriguez é chamado a devolver à educação escolar o seu papel de formar indivíduos autônomos, cognitivamente aptos a gerir a própria vida e a agir com a responsabilidade de cidadãos de uma sociedade livre.

Bernardo Mello Franco pode até contestar, mas o professor Ricardo Vélez Rodríguez tem, sim, "currículo para o cargo". Se vai ter sucesso ou não no ministério é coisa que ninguém pode antecipar.

A propósito, o atento colunista terá sido assim tão crítico e tão zeloso, quando o ministro da educação era o petista Tarso Genro (figura notadamente autoritária, sem currículo e sem traquejo para o cargo)?

Mas Mello Franco poderá seguir falando à vontade: o programa de governo que previa "controle da mídia" foi derrotado nas urnas. Além do mais, para a democracia, a crítica é salutar e necessária. Só não espere flores quem não criticou as degenerescências da gestão petista e, agora, vem atacar as mudanças anunciadas pelo novo governo.

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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