domingo, 11 de novembro de 2018

Educação para o Século XXI: Uma luz no fim do túnel...



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Stavros Xantophoylos
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Esta semana tivemos dois episódios interessantes e dicotômicos em sua essência, enquanto o CNE aprova até 30% do conteúdo do ensino médio em modalidade EaD, pesquisa realizada em 35 países coloca o Brasil em último lugar no que se refere a percepção do professor pela sociedade. Ou seja, vivemos um avanço na flexibilização do ensino, mesmo que tímido, e por outro lado, estamos totalmente desalinhados com a visão da profissão que motiva a aprendizagem e busca ensinar a todos tudo o que sabem, ignorando o Professor.

Vivemos um momento impar no mundo de hoje, passando por uma fase de transição com o alto impacto da tecnologia na vida do indivíduo no âmbito pessoal, profissional e educacional.

Vimos a possibilidade plena de interação do usuário com a internet e a sociedade em rede tomar corpo por meio das redes sociais. Intensificamos nossas relações entre indivíduos, grupos ou instituições com interesses convergentes e as relações de muitos com muitos. Essa nova globalização caracteriza uma quebra de barreiras mais profunda, pois cria um ambiente de pontos, ou hubs, potencialmente conectáveis conforme interesses das partes em gerar essas relações, transcendendo qualquer limite, criando uma nova dimensão de comunicação através de um ciberespaço de integração que nos une virtualmente nesta realidade. 

O papel da gestão educacional do país é intensificar esta integração para acelerar o acesso e melhorar a qualidade do ensino e a inclusão de todos.

Os movimentos de oferta de materiais e cursos gratuitos oriundos das maiores e melhores universidades do mundo, por exemplo, trazem um novo panorama no oceano que banha a educação em todos os níveis, pois a maior parte do conteúdo comum está disponível na internet, hoje. Por outro lado, temos o fenômeno da integração quase que inerente à genética dos indivíduos nascidos sob a regência dessas tecnologias, denominados “nativos” digitais, em dicotomia com a geração dos “imigrantes” digitais, trazendo os desafios de preparar os ambientes educacionais para gerarmos cidadãos digitais, entendendo-se aqui que esse esforço deve permitir que todas as gerações possam ser efetivas como cidadãos e profissionais nessa nova era global da economia do conhecimento. 

Assim, o formato taylorista da educação está com sua validade vencida e não apto a atender as novas demandas. Instituições de ensino irão desaparecer se não adequarem o seu modelo. Atualmente, o único país que estabeleceu uma ação nessa direção e está desdobrando de forma efetiva uma política governamental é a Coréia do Sul.

As argumentações introdutórias acima nos levam a muitas reflexões e trazem um grau de complexidade enorme na definição das estratégias educacionais futuras, pois como dizia a letra de um dos hinos do rock mundial, Another Brick in the Wall, do Pink Floyd, que critica os sistemas de educação e a postura do professor como sendo “simplesmente mais um tijolo na parede”, pode estar com seus dias contados, ou seja a Síndrome do Tijolo na Parede, definição própria, será por livre arbítrio da instituição, do professor ou do estudante, inclusive, pois a escolha de ser tijolo, parede ou construtor da obra prima será de cada um, independente do seu papel no processo da aprendizagem na era da educação digital.

Então, como fica o método ou o modelo pedagógico nesta era digital do século XXI?

Bem, no que se refere ao método de ensino, Comenius, onde estiver, estará contente, pois sua frase, em sua obra “Didactica Magna”, de 1638, que dizia, “é necessário desenvolver um método de ensino em que os professores lecionem menos para que os alunos possam aprender mais”, finalmente deverá se fortalecer nas estratégias de ensino como premissa atual. Hoje, diferentemente de meados da década de 90, quando somente alunos que estudavam na modalidade a distância faziam uso das ferramentas de comunicação, interação, compartilhamento, disseminação e construção coletiva do conhecimento, todos somos alunos, ditos a distância, a qualquer tempo, em qualquer lugar, bastando termos acesso à internet.

O estudante ou aprendiz assume um papel mais proativo neste novo cenário e visa resultado imediato a aplicação daquilo que aprende. Assim, as metodologias ativas e multidisciplinares de ensino aproximando o máximo daquilo que esteja sendo estudado com a realidade ou aplicação na vida real ou profissional do estudante devem ser adotadas em métodos mistos de aprendizagem, ou seja, temperados com atividades presenciais e outras apoiadas por tecnologias.

O desafio maior é preparar o professor, ou será que existe professor neste novo mundo?

Professor não é profissão, mas vocação, portanto o papel do professor será mais importante e assumirá novos elementos antes não integrados em suas funções. Além de buscar maximizar o seu conhecimento em torno da sua disciplina, ele orquestrará, muito provavelmente com um ou mais colegas, um processo de motivar e inspirar seus estudantes para busca do aprendizado, orientará caminhos e busca de conteúdo às necessidades de cada um, com qualidade adequada, e assim, além de ensinar,  passa a ser um curador da infinidade de informação disponível hoje pela internet. Nosso desafio será adequar a formação e educação continuada do professor. 

Estamos na era da educação digital, da colaboração, época do maior movimento da democratização do conhecimento, onde não há distância ou limitação física para acesso à informação, a velocidade do aprendizado pode ser definida pelo estudante, o conteúdo alinhado com sua demanda prioritária e “quase” tudo realizado na palma da mão.

Vamos aproveitar estas resoluções e o momento de virada na estrutura política do país e priorizar a reformulação da carreira do professor, valorizá-la, recuperar seu caráter respeitoso e de ser respeitado. Fazer com que seja o catalizador da aprendizagem e do desenvolvimento da sociedade, pois temos o desafio de formar cidadãos para o século XXI e estamos atrasados.

Mãos à obra...

Stavros Xantophoylos é Consultor em Educação. Membro da diretoria de relações internacionais da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), já tendo ocupado o cargo de vice-presidente. Há 24 anos atua com Educação a Distância (EaD) para graduação e pós-graduação. Foi vice-diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor executivo do FGV Online. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP), possui também doutorado em Filosofia e Administração. É fundador e CEO da SPX Consultoria Educacional, especializada em soluções educacionais online. Foi eleito Personalidade Educacional de 2011, 2013 e 2014, título concedido pela Associação Brasileira de Educação, pela Associação Brasileira de Imprensa e pelo jornal Folha Dirigida.

Um comentário:

Anônimo disse...

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