sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Reformas não passarão na porrada



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Apenas 176 dos 513 deputados se mostram declaradamente contra a Reforma da Previdência enviada por Jair Bolsonaro. Uma pesquisa do Diap (Departamento Intersindical de Acompanhamento Parlamentar) indica que o Governo conta com o apoio de 333 parlamentares para aprovar o que for possível. Por esta conta, haveria uma folga de 20 votos a favor. A esperança oficial é aprovar tudo, no máximo, até agosto ou meados de setembro.

São necessários 308 votos de aprovação em cada votação. O Governo tem como meta conquistar 360 parlamentares. Por enquanto, uma avaliação realista, mostra que o Palácio do Planalto só teria o apoio consolidado de uns 100 deputados. No entanto, haveria de 180 a 200 favoráveis aos principais pontos da Reforma. Terça-feira que vem tem reunião com lideranças partidárias. Depois do Carnaval, Bolsonaro receberá as bancadas separadamente. Haja negociação...

A Reforma vai passar porque o negócio da capitalização interessa demais aos bancos. É o mercado financeiro quem faz a propaganda de que a economia só vai destravar se a Previdência for resolvida. Outro interesse é que sobre mais dinheiro para pagar a dívida pública – que os banqueiros rolam com lucro e juros altos. Além disso, sem um novo fôlego de arrecadação, estados e municípios não conseguirão cumprir seus compromissos previdenciários. Tal problema já acontece agora, e não em um futuro próximo. Por isso, a pressa em resolver a questão.

Os maiores pontos de resistência à reforma são os servidores públicos e a esquerda sindical. A turma no topo do funcionalismo, que recebe salários acima de R$ 39 mil, fará de tudo para não sofrer o desconto previdenciário previsto de 22%. Também são pontos de discórdia da reforma a idade mínima para aposentadoria na regra de transição, os critérios de aposentadorias especiais para algumas categorias, o acesso aos benefícios assistenciais e a contribuição obrigatória para o trabalhador rural.

Só por isso já dá para ver que devem ser tensas as discussões e nervosos os “debate-bocas”. O brasileiro, que cultiva a adoração à estadodependência, não aceita perder os alegados “direitos-adquiridos”. Superar tal queda de braço não será fácil, porque os privilegiados geralmente têm forte poder de pressão política. Assim, a gritaria será imensa e volumosa.    

O certo é que as reformas – não só a da Previdência – não passarão na base da porrada. O governo terá de negociar ao extremo com uma classe política nada confiável. Também terá de demonstrar muita competência na estratégia de comunicação. Não haverá moleza...

Enquanto isso, a base aliada pressiona o governo por... Cargos... Sempre eles... Será que Bolsonaro conseguirá, realmente, vencer o viciado toma-lá-dá-cá? Até quando o Presidente resistirá? Eis a permanente maldição brasileira atacando intensamente...



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Fevereiro de 2019.

3 comentários:

Antenado. disse...

Para mim esse negócio de capitalização é igual ao fundo dos correios, da Petrus, no final vão fugir com o dinheiro e o povo brasileiro vai chupar o dedo. Se liguem.

jomabastos disse...

Se o "toma lá dá cá" fosse somente por cargos, não seria nada difícil de negociar, nem os seus custos financeiros seriam demasiado elevados, para fazer passar a Nova Previdência.

O mais difícil de negociar, são os muitos milhões ou bilhões necessários para satisfazer os redutos eleitorais de cada político. Os políticos sabem que o dinheiro dos nossos impostos é muito e não querem abdicar do seu potencial político de qualquer jeito. Os políticos querem contrapartidas financeiras bastante boas, para poderem investir em seus os redutos eleitorais, de modo a que mantenham o seu eleitorado bem firme para as próximas eleições.

E depois há o interesse pessoal de cada político, algo que, infelizmente, se vive no dia a dia de cada homem público deste país, quando o valor individual dos estadistas se sobrepõe facilmente aos valores da Nação.

Enquanto este reprovável sistema político funcionar desta forma, embora este país tenha imensas riquezas naturais para poder crescer e prosperar com facilidade, o Brasil dificilmente será liberalmente autêntico e custosamente se desenvolverá a nível socioeconômico, como um país norte americano ou como um país da união europeia.

Anônimo disse...

Concordo com o Antenado, porque, mesmo que não fujam literalmente com o dinheiro, as taxas de administração comerão boa parte do pecúlio. Se os bancos apoiam, só é vantajoso para os bancos.