segunda-feira, 13 de maio de 2019

François Rebelais e o nosso STF



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Diante da absurda lista de produtos colocados em licitação para alimentar nossos ministros do STF, manifestação ostensiva de desdém para  com os milhões de desempregados e carentes de educação e saúde que imploram por migalhas  de dignidade em nosso território nacional, lembro de François Rebelais, mas antes de falar dele, passo a reproduzir  na integra a “singela” licitação para quem ainda não tenha conhecimento dos “saborosos”  detalhes:

Todos itens necessários (não especificados, mas claro do conhecimento óbvio dos “chefs” que irão prepará-los para o desfrute de suas majestades) para pratos como bobó de camarão, camarão à baiana e medalhões de lagosta com molho de manteiga negra. A licitação exige ainda que sejam colocados à mesa bacalhau à Gomes de Sá, siri, moqueca (capixaba e baiana), arroz de pato. E que não faltem, vitela assada; codornas assadas; carré de cordeiro, medalhões de filé e “tournedos de filé”, com molho de mostarda (imagino que Dijon original Maille no mínimo), pimenta, castanha de caju e gengibre.

A carta de vinhos então não fica atrás.

Se for vinho tinto fino seco, tem de ser Tannat ou Assemblage, contendo esse tipo de uva, de safra igual ou posterior a 2010 e que “tenha ganhado pelo menos quatro prêmios internacionais”. “O vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de doze meses.”

Se a uva for tipo Merlot, só serão aceitas as garrafas de safra igual ou posterior a 2011, e que tenha ganho pelo menos quatro premiações internacionais. Nesse caso, o vinho, “em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho, de primeiro uso, por período mínimo de 8 (oito) meses”.

Para os vinhos brancos, “uva tipo Chardonnay, de safra igual ou posterior a 2013”, com no mínimo quatro premiações internacionais.

Caipirinha deve ser feita com “cachaça de alta qualidade”, leia-se: “cachaças envelhecidas em barris de madeira nobre por um ou três anos.”

Destilados, como uísques de malte, de grão ou sua mistura, têm que ser envelhecidos por doze, quinze ou dezoito anos. “As bebidas deverão ser perfeitamente harmonizadas com os alimentos”, descreve o edital para que não reste dúvida.

Após o escândalo provocado pela divulgação de tal lista, o STF informou que “o edital da licitação do serviço de refeições institucionais em elaboração pelo STF, nada mais faz que reproduzir as especificações e características de contrato semelhante, firmado pelo Ministério das Relações Exteriores (que faz o cerimonial da Presidência da República)”, como se isso justificasse  a farra  com o dinheiro público

Estamos falando de mais de um milhão de reais para alimentar onze porcinos, sem nenhuma competência provada para ocupar o cargo que ocupam, escolhidos apenas por sua fidelidade aos criminosos que no posto os colocaram para garantir seu futuro longe das garras da lei.

É aqui que entra Rebelais, eventualmente tão desconhecido de nossa gente quanto as iguarias anteriormente citadas, mas que tem tudo a ver com os acontecimentos.

Escritor mais conhecido por sua obra "Os horríveis e apavorantes feitos e proezas do mui renomado Pantagruel, rei dos dipsodos, filho do grande gigante Gargântua".

A palavra pantagruélico, tão usada na mídia atualmente, sempre que a dita licitação entra em baila, vem daí, do gigante que saiu para a vida, matando  com seu exagerado tamanho, sua mãe Badebec no parto e seguindo sua sina delirante e grotesca pela vida, com sua força somente comparada a seu apetite e torpeza.

O nome Pantagruel significa “tudo adulterado” e também é o nome de um demônio do “folcklore” inglês, que segundo a lenda, jogava sal na boca dos bêbados para que assim sentissem sede e bebessem ainda mais.

Tudo a ver com nossos “pantagrueis togados”, que estão matando a constituição que lhes deu vida, mesmo que por vias tortas, pela qual pelo menos deviam zelar, enquanto se alimentam em banquetes pantagruélicos, como glutões à custa do povo.

O livro de Rebelais foi condenado pela Sorbonne e pelo Vaticano, por ser considerado obsceno.

Qualquer semelhança com nossa realidade não será mera coincidência.

Obsceno nosso atual STF também o é, deveria ser extirpado e os nomes de seus atuais componentes, relegados ao ostracismo pelo bem do povo.
Enquanto isso, nas esquinas de São Paulo, vejo gente com pedaços de papelão, onde trazem escrito o resultado de dezesseis anos de governo socialista:

- Me ajude  tenho fome!

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

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