quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Edição Extra do Alerta Total nesta Quinta-feira http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Na onda de indignação nacional que varre o Brasil (com relação a infindáveis denúncias de corrupção), entrei nesta quarta-feira (23), na Corregedoria do Senado, com uma representação contra o senador João Alberto de Souza (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética daquela Casa, pedindo a instalação de “competente sindicância”.

É que, até hoje, o senador não fez qualquer movimento para colocar em pauta a votação do pedido de cassação do mandato do senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR), representação que protocolei no dia 30 de maio último, baseada em provas irrefutáveis.

Denunciei ao senhor corregedor, senador Romeu Tuma (PFL-SP), a conduta criminosa e antiética do senador João Alberto, o qual, no estado do Maranhão, ficou conhecido como “governador dez por cento”, depois de alguns meses à frente do Executivo daquela unidade federativa.

Com o surgimento do escândalo da máfia dos sanguessugas, envolvendo os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES), João Alberto voltou novamente ao palco. Ele tentou manobrar para impedir a apuração dos desvios cometidos pelos três, mas sua ação foi frustrada.

Agora, quando a opinião pública e a imprensa cobram atitude enérgica, no sentido de fortalecer a instituição e dar um basta à desmoralização generalizada, João Alberto quer discutir o caso dos três senadores, “esquecendo” que o senador Romero Jucá Filho, por antiguidade, tem primazia,
É de clamar aos céus, tanto horror! Afinal, para que existem as instituições? E a Constituição Federal, que determina “a igualdade de todos” perante a lei? Não se tem como inverter a pauta e simplesmente colocar à margem uma denúncia das mais graves e que viola todos os preceitos.

Foi anexado, ao documento enviado ao corregedor, sentença exarada pelo TRE-RR – Tribunal Regional Eleitoral de Roraima -, assinada pelo presidente do órgão, desembargador Robério Nunes, pelo Juiz César Alves e pelo procurador-regional eleitoral Lauro Coelho Júnior, eliminando qualquer dúvida porventura existente.

Na declaração de voto do relator, encontra-se grafado o seguinte: “A alegação do impugnado de que já não é mais sócio da empresa TV Caburaí Ltda., não procede. A fulminar em definitivo tal alegação está o documento” da Junta Comercial de Roraima.

E que diz aquele documento? “Atesta ser Romero Jucá Filho sócio-administrador daquela empresa”. Só falta mesmo a decisão do Conselho de Ética do Senado que não tem como se omitir. Não é possível que se pretenda transformar aquela instituição numa Casa de Tolerância
É preciso que se aja com a maior celeridade e se impeça a candidatura a cargos eletivos por parte de pessoas envolvidas em atos de corrupção. Se a situação continuar no mesmo ritmo de descrédito e galhofa, poderemos ter sério desfecho num curto espaço de tempo.

As pessoas só acreditam em rebeliões, revoluções e convulsões sociais, quando elas acontecem. Foi assim em todas as revoluções que a história registra. São poucos os que percebem o alto risco de explosão social, no acúmulo de injustiças.

Uma sociedade, para ser justa, há de conceder direito e também cobrar dever. Não se tem como viver tranqüilamente, numa organização social em que algumas centenas de privilegiados cometem os maiores absurdos e se safam impunemente.Todos nós temos responsabilidades, diante do gravíssimo cenário que se desdobra. Faz-se necessário o resgate da ordem. É preciso que se dê o primeiro passo.

Márcio Accioly é Jornalista.

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