segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Onde está o partido do Brasil?

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Adriano Benayon

O que cresce são as transferências de recursos para o exterior, a deterioração da política, o arrasamento cultural e a manipulação ideológica. Ou seja: ao mesmo tempo em se agigantam os males socioeconômicos, vai minguando o entendimento de suas causas. Ora, diagnóstico errado significa campo para a doença agravar-se. Sintomático desse quadro é o “affaire” Ustra.

Criou-se uma indústria de indenizações milionárias em favor de pessoas que combateram os governos militares, e agora, configura-se a tendência a considerar inconstitucional a Lei da Anistia, para pôr no banco dos réus os acusados de autorizar e de praticar torturas, como se está fazendo na Argentina.

A reação a isso na grande maioria das Forças Armadas é fortalecer-lhes o espírito corporativo, de há muito nutrido por convicções como: 1) o movimento de 1964 teria salvo o Brasil do comunismo; 2) correntes de esquerda pegaram em armas, e a repressão fez parte de uma guerra; 3) os governos militares demonstraram competência muito superior aos dos da Nova República, comparando-se as taxas de crescimento do PIB.

De outra feita poder-se-ia discutir o que há de certo e de errado nessas idéias. No imediato, temos de nos preocupar com o fato de se estar radicalizando a questão “direita versus esquerda”. A quem interessa aprofundar os dissensos entre brasileiros, senão aos grupos hegemônicos mundiais que intensificam o saqueio das riquezas do País?

Em 1964, o resultado foi pôr a política econômica a serviço da consolidação do poder das transnacionais sobre o mercado brasileiro. Sob o comando de Roberto Campos, indicado a Castelo Branco pela oligarquia anglo-americana, foram inviabilizadas muitas das melhores empresas nacionais. Nova dizimação ocorreu de 1979 a 1983, sob Simonsen e Delfin Neto, com a crise da dívida administrada segundo os ditames dos “credores”.

Mas, apesar de a Fazenda, o Banco Central etc. nunca terem saído das mãos da oligarquia financeira mundial, os governos militares foram, na média, à exceção de 1964 a 1966, menos deletérios que os da Nova República, todos subordinados ao “serviço da dívida”, de resto privilegiado na Constituição, em 1988, por meio de estelionato, ou seja, de uma inserção contrabandeada para dentro do Texto.

Que quer dizer tudo isso? Que, depois de ter suscitado a mudança do regime e de ter transformado as estruturas, passando o controle dos meios de produção e do mercado às transnacionais, o sistema de poder oligárquico estrangeiro pôde ampliar, ainda mais profunda e rapidamente, sua máquina de sugação de recursos, a partir da reorganização política dos anos 80. Em outras palavras, o domínio exercido por esse sistema tornou-se maior sob a pseudodemocracia do que sob o regime militar.

De fato, as eleições dependem de recursos financeiros, mais concentrados que nunca, e dos meios de comunicação, tendo o cúmulo do poder totalitário sido atingido com a urna eletrônica e a supressão do voto impresso.

Muitos oficiais das FFAA equivocam-se ao pensar que o descalabro produzido de 1985 ao presente: 1) começou nesse ponto; 2) decorreu do sistema democrático (que não existe); 3) foi causado por políticos de esquerda.

Nem Sarney nem Collor, nem FHC ou Lula são de esquerda. Estes dois confirmam a definição de Karl Mannheim, de que ideologia é tese a serviço de interesses. Pertencem ao partido contrário à independência nacional - e que a considera impossível - de que falava Barbosa Lima Sobrinho. Não obstante, intelectuais ligados a serviços secretos estrangeiros, - bem como a maioria da oficialidade, que lhes dá crédito - dizem que Lula atua em função de uma estratégia gramcista, cujo objetivo seria implantar um regime socialista.

Isso não deve ser descartado, mas o mais provável é que o núcleo de poder petista tenha transformado o objetivo de locupletar-se em um fim em si mesmo. De resto, falta-lhes estofo para enfrentar os magnatas. Como quer que seja, o que está acontecendo é pior que um governo socialista, pois leva à liquidação da nacionalidade.

Esse processo, acelerado nos últimos 21 anos, tem de ser sustado, já que o País está sendo não apenas espoliado, mas descaracterizado, com a deliberada deformação cultural e de valores, a cargo do marketing transnacional, que está criando um povo de escravos.

Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma idéia para moralização da classe política e/ou quem ocupa cargo no governo (nos 3 níveis): declarar q não tem dinheiro no exterior - e abrir o
sigilo bancário no exterior.

Se houver esse dinheiro, automaticamente esse dinheiro volta pro Brasil!

Quero ver quem se habilita!

Anônimo disse...

O que estão todos esperando??? A notícia de que planejam a dissolvição do exército?