domingo, 25 de março de 2007

Eleições Americanas

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio C. Coimbra

A eleição presidencial americana começa a se desenhar. Os candidatos passam a se apresentar, abrir escritórios de sondagem, analisar suas chances, avaliar como se posicionam para receber doações de campanha, ou seja, o jogo já começa a tomar contornos. Certamente os republicanos saem em desvantagem, afinal de contas o partido comanda a Casa Branca há quase oito anos e os democratas vêm embalados pela bela vitória eleitoral de 2006.

Entretanto isso não é determinante em uma campanha eleitoral e pode ser revertido, dependendo de uma série de fatores. Candidatos que estão mais próximos da administração atual, em tese teriam mais dificuldade. Mas isto não quer dizer, do outro lado, que o mais radical dos democratas teria mais chances. É necessário analisar o cenário para escolher o melhor candidato.

Ao contrário do que muito pensam, não acredito que o conservadorismo tenha saído arranhado nas últimas eleições legislativas, tampouco penso que os democratas alcançaram maioria por mérito próprio ou pela oposição que exercem contra a administração atual. Na realidade, o resultado negativo das eleições legislativas para os republicanos foi resultado de seus próprios erros.

O típico eleitor conservador republicano não se sente a vontade com o atual governo. As razões passam longe da política referente ao Iraque ou Afeganistão. O voto deste eleitor foi exatamente o que faltou para os republicanos ganharem o parlamento novamente em 2006. Os democratas, ao contrário, não ganharam votos por sua oposição a guerra ou a administração Bush, ou seja, para ser mais explícito: eles não ganharam o apoio destes republicanos desiludidos. Estes simplesmente votaram por independentes ou não foram votar.

Assim, os democratas não devem se iludir pensando que suas políticas foram as preferidas pelos eleitores. Isto seria um erro estratégico terrível e o principal trunfo dos republicanos. É bom ter em mente a seguinte frase: A administração republicana perdeu, mas os democratas não ganharam. a política as coisas podem ser mais complexas do que parecem. Assim, se os republicanos surgirem com um candidato que desperte seu eleitorado adormecido, as chances dos democratas serão mínimas. O problema é que até agora este candidato não apareceu.

Para os democratas o jogo é um pouco mais fácil, porém dúbio, o que pode induzir a um erro fatal, como citei acima. Estes deveriam colocar o entusiasmo de lado e perceber a linha tênue que divide o sucesso e o fracasso nas próximas eleições presidenciais. Quanto mais ao centro os democratas se posicionarem, mais facilmente manterão seus votos e alcançarão os perdidos nas duas últimas presidenciais. Assim, um candidato com personalidade forte terá chance, mas terá que moderar seu discurso e chegar pelo caminho do meio, propondo uma agenda real, similar a estratégia de Clinton.

Para os republicanos o jogo é mais difícil, mas está longe de estar perdido. As chances de George Bush entregar o cargo a um companheiro de partido podem ser maiores do que se imagina. O candidato republicano deve buscar as raízes conservadoras do partido, como fez o atual presidente, mas ao contrário deste, deve se concentrar nos valores esquecidos por Bush, especialmente no tocante a economia e ao equilíbrio das contas públicas. Deve resgatar um pouco da sensatez de Reagan.

Os melhores candidatos, aqueles que transformariam a eleição americana em um embate memorável não se apresentaram. O melhor candidato do lado democrata é sem dúvida Al Gore. Derrotado por Bush em 2000, teria sua redenção, focando sua campanha no que poderia ter feito nestes oito anos. Vem embalado pelo Oscar e por sua popularidade global, que repercutiria fortemente na eleição. Seria o melhor nome dos democratas para ganhar a eleição. Fica a dúvida: disputaria as primárias com Hillary?

Do lado republicano, o nome se chama Colin Powell. Negro, militar, conservador na medida certa, liberal na dosagem exata, reconhecido e respeitado internacionalmente, moderado e, sobretudo, ponderado. É imbatível se concorrer. A notícia triste para os republicanos é que tudo indica que não concorrerá, por pressão da família, que não deseja.

Esta eleição tem nuances próprias. Sem os favoritos, será um deleite para os estrategistas. O menor erro em qualquer leitura pode ser fatal. Os primeiros movimentos já iniciaram.

Márcio Chalegre Coimbra. Analista político. Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Mestrando em Ação Política pela Universidad Francisco de Vitória e Universidad Rey Juan Carlos, em pesquisa para Fundación FAES (Partido Popular), em Madri, Espanha.

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