sábado, 5 de maio de 2007

Mais Cedo ou Mais Tarde

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Considerado o presidente mais entreguista e corrupto que o país já teve, muito embora a gestão Dom Luiz Inácio ainda possa bater tais itens (especialmente no que se refere à corrupção), FHC, quem diria (!), engoliu reprimenda do governador Aécio Neves (PSDB-MG), que pretende ser o próximo ocupante do Palácio do Planalto.

O fato aconteceu na cidade de Uberlândia (MG), por ocasião da abertura da Expozebu 2007. Ao comentar críticas (efetuadas por FHC), dirigidas ao fato de o PSDB estar se aproximando do presidente da República, Aécio observou:

O Brasil tem que superar algumas atitudes absolutamente retrógradas, que chamaria até de tupiniquins”.

Como se recorda, FHC costumava classificar de “neobobos” e “jurássicos” os que se recusavam a aceitar suas negociatas indecorosas e a entrega indiscriminada do país. Mas nada disse, ainda, a respeito do comentário do governador mineiro.

Sua ex-excelência deve ter saído bem lastreado do governo. Em recente assalto que sofreu na Espanha, perdeu uma mala com mais de 74 mil dólares em cheques de viagem, a se acreditar no que foi veiculado pelos meios de comunicação.

Interessante verificar que o assalto ocorreu dias depois de um filho seu (que ele nunca assumiu), tido com a jornalista Miriam Dutra (Rede Globo) ter sido também assaltado e ferido à faca, na cidade de Barcelona, no mesmo país.

O ex-presidente sabe de sua enorme rejeição (constatada em inúmeras pesquisas que o PSDB já mandou efetuar), mas nunca se emenda: está sempre aconselhando seu sucessor, como se não tivesse capitaneado uma das mais desastrosas gestões dessa pátria dominada por bandoleiros e corruptos em todos os setores.

O Brasil, em outra proporção, copia desastre que se avizinha na derrocada gerada por conta do aquecimento global. Com seus poderes desmoralizados (Executivo, Legislativo e Judiciário), aguarda de forma passiva a precipitação inevitável dos fatos, com o advento de algum incidente similar aos que registra a história.

É só atentar para o ensinamento de que a Primeira Guerra Mundial foi deflagrada com o assassinato, em Sarajevo, do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando e sua mulher, Sofia. Quem se lembra do pretexto para a Revolução de 30, culminando na instalação do “governo provisório” nacional que levou 15 anos?

Foi o assassinato de João Pessoa, numa sorveteria em Recife, motivado por rixa de natureza pessoal.

João Dantas desfechou três tiros no então presidente (era assim que se chamava à época) da Paraíba, por ter mandado arrombar um cofre onde mantinha guardada sua correspondência amorosa com a professora Anayde Beiriz, e a espalhado na rua.

Preso e morto na Casa de Detenção do Recife, João Dantas foi protagonista de crime passional que mobilizou a nação e terminou por efetuar profundas mudanças políticas com as quais não encontrava relação. A história sempre se repete.

Nos dias atuais, tudo indica que não chegamos ainda no fundo do poço. Mas os graves casos se acumulam visivelmente: na roubalheira, nos desencontros, na injustiça vergonhosa que usa máscara rota de hipocrisia e nas misérias de insensível País.

Engana-se quem optar pela crença no mito bondade e inocência do brasileiro, num País onde os assassinados são contados anualmente em centena de milhar.

Dia chegará, no qual atingiremos cota necessária, medida pelo padrão que a história exige. E, aí, bastará apenas um incidente, por menor importância que se calcule, para fazer esborralhar a podridão empilhada ao longo dos anos.

Márcio Accioly é Jornalista.

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