sábado, 18 de agosto de 2007

A Justiça tem os Olhos Vendados

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Ninguém entendeu o porquê de o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), ter afirmado num almoço no Itamaraty, na última quarta-feira (18), que o Senado poderia ter resolvido a crise com relação a Renan Calheiros “em uma semana”.

Sua excelência acrescentou que: “Podia ter resolvido, mas não resolveu. Parece que o Renan apresenta os documentos e a oposição não aceita”. Enquanto isso, em Maceió (AL), o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) tem outra opinião.

Depois de manifestar no início do processo seu desejo de absolvê-lo, Tuma disse na sexta-feira que a situação do presidente do Senado está “mais delicada”. E quer uma acareação entre o usineiro João Lyra e Tito Uchôa, este último apontado como laranja de Renan na compra de um grupo de comunicação em Alagoas.

Os meios de comunicação não cansam de informar que Renan Calheiros está ameaçando os senadores com revelações bombásticas, no caso de sua cabeça rolar numa possível votação secreta em plenário.

E que até mesmo Dom Luiz Inácio entraria na roda, com levantamento detalhado da atuação de seu filho, Fábio Inácio Lula da Silva, o Lulinha, alçado à condição de bem-sucedido empresário depois que o pai assumiu a Presidência da República.

A verdade é que a cena política nacional se encontra mergulhada num impasse de gravíssimas proporções. Não se encontrou maneira de afastar Renan Calheiros da Presidência e ele conta histórias e dita normas como se no melhor dos mundos.

Ainda bem que o senador Romeu Tuma foi investigar como seria de se esperar, depois de começo relutante em que passou atestado de inocência sem o menor respaldo ou cabimento. As instituições brasileiras estão todas desmontadas.

O corregedor do Senado deveria ter assumido esse mesmo comportamento no caso de um outro pedido de cassação. O do senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR), gerente-proprietário de emissora de TV em Roraima e que apresentou documentos falsos para se livrar de outros pedidos de cassação encaminhados ao Conselho de Ética.

O pedido que repousa numa gaveta qualquer daquele Conselho foi apresentado por este repórter no dia 26 de junho do ano passado. Depois disso, fui citado, processado, julgado e condenado pela Justiça roraimense, mas o processo contra o senador Filho nem se mexeu.

Contra o denunciante, moveu-se Estado cruel e implacável. A “justiça” foi célere como um raio. Tudo funcionou de maneira exemplar. Mas, até hoje, não se tem notícia de julgamento efetuado com base na denúncia da Folha de S. Paulo.

O jornal afirmou que Romero Jucá Filho efetuou empréstimo milionário junto ao Basa, Banco da Amazônia S/A, apresentando, como garantia, “sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas”. Em que mundo nós estamos?

Por conta de condenação criminal, tive os meus direitos políticos “suspensos”. E o pedido de cassação que encaminhei ao Conselho de Ética do Senado não deu um só passo. Parece ter congelado no tempo e no espaço reservado à impunidade absoluta.

O único acontecimento, depois de encaminhar ofício ao senador Renan Calheiros (em 07/05/07), foi o recebimento de telegrama, assinado por Martha Lyra Nascimento, Chefa de Gabinete da Presidência, informando ter sido aquele documento enviado à Secretaria-Geral da Mesa “para conhecimento e providências cabíveis”.

A flagrante injustiça, constatada na vida pública nacional, desperta inarredável sentimento de preocupação em função do descalabro que provoca e do descrédito gerado entre todas as camadas sociais. Vivemos na pior das expectativas.

Márcio Accioly é Jornalista.

3 comentários:

Paulo Figueiredo disse...

Prezado Marcio, quando se estabelece este grau de desconfiança para com a justiça,que experimentamos, se estabelece, também, o sentimento de morte da própria justiça. E, morrendo a justiça, não resta mais nada a não ser o caos e a barbárie; campos férteis para consecução de projetos dos mais abjetos, como o despotismo, o colonialismo e a servidão humana.

Lembrando de uma fábula bem contada, o grande escritor português, José Saramago, Premio Nobel de Literatura de 1998, em um dos seus “contos” onde o cenário é uma aldeia italiana da província de Florença, narra que lá os moradores, acostumados com os toques dos sinos da igreja principal, que anunciavam o alvorecer, o meio-dia, o crepúsculo, além dos toques fúnebres. Certo dia os sinos tocaram tão melancólicos que chamaram a atenção de todos os aldeões. E para a igreja todos afluíram em busca de explicações para toques tão tristes. Tiveram uma surpresa ao ver que o homem que acionava os sinos não era o sineiro regular, mas um camponês, que cansado de ser vítima dos desmandos dos poderosos do lugar, que além de usurparem suas terras, ainda corrompiam a justiça local, onde todas as decisões os favoreciam.
Então os demais aldeões o questionaram: - “Por que tocas o sino?”
- “Para anunciar a morte”. Respondeu o sineiro em exercício.
- “Mas, quem morreu?” Tornaram a perguntar.
– “A JUSTIÇA”: Disse o sineiro camponês.


Saramago dá noticia que o episódio é verdadeiro e ocorreu há cerca de 400 anos. Mas ainda atual, porque os toques tristes dos sinos do camponês de Florença ainda ressoam. E podem ser ouvidos aqui no Brasil, porque a justiça morre todos os dias.

E naquele belíssimo artigo, José Saramago continuou a falar da justiça:

“De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da justiça todos temos o direito de esperar: Justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado do que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo teria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida e o alimento do corpo”.

bastilha disse...

Extraído do JB online


TAM-

Overbooking - Os 8 minutos que faltam nas gravações do Airbus da TAM são essenciais
Postado por Marcelo Ambrosio
Um piloto e especialista em aviação, que tem me ajudado bastante a compreender detalhes importantes em torno do acidente com o Airbus da TAM, enviou-me um email no qual chama a atenção para o sumiço, na transcrição do CVR com as conversas no cockpit, de 22 minutos e 25 segundos de registros. A informação circulou no dia 8 e, num primeiro momento, tendi a compreender que a seleção dos trechos tinha sido feita pela Aeronáutica no sentido de exibir apenas aquilo que eram essencial à compreensão da mecânica do desastre - o brigadeiro Jorge Kersul aceitava apenas a divulgação dos 12 minutos finais. O problema é que, para esse especialista, chamado George Rocha, a parte que falta contém pontos essenciais à elucidação das causas do acidente. A questão é saber porque teriam sido suprimidas.

Normalmente, o gravador de voz (CVR) do A320 retém apenas os últimos 30 minutos de vôo. Guarda as conversas entre os pilotos, todos os sons na cabine, a comunicação via rádio, com terra e entre os tripulantes, os avisos dados aos passageiros - se o seletor no painel está aberto.

Acompanhem as contas de George Rocha:

"O início das transcrições às 18:18:24.4. O término das transcrições às 18:48:51.4 . Exatos 30 minutos e 27 segundos. Mas, às 18:20:39.3 ouve-se:

CAM-3 it is Congonhas? its great, so. she might have heard. thank you. (É Congonhas. Bom, ela deve ter escutado, referindo-se à entrada de uma comissária, provavelmente a chefe de cabine, comunicando que todos os passageiros estavam preparados para o pouso. Ela havia perguntado antes onde seria a aterrissagem, e recebido uma resposta ríspida de um dos pilotos).

Nesse ponto, a gravação salta para 18:43:04.3.

HOT-1 remeber, we only have on reverse. (comandante di Sacco: só temos um reverso)

Segundo George, há três hipóteses para o desaparecimento da transcrição. "Ou os investigadores deixaram de transcrever algo comprometedor, ou o "Circuit Braker" = Fusível do CVR foi desligado ou ainda apagaram as conversas naquele período.

"O cronômetro do CVR não pula horários, nem ao final de um período de gravação de 30 minutos o cronômetro é zerado e reiniciado, ou menos ainda 22 minutos e 25 segundos seriam esperados para reiniciar a gravação. Informou-se à imprensa que as transcrições no CD referiam-se aos 30 minutos da CVR, mas somente seriam entregue aos jornalistas os últimos 12.

Se for feito um retrocesso na linha do tempo da gravação da CVR, o horário cairá exatamente dentro dos 22 minutos e 25 segundos que estão faltando.

Do início das transcrições às 18:18:24.4 até 18:20:39.3 são exatos 2 minutos 14 segundos e 9 décimos de segundo. Do horário 18:43:04.3 até o final das transcrições às 18:48:51.4 são exatos 5 minutos:47 segundos e 1 décimo de segundo. O cálculo indica que são oito minutos e dois segundos e não os últimos 12 minutos anunciados e prometidos aos jornalistas".

Para o piloto, a exclusão desses oito minutos na transcrição impede o acesso a dados essenciais para a compreensão do que levou à tragédia. Por um dado que só quem comanda a aeronave percebe. Dentro desse prazo, até o pouso, comandante e primeiro-oficial são obrigados a executarem o chamado APPROACH check list, o check de pouso, no qual o primeiro item é o BRIEFING de aproximação: leitura de cartas de aproximação por instrumentos, ajustes de velocidades (exatamente o ponto no qual a sequência de eventos catastróficos começa), comentários sobre possíveis panes já existentes, combinação entre os pilotos da ação que deveria ser tomada em caso de EMERGÊNCIA, etc.. e o final do BRIEFING é exatamente quando um piloto lembra o outro que estão com apenas um reversor disponível.

bastilha disse...

Militância lulo-petista:

A essência do Mal, manifestado no seu estado o mais repelente possível.


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