domingo, 26 de agosto de 2007

A Última Chance

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Grande parte do país acompanha, com inusitado interesse, o julgamento do caso do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal – STF -. O assunto converge atenções, por restarem poucas saídas e alternativas dentro de cenário que desmorona em corrupção e desmandos aparentemente incontornáveis.

É como se o STF se apresentasse, hoje, como o único Poder capaz de apontar um caminho, numa sociedade desencantada com a impunidade e o desrespeito que se pretende impor como norma pelos poderosos.

Já bastam os juízes, desembargadores e ministros flagrados vendendo sentenças, sem que as penas da lei sejam aplicadas com o mesmo peso destinado aos que denunciam e se manifestam contrários à imoralidade e aos abusos.

Bastam também as instituições policiais corrompidas, com quadrilhas achacando cidadãs e cidadãos, sem providência exemplar por parte de Estado omisso e insensível. Em Pernambuco, por exemplo, constatam-se grupos de extermínio encastelados nessas instituições. Somente neste ano, os registros indicam mais de três mil assassinatos.

O Poder Legislativo, no seu corporativismo, abriga criminosos que agem com o maior cinismo, concorrendo para a perda de credibilidade indispensável no relacionamento entre os representantes e seus representados. A Câmara absolveu a maioria dos envolvidos no mensalão e o Senado tateia no affaire Renan Calheiros.

Com relação ao Poder Executivo, não há muito que esperar. O próprio presidente, Dom Luiz Inácio (PT-SP), cuja administração produziu 40 graúdos denunciados pelo procurador-geral da República, insiste na prática de não querer tomar conhecimento do que acontece, contrapondo-se a discurso político de suas campanhas.

Na quinta-feira (23), sua excelência afirmou que não vê o julgamento do STF “porque precisa trabalhar”. Será que não se inclui entre suas tarefas o dever de saber com quem anda? A obrigação de conhecer quem são aqueles que indica para as mais importantes funções da República?

Encabeçando a denúncia, encaminhada pelo procurador-geral, está nada mais nada menos que seu ex-ministro-chefe da Casa Civil Zé Dirceu. Deputado federal cassado pelo Câmara, acusado de chefiar quadrilha que se apropriou de bens do erário.

Em 2005 quando o “mensalão” se tornou público, Dom Luiz Inácio declarou “não saber de nada”. No programa Roda Viva (2006) ao ser questionado sobre o fato de ser sempre “surpreendido” pelas denúncias, o presidente da República disse o seguinte:

“-Nem um presidente, nem um pai de família tem como saber de tudo”. E comentou: “-Quantas vezes você está na cozinha, acontece algo na sala e você não fica sabendo?”

O julgamento no STF poderá marcar o início de uma nova etapa, dependendo dos desdobramentos. Mas é preciso que os acontecimentos alcancem maior celeridade. Há quem diga que a punição dos culpados, se houver punição, poderá demorar no mínimo uns dez anos.

E o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que se desfiliou da legenda, está procurando uma nova agremiação partidária, integrante da base aliada, pois pretende sair candidato a deputado federal por Goiás em 2008.

O que se percebe é que o Estado tem de dar resposta convincente aos cidadãos que o sustentam, punindo salafrários que incitam a desordem nos atos vis e criminosos onde sentam as bases de possível sedição. O tecido social está cheio de fissuras. Não se tem mais como favorecer infratores e exigir ordem e respeito dos que pagam impostos.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

A alegação do sr. Presidente em não poder acompanhar o julgamento no STF deve-se à necessidade de concentração do mesmo para a estafante tarefa de acompanhar o desempenho da seleção brasileira de futebol sub-17, fato que obrigou o nosso dinâmico mandatário a acordar às 05:00 horas da manhã no Hotel Bourbon em Curitiba. Cada questão nacional deve receber a prioridade que merece. Mais importante que os jogos da seleção sub-17 só os churrascos feitos pelo aloprado catarinense mor, sr. Lorenzetti!!!