quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O Medo Está Vencendo

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Com a derrocada do sistema aéreo brasileiro, impressa a ferro e fogo na explosão do Airbus da TAM em Congonhas (SP), o Brasil vai fechando ciclo de decomposição estrutural cujo suspeitoso e aguardado desfecho provoca intranqüilidade.

Já não se trata apenas de mera preocupação com descaminhos da administração petista, mas de vazio gritante. Incapaz de ser preenchido em elaborados truques de propaganda e publicidade. Isso vem se acumulando há vários “governos”.

Além de expor mazelas de administração federal ineficaz, o desastre aéreo trouxe à tona, mais uma vez, o drama de nossas estradas. Nelas, em número de mortes, o país pontifica mundialmente em lamentável primeiro lugar.

Nos muitos milhões de reais gastos no último ano eleitoral (2006), muito pouco ou quase nada sobrou que justificasse desperdício de recursos financeiros públicos sem licitação, favorecendo empresas “amigas” sempre solícitas em “colaborar”. As rodovias brasileiras, com raríssimas exceções, são caminhos de desastre.

Some-se a isso a falência do sistema educacional. E também os graves problemas na saúde, onde hospitais e prontos-socorros não dispõem de medicamentos para o atendimento de milhões de necessitados, com profissionais dessa área sendo explorados em turnos de trabalho escravizado. Perdidos e mal-pagos!

Há mais de uma década, mapas rodoviários adquiridos em bancas de jornal vêm com informações a respeito de zonas de conflito e localidades que se devem evitar. Em muitas regiões, como no alto sertão de Pernambuco, os ônibus só circulam em determinados horários com escolta policial.

É fato comum assaltar ônibus, que se desloque de uma a outra cidade nas longínquas regiões interioranas, levando estudantes universitários a cursos noturnos. Em muitos casos, veículos são alvejados e pessoas são assassinadas.

O caos aéreo que afeta o turismo na perda de divisas, tornando o espaço brasileiro excursão temerária, assemelha-se ao prejuízo incalculável para a economia no número de mortos e feridos que atinge proporção descomunal. Não existe segurança e nem esboço de plano conhecido que objetive reverter tal cenário.

Em Pernambuco, a página que contabiliza homicídios diários, atualizada sempre ao meio-dia (http://www.pebodycount.com.br/), registrava 1.016 mortes na última terça-feira (31), em contagem iniciada no último primeiro de maio. Mas nossas autoridades nada têm a declarar.

No Rio de Janeiro, onde página semelhante passou a ser postada no dia primeiro de fevereiro, três meses antes (http://www.riobodycount.com.br/), o registro indicava também, na terça-feira, 1.415 mortes e 889 feridos. A média de assassinatos diários na Cidade Maravilhosa é menor do que a observada em Pernambuco.

O que precisa acontecer para que se abram os olhos a tal calamidade? O Brasil é rico, mas seus vastos recursos são destinados a meia dúzia que de tudo se apropria e não dá nenhuma importância à miséria crescente.

Em Cuiabá, na terça-feira, ao efetuar discurso em solenidade, o presidente Dom Luiz Inácio reconheceu que no seu governo os empresários e banqueiros estão ganhando rios de dinheiro. Sua excelência reclamava das vaias recebidas.

Clique aqui http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM708649-7823-LULA+DIZ+QUE+PERIFERIA+BRASILEIRA+EMPOBRECEU,00.html e veja o vídeo. O problema é que o medo e o acirramento de diferenças estão dominando a sociedade brasileira. E essa história não parece caminhar para final feliz.

Márcio Accioly é Jornalista.

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