domingo, 2 de setembro de 2007

7 de setembro – a inda pendência

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Arlindo Alexandre

Nos idos de 1964, as comemorações do Dia da Pátria eram festas populares. Em trajes festivos e com bandeirinhas, em cada cidade, as famílias se colocavam ao longo do percurso do desfile aplaudindo com orgulho. Era um espetáculo que só perdia para o desfile de escolas de samba no Rio de Janeiro.

Desfilavam escolares com suas bandinhas, policiais, ex pracinhas, em pelotões numerosos, com o peito cheio de medalhas, que simbolizavam a defesa dos ideais democráticos, com o histórico ainda recente do sangue derramado nos campos da Itália. Depois vinham as fardas verdes do Exército Brasileiro que se destacou nos confrontos, da Marinha do Brasil, que teve navios afundados na costa brasileira por submarinos nazistas, em uniformes brancos e da Força Aérea Brasileira, a turma do “senta a pua” com uniformes azuis.

Uma festa para os olhos e para a auto estima nacional. Nossa defesa estava ali, a carreira ou o engajamento obrigatório nas Forças Armadas, tinha um profundo aval de credibilidade para a formação moral e cívica, dos direitos e deveres ou seja da responsabilidade pessoal para com a pátria, o território, a preservação das riquezas e da soberania, defesa provada na Itália dos princípios e valores democráticos.

7 de Setembro, era uma data profundamente significativa. Nós brasileiros estávamos ali, naquele desfile os avós, os pais, os tios, os filhos de ricos e pobres confirmando para os brasileiros que aplaudiam que éramos todos trabalhadores que davam um boi para entrar numa briga e uma boiada para não sair da briga sem vitória. Confiávamos nas Forças Armadas, integradas por pessoas de bem, que saberiam defender todos quantos trabalhavam na construção de um país que merecesse o respeito de todas as outras nações.

A historia recente, depois da primeira guerra mundial, quando os comunistas tomaram o poder na Rússia, era bem conhecida nas escolas.

No começo dos anos 1920, éramos ainda um País refém da economia cafeeira. A indústria era minimamente representativa na economia. Os fazendeiros de Minas e São Paulo mandavam na política e a situação do Exército era calamitosa: faltavam cavalos para a tropa, medicamentos e condições de instrução. Inda por cima tinham colocado no Ministério da Guerra um civil, Pandiá Calógeras, um carinha que conservou os soldos baixos sem esperança de aumento. Os Tenentes estavam de tanga e tinham de esperar até dez anos para serem promovidos a Capitão. Entendiam que algo devia mudar na condução política da nação. Queriam um novo governo com idéias modernas para salvar o país da pobreza, mas não sabiam como fazer.

Nacionalismo, voto secreto, poder judiciário independente do executivo, um estado forte que livrasse a nação do atraso que a economia do café impunha. Foi crescendo a idéia de que o Exército e a Marinha tinham o dever de agir para reorganizar a nação ameaçada por políticos corruptos e ineficazes. Os Tenentes começaram a promover insurreições e daí surgiu a famosa Coluna Prestes, sem nada de comunismo. E o exílio. E as brigas na Europa onde Prestes virou a casaca e foi para a Rússia.

Os Tenentes que haviam ficado na Europa ocidental, voltaram ao Brasil com novas idéias. quartéis. Apoiados pelos civis, os militares promoveram a queda do governo e o início da ditadura Vargas com a Revolução de 1930. O Pais seria reformado daí por diante preparando-se para a industrialização.

Internamente, os brasileiros tinham a segurança de que as Forças Armadas agiriam contra qualquer ameaça. Em várias ocasiões, a interferência dos militares colocou ordem na casa de modo competente e em defesa de princípios e valores prezados universalmente.

Em “Os Sertões” Euclides da Cunha, mostra como todas as raças que não fossem brancas eram consideradas inferiores e entendia-se também que era necessária a união dos brasileiros para formar uma grande nação. E a veemente recusa cultural dos brasileiros às idéias dos comunistas que começavam a aparecer no cenário político nacional, querendo tomar o poder.

Mais uma vez, a interferência militar, num momento significativo, abafou a insurreição promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em novembro de 1935. Os comunistas tomaram o poder na Rússia em 1918. Luis Carlos Prestes, depois da insurreição tenentista, foi para a Europa, abandonou os companheiros e viajou para a Rússia. Voltou em 1934, com as ordens para tomar o poder no Brasil.

Em Março de 1935, foi criada no Rio de Janeiro a Aliança Nacional Libertadora, “constituída de ex-tenentes, de comunistas, de socialistas, de líderes sindicais e de liberais excluídos do poder”. Prestes foi convidado para ser o presidente de honra. Os comunistas começaram a fazer tanta baderna, tanta briga de rua, pregando a renúncia de Getúlio, que o governo baixou um decreto colocando o partido deles na ilegalidade. Foi então que eles mostraram o ódio e frieza, preparando um levante que envolvia os militares comunistas amigos de Prestes que ainda estavam nos quartéis. Do levante partiriam para uma greve geral e para a revolução que tomaria o poder.

Na Praça General Tibúrcio, Praia Vermelha, Rio de Janeiro, existe um monumento no local onde havia o quartel do 3o. Regimento de Infantaria. Ali os comunistas que intentavam tomar o poder mataram 28 militares, alguns executados enquanto dormiam. E a memória de que o Brasil contou mais uma vez com a lealdade das Forças Armadas.

“Os rebeldes foram encurralados pelas artilharias do Exército e da Marinha e dominados rapidamente. A rebelião foi derrotada no mesmo dia em que começou devido à falta de organização.”

Prestes foi processado, julgado, condenado e foi pra cadeia onde ficou até 1945, fim da Primeira Guerra Mundial. Quando os pracinhas desfilaram orgulhosos no 7 de Setembro, aplaudidos como heróis, o mundo estava dividido. Eisenhower, Churchil, De Gaule e Stalin haviam negociado e traçado no mapa europeu as áreas de influencia definindo fronteiras físicas entre o capitalismo e o comunismo. Começava a guerra fria entre que se perpetuou até a queda do Muro de Berlim quando a barbárie comunista e o fracasso da economia marxista. A matança e extermínio de etnias promovidas por Stalin e seus seguidores superou o extermínio de Hitler contra os judeus.

Mas esta parte da história é desconhecida até hoje no Brasil... onde eles se reorganizaram, tentaram mais uma vez e fracassaram com a intervenção das Forças Armadas. Poucos sabem como era o Brasil em 1964 e como foi entregue aos civis vinte anos depois, com uma Lei que anistiava a todos os envolvidos na guerra de guerrilhas que tentava preservar os intentos de hegemonia comunista contra a tradição democrática defendida tradicionalmente pelos militares brasileiros em nome da ordem e progresso inscrita no pavilhão nacional. Anistiados, eles voltaram e hoje vivemos um Brasil diferente...

Onde o governo contrata uma empresa privada para preparar o 7 de Setembro na capital, porque o Exército está sem dinheiro até para o rancho, os soldos estão baixos até para os Generais e o Ministro da Defesa é um senhor que confessou ter alterado ilegalmente o texto da Constituição vigente... Um país onde os governantes são membros do partido que intenta instalar uma ditadura totalitária e acabar de vez com as liberdades que ainda restam... Fato que parece conto da carochinha.

Fato comprovado pela violência cotidiana, pela exacerbação dos valores materiais, pela anomia cultural e de conhecimento histórico, pela mentira repetida até tornar-se parecida com verdade, pelo esquecimento de que os militares implantaram durante sua última intervenção política toda a infraestrutura – estradas, comunicações, eletricidade, saúde, segurança, liberdades democráticas, orgulho cultural – que os atuais ocupantes dos postos de poder desmontaram, preparando o caos e desespero que lhes permite atuar como benfeitores dos pobres e sócios majoritários dos ricos, cada vez mais ricos.

Neste 7 de Setembro, comemoramos o desejo de um país livre da violência, um país inda pendente dos horrores totalitários.

Arlindo Alexandre é Apicultor.

4 comentários:

Anônimo disse...

Arlindo,
Excelente artigo...a populacao atual em geral nao sabe de que o Brasil se viu livre em 1964.

Anônimo disse...

Bem reconhecido! Toda a infraestrutura que está aí (inclusive sem manutenção, diga-se) foi deixada pelos militares em 20 anos de governo e sem auto-louvação. Até os programas sociais mais significativos como PIS/PASEP, FINSOCIAL, FGTS, FERIAS DE 30ds p.ex., foram deixados pelos milicos. De lá para ca (22 anos) não teve uma obra infraestrutural de vulto e o único programa social criado foi eleitoreiro e esmoler. E esse tempo todo só deu eshquerda no poder. Sem falar na bandidagem que não tinha vez. Eh povo esquecido!

Mr.White disse...

Os comunistas conquistaram pelo voto democrático o que não conseguiram pelas armas (guerrilha,seqüestro, atentados)durante mais de 20 anos. Agora eles têm a "faca e o queijo" na mão. O perigo permanece, segundo um jornalista do sul, que alerta para a revolução silenciosa, em processo de desenvolvimento, só não se sabe se o golpe será branco (desfechado pelo governo), ou de fora para dentro). Concordo integralmente com a opinião do Sr.ARLINDO ALEXANDRE.

Anônimo disse...

Sr. Arlindo,

Aproveitando os seus conhecimentos sobre apicultura, vamos conseguir um enxame de abelhas africanas (famintas) e largar no próximo encontro petista.