domingo, 23 de setembro de 2007

As máscaras do poder

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Arlindo Montenegro

Primeiro vamos combinar que há uma minoria das pessoas que detêm poderes diferenciados, oriundos de várias fontes. E uma maioria, que é o grupo dos submissos. No alvorecer da existência, a fonte de poder do homem era sua força física e a massa encefálica pouco diferenciada ainda dos outros animais. Até hoje ainda existem exemplares daqueles ancestrais espalhados nas diversas camadas da sociedade.

No alvorecer da democracia, nas antigas cidades gregas, para superar os conflitos e dificuldades sociais, utilizava-se a concentração de poder. O mesmo acontecia na Roma antiga onde nasceu a prática da ditadura: os Senadores escolhiam um cidadão acima de todas as suspeitas que governava absoluto por um tempo pré estabelecido, suficiente para arrumar a bagunça. Mais ou menos que nem aconteceu aqui em 1964, com algumas variantes modernas.

Em nosso continente todos os países conheceram governantes autoritários, ditadores civis e militares por algum tempo. Alguns com tendências nazi fascistas, mergulharam seus países na pobreza e no atraso. Outros utilizaram o tempo para implantar estruturas econômicas e ordenar as leis, garantindo a propriedade privada e as liberdades.

Foi Sólon, na Grécia Antiga, quem inaugurou o caminho contrário à concentração de poder do Estado, instituindo a descentralização. Uma lição primordial para os defensores da instituição democrática que parece esquecida em nossas escolas: Sólon ensinava que na democracia os cidadãos tinham um só mestre a obedecer – A Lei. Que a liberdade individual era a coluna mestra da construção democrática.

Naquele tempo Atenas era dominada por uma aristocracia hereditária - tipo os velhos coronéis nordestinos, que possuíam as melhores terras e monopolizavam o poder - que se baseava no critério da riqueza. A maioria das pessoas era privada de direitos, servia e se tornava devedora dos aristocratas. Por vezes tinham de hipotecar seus bens para pagar dívidas ou eram escravizados, que nem se noticia de algumas fazendas de corte de cana, ou atividades predatórias como a carvoaria do Norte deste país.

Foi aí que Sólon assumiu o poder absoluto (594 a. C.), anistiou as dívidas, proibiu a escravidão por dívida, mandou libertar os pequenos proprietários que se encontravam escravizados. Depois fez uma reforma agrária, reforma política, deu direito de voto aos trabalhadores livres, promulgou uma legislação especial sobre o uso de águas de fontes públicas. Fez mais, regulamentou o exercício do poder nas diversas categorias sociais e quebrou o monopólio dos aristocratas sobre os cargos de alta magistratura.

Sólon dirigia suas ações para o bem comum, preservando a religião e a moral, o respeito a cada homem e a lealdade para com o Estado. Criminalizava e bania quem ficava em cima do muro e agia com indiferença diante de questões de interesse da cidadania. O bem comum estava acima de tudo e aquele que priorizava os interesses pessoais, abstendo-se de tomar partido nas disputas que ameaçavam a pátria, era banido mesmo, pois era dever de todos correr os mesmos perigos, em vez de ficar em cima do muro aguardando as ordens dos vencedores da disputa, ou seja da guerra civil.

Segundo Galbraith, em The Anatomy of Power, 1983, o poder deriva de três fontes: personalidade, propriedade e organização.

Foi John Acton, historiador católico e autor de “The History of Freedom”, quem cunhou o ditado: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". E depois o francês
Bertrand de Jouvenel, em “Du Pouvoir” grafou que “um poder maior e central, para se afirmar, destrói poderes intermediários com a ajuda de uma massa de insatisfeitos que nem de longe imaginam a quem servem”.

As semelhanças com o que vivemos hoje são flagrantes. Indicam que forma de poder totalitário intentam construir, por aqui; indicam como os poderosos do dia utilizam todos os instrumentos de destruição da cultura, dos valores e dos pilares de sustentação democrática: propriedade, liberdade de opinião, educação, direito à saúde e segurança... desmantele-se!

Concentração de poder: na economia, na produção extensiva de lavouras para produzir combustíveis, na invasão da privacidade, no controle de comunicações e na formação da juventude, que agora na adolescência, através de um texto distribuído aos 750 mil alunos da rede pública - "Nova História Crítica, 8ª série – aprende que Mao Tse-tung foi um herói, "um grande estadista" que aprovava e praticava "ficar", pois "amou várias mulheres e foi por elas correspondido". Só para os chineses anticomunistas ele "não passou de um ditador".

Ou seja, Fidel Castro, idem. Stalin, também. Julião, Lamarca, Marighella, todos heróis e todos, coincidentemente deixaram de lado as famílias e os filhos e “ficaram” com outras mulheres. E todos a serviço do socialismo...

Já a propriedade é tratada no texto escolar como um mal em si: as "terras, minas e empresas" devem pertencer à coletividade. Ou seja concentração do poder que conduz à ditadura totalitária, combatida desde a antiga Grécia, berço da democracia, onde se ensinava que o poder da propriedade devia estar em mãos de particulares, garantia contra os abusos do Estado.

Muito mais agora, quando a força de trabalho é – salvo algumas exceções – universalmente compensada. Se o poder de compensar o trabalho é exclusivo do Estado sem concorrentes, a produção e a qualidade, tanto quanto a motivação dos trabalhadores vão para o buraco, como aconteceu na URSS, como acontece em Cuba ou como acontece com a qualidade dos produtos chineses. É só visitar as lojas de $ 1.99. Sem concorrência!

É urgente mobilizar a consciência social para uma reação veemente! É urgente mobilizar pais, professores, igrejas, para dar atenção prioritária aos venenos ideológicos que estão impingindo aos nossos adolescentes e exigir a correção desta distorção. Ou ficamos de braços cruzados e assistimos este poder mascarado de bonzinho, populista, simpático para alguns, arrastar este País para o terceiromundismo retrógrado, dominado pelos aristocratas do mundo moderno.

No princípio o poder estava dado pela força pessoal. Mas o homem aprendeu a somar forças para obter melhores resultados. Somou a força animal, aproveitou a força das águas e do vento. As mudanças foram ganhando complexidade.

O poder autoritário gerando guerras e destruição e hoje o domínio dos espaços onde ainda sobram recursos minerais. Espalham-se por todas as cidades os focos de delinqüência e guetos de drogados cada vez mais populosos, seres sem vontade própria, sem as faculdades auto críticas. Os mais perigosos usam gravata e ternos feitos sob medida. Podem roubar à vontade. Mas não roubam para comer. Roubam para concentrar mais poder, à custa do trabalho e do sofrimento de toda uma nação.

Arlindo Montenegro é Apicultor. Referências: Foustel de Coulanges, A Cidade Antiga; Sólon, Fragmentos; Galbraith, Anatomy of Power; Bertrand de Jouvenel, “Du Pouvoir” Éditions Hachette, 1998. Notas e comentários da imprensa cotidiana, tardiamente contrária ao governo autoritário que vivemos, antecâmara da ditadura popular que se ensaia.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eles roubam vidas, centenas, milhares, milhões de vidas diariamente... enquanto esta alienção existir, a situação será esta. É dificil ter senso crítico em massa num país que discute o final de uma novela, daquilo que uma besta televisiva usa, etc. Nesse país é cada um por si e Deus por todos, infelizente.

BRAGA disse...

Prezado anônimo. Boa noite.
A frase final ficaria melhor assim:
Nesse país é cada um por si e o Diabo para os outros, infelizmente.
É o Brasil do TER em vez do SER!
Braga