domingo, 16 de setembro de 2007

Bebel dá para o Senado

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

O falso moralismo é a contravenção da moral. A subdesenvolvida cultura política brasileira adora praticar tanto um quanto outra. É mais um problema crônico de uma sociedade inventada por um Estado autoritário e corrupto. Este vício de origem complica a sobrevida da Nação. Aqui vigora a máxima do Marquês de Marica (1773-1848): “A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral”.

A sociedade é cúmplice dos erros. O caso Renan foi apenas mais um para ilustrar a falência múltipla de nossas instituições republicanas. Nas ameaças e bravatas que proferiu nos seus 36 minutos de discurso na vergonhosa sessão (quase nada) secreta, o excelentíssimo alagoano foi no alvo da questão. Renan comentou que lá não havia ninguém melhor ou pior que ele. Todos eram iguais. Como ninguém se manifestou contrariamente, o inocente Renan deve estar certíssimo.

Afinal, nem ele nem ninguém é filho de chocadeira. Nossos políticos refletem perfeitamente a nossa sociedade. Nossos banqueiros, também. Não dá para tapar o sol com a peneira. Santo só existe no céu,. Assim mesmo dependendo da religião. Da mesma forma, nem todos os políticos são completos demônios. São gente de carne e osso. Funcionam conforme seus centros: motor, emocional ou intelectual. Igualzinho a qualquer mortal brasileiro ou do resto do mundo.

Portanto, foi absolutamente “normal” e previsível que aconteceu no Senado, no dia 12 de setembro (data da explosão simbólica de nossas torres gêmeas do Congresso Nacional). Se Renan fosse punido, aí teríamos uma novidade. Aí, sim, nossos políticos estariam cometendo uma traição. Contra a falta de princípios deles mesmos. Que é a mesma da maioria da nossa sociedade. Afirmar o contrário disto é hipocrisia.

O brasileiro não cultiva o método de usar mecanismos e conceitos para analisar sua realidade. Principalmente nossos círculos pseudo-intelectuais preferem o comodismo das idéias fora do lugar que distorcem a explicação real dos fatos objetivos. Por aqui, adoramos lutar contra o óbvio ululante. Chegamos sempre a conclusões erradas. E nunca cansamos de repetir velhos erros – por pura falta de avaliação histórica e por empregarmos conceitos equivocados para explicar o Brasil.

A Nação paga um preço caro por tamanha ignorância, preguiça mental ou sacanagem dolosa. Um dos mais graves erros é a ilusão de que existe democracia por aqui. Até o nosso herói Renan Calheiros finge que acredita. Tanto que citou a “democracia” vigente no Congresso como razão de sua salvação. Outro gênio de nossa raça, o presidente Lula da Silva, sempre repete esta mesma cascata.

Em Madri, neste sábado, o Apedeuta produziu mais uma pérola. Avaliou que a votação do Congresso que absolveu Renan"não foi impunidade". Lula da Silva comentou que a votação no Senado demonstrou que "depois do (ex-presidente Fernando) Collor, o Brasil tem instituições sólidas para julgar". Lula advertiu também que não teme que sua imagem fique prejudicada por qualquer acusação de apoio pessoal ou do governo ao senador. Lula batraqueou: “O povo me conhece bem. Se tem alguém que me conhece no Brasil é o povo brasileiro. O que foi publicado na imprensa como verdade, vai ser visto como verdade. O que for mentira também. Haverá o dia em que as coisas vão ficar claras para todo mundo”.

Muita gente boa, que se diz esclarecida, também age, mentalmente, igual a nossos dois paradigmas nacionais da política. Somos ignorantes ou cínicos? Difícil responder. O certo é que não temos democracia no Brasil. Democracia é prática da Segurança do Direito, através do exercício da razão pública, que é a cidadania em ação. Este é o conceito pós-moderno de Democracia. Nunca tivemos isto por aqui em 507 anos. Em nenhuma época. O que fazer com quem afirma o contrário? Internar em um hospício não vale. Já somos pacientes compulsórios de um grande manicômio institucional. Cada louco com sua sentença de vida.

A loucura é tanta que havia gente esperando alguma coisa boa dos senadores no caso Renan. Como diria o lendário Aparício Torelly, o nobre e imortal Barão de Itararé, “donde menos se espera é que não vem nada mesmo”. A opinião pública e a publicada falam em “traição”. Sorry, periferia. Mas não houve traição na farsa da absolvição do distinto alagoano que se considera igual a todo mundo lá nos podres poderes da Ilha da Fantasia cercada de políticos honestos por todos os lados.

Os 40 senadores e os seis covardes foram absolutamente fiéis e coerentes com o modo de vida política que levam, acreditam e preservam a todo custo. Neste rolo todo, traída mesmo, só a Verônica. Mas ela encarou tudo numa boa, como fiel mulher de político que é. E, mês que vem, ainda teremos de ver, nas páginas da Playboy, tudo aquilo que o Renan e muito político de Brasília confidencia que já viu. A revistinha da Mônica vai vender muito. E o Cebolinha tem tudo para ficar impune. Afinal, quem é aliado do Cascão do Palácio do Planalto fica imune às sujeiras da República. O triste é que tem gente que gosta desta história pornográfica em quadrinhos. Fazer o quê, né?

Se o leitor cansou da ficção pornopolítica, então vamos dar uma analisada na realidade de uma famosa novela do nosso Paraíso Tropical cheio de sete pecados. A culpa não é da mídia manipuladora. A Globo e suas irmãs siamesas só nos iludem porque somos uma nação de loucos e ignorantes. Nós nos deixamos manipular. Por isso, depositamos toda nossa preocupação com o resultado da novela das oito. Como repórter político – consciente da alienação mental nossa de cada dia -, tenho o dever cívico de abordar a injustiça ficcional que vão cometer com a Bebel.

A personagem é mais real que o rei que está nu. Mas é a amante dele vira capa bem remunerada de revista. Eis a vida como ela é, meu caro Almirante Nelson Rodrigues, que deu sorte de não estar viro na terra do Genérico Nelson Jobim – que agora dá a entender que os baianos são vagabundos e não gostam muito de trabalhar. Jobim declarou, literalmente, em solenidade da Organização Marítima Internacional, na sexta-feira passada: "Não trabalhem demais, porque isso baiano não gosta". Os baianos estão putos da vida com ela. Mas nada se pode fazer contra quem faz política com o intestino. A não ser apertar a descarga deles, no momento oportuno. O duro é pagar a altíssima taxa de esgoto que o corrupto e perdulário Estado nos cobra...

Voltando a Bebel - nossa mulher objeto de análise e do desejo oculto de muita gente. Que catiguria... (como ela bem diz). A distinta profissional do sexo é uma bela e gostosa imagem da patifaria nacional. Tanto que acabou endeusada pela opinião pública. A maioria não deseja que nada de mal lhe aconteça à bandida (promovida à mocinha) até o final da novela. Azar da torcida é que o caboclo do falso moralismo baixa em nossos autores de novela. Já que na realidade nacional impera a impunidade, na ficção os escritores sentenciam os vilãos e vilãs a penas capitais. Que pecado! O povo não aceita, mas se conforma.

Os sites e revistinhas de fofoca televisiva adiantam que a ilustre garota de programa vai pagar com a vida pelas sacanagens que aprontou. O empresário Antenor (que daria um ótimo presidente da nossa República ou seria um banqueiro de primeira catiguria) detona Bebel. Ele a denuncia quando descobre que o bebê que a gostosona espera não é dele. Mas sim do seu sobrinho Olavo (que daria um fantástico Ministro da Fazenda). Talvez, na presidência de um grande clube de futebol brasileiro, também brilhasse com louvor. Na verdade, Olavo tem mais perfil de deputado. Tem catiguria...

Antenor bota a puliça atrás de Bebel. Na ficção – ao contrário do que reclama Cabralzinho – não faltam bons policiais para proteger o povo no paraíso Tropical da novela ambientada no pacato Rio de Janeiro de Cesar Maia – que agora tenta defender pedofilia política com o casal Garotinho. Assim, o DEM acaba rebaixado de catiguria. Como é dura a realidade, retomemos a ficção. Sem demora, a eficiente repressão policial recai sobre a prostituta. Bebel tenta fugir. Mas acaba traída pelo salto alto. Tropeça, leva um tombo e acaba perdendo o bebê. Não bastasse a desgraça, ainda querem matar Bebel, por complicações no aborto.

O final é indecente e injusto. A famosa prostituta mereceria um destino melhor. Um futuro mais condizente com sua importante função pública. Alguém com a catiguria de Bebel (se) daria muito bem na vida pública – confundida, no Brasil, com a “vida fácil” das quengas. No Senado, depois do que fizeram com Renan, Bebel daria um show de bola. A única dificuldade é que Bebel não gosta de trabalhar em bordel. Prefere o trabalho free lancer de vagabunda. De preferência, coordenado pelo cafetão Jader (que tem até nome de um famoso e honesto político brasileiro, da base aliada do atual desgoverno).

Enfim, vamos parar com falso moralismo. Vamos salvar Bebel agora. E premiá-la, em 2010. Sem dúvida. Bebel dá para o Senado. Com ela, nossa política será a mesma. Bebel daria continuidade a tudo de bom que está sendo feito, atualmente, pela nossa classe política sem classe. Não tem erro. Afinal, como diria o imortal Pedro de Lara, "Corrigir o incorrigível é buscar o impossível". E vida que segue... Com toda catiguria...

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

8 comentários:

Anônimo disse...

Serrão

quem é o
Sócio escondido?

A Brasil Ecodiesel está reduzindo participação do sócio oculto em sua estrutura de controle.

O fundo Eco Green LLC, que tem origem em empresa estrangeira registrada em paraíso fiscal, reduziu a quantidade de ações que possui ligadas ao acordo de acionistas e não mais indicará membros do conselho de administração.

Há poucos dias, a CVM tornou obrigatório que todas as empresas divulguem a lista de seus acionistas com mais de 5% do capital total ou de alguma espécie de ação, até o nível da pessoa física.

Anônimo disse...

Jorge Serrão,


Seu desabafo indignado reflete exatamente o que todo brasileiro com um mínimo de noção está sentindo!

Penso que a Bebel, o Beira-Mar, o Marcola, a Mary Corner, o Oscar Maroni, enfim..., esses e tantos outros exemplos maravilhosos de vida, deveriam, sim, ir para o Senado, só que para melhorar seus currículos profissionais, fazendo cursos de aperfeiçoamento com nossos senadores!!!

Anônimo disse...

Jorje,

Se Bebel dá para o senado, Mônica dá para o senador.

Alerta Total disse...

Grande Bastilha, logo o nome do sócio escondido virá à tona. A criação desta empresa para explorar o mega-negócio do álcool no Brasil é uma caixa preta que começa a se abrir. Vamos aguardar...

Anônimo disse...

Quando josé sarnei convocou uma constituinte congressual sá podia dar no que deu, ou alguém tem dúvida?

Anônimo disse...

NOTA DE FALECIMENTO +

ACABA DE FALECER A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, BRUTALMENTE ASSASSINADA POR 40 SENADORES FORTEMENTE ARMADOS PELO PELO VOTO SECRETO, ATINGIDA MORTALMENTE PELA ABSOLVIÇÃO DO SENADOR RENAN CALHEIROS.

DADO O ELEVADO ESTADO DE DECOMPOSIÇÃO, O CADÁVER FOI IMEDIATAMENTE SEPULTADO, EVITANDO-SE O RISCO DE CONTAMINAÇÃO DOS CIDADÃOS DECENTES DO PAÍS.

A REPÚBLICA RESISTIU BRAVAMENTE ATÉ ONTEM, QUANDO A MORTE FOI PRÉ-ANUNCIADA PELO "ALI BABÁ", CHEFE DA REPÚBLICA QUANDO, EM REDE NACIONAL, RECOMENDOU QUE O RESULTADO DA CIRURGIA QUE ESTAVA SENDO PREPARADA PELOS 40 ASSASSINOS FOSSE ACEITO PELOS BRASILEIROS COMO RESULTADO DO ESTADO DEMOCRÁTICO EM QUE VIVEMOS.



REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

(* 15/11/1889 + 12/09/2007)

J. Sepúlveda disse...

A afirmação de Lula em Madrid é muito cínica: a absolvição de Renan não foi impunidade e o Brasil tem instituições que precisam ser respeitadas. É curioso que quando seus "companheiros" foram para o banco dos réus não foi isso que seu ouviu, mas pelo contrário um apelo inflamado à solidariedade aos quadrilheiros.

Gisa disse...

Passeata dia 29/09 às 15 hrs.
Organizada pela Comunidade Orkut Grande Vaia Movimento pela Democracia. Acontecerá simultaneamente em diversas cidades do Brasil.
Não podemos mais deixar essa podridão Petista instalada no Poder no nosso País.
Acordemos antes que seja tarde demais e transformem isso aqui em Cuba ou Venezuela.
Basta, chega.
Comunidade Orkut Fora Lula