quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Inocentes e Pecadores

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), coitado, vive completamente iludido. Não faz muito tempo, sua excelência afirmou que, no item “saúde”, o país estaria chegando perto da perfeição. Aí, veio uma crise para arrebentar, em diversos estados da Região Nordeste e o castelo de cartas foi por água abaixo.

Em Pernambuco, onde grupos de extermínio mantêm a média de 13 assassinatos por dia, os hospitais vivem lotados e a população, de forma geral, à míngua e sem ter a quem apelar.

Transferiram-se pacientes para cidades do Interior e estados vizinhos, mas as condições nas outras unidades federativas não são melhores se comparadas. O país se encontra em guerra civil, com alta taxa de desemprego e seus representantes políticos desmoralizados. O caldo de cultura para uma explosão social está fermentando.

Em entrevista ao jornal The New York Times, no último domingo (23), o presidente declarou não acreditar que o ex-ministro Zé Dirceu (Casa Civil) seja culpado de alguma coisa na denúncia a que responde criminalmente no STF (envolvimento com o mensalão).

Há quem tenha feito cara feia, ao julgamento precipitado do presidente da República. Certamente, ele o fez por absoluta ingenuidade. Como também não acreditou no esquema de corrupção armado dentro do PT, e denunciado pelo então tesoureiro, Paulo de Tarso Venceslau, à época em que presidia nacionalmente a legenda.

Tratava-se de ardil engenhoso de caixa dois dentro da Cpem – Consultoria para Empresas e Municípios, cujo representante era o advogado Roberto Teixeira, compadre de Dom Luiz Inácio. A roubalheira teve início na prefeitura de São José dos Campos, quando Ângela Guadagnin era prefeita.

Na ocasião, o hoje presidente da República tomou providência surpreendente: apoiou a expulsão do economista Paulo de Tarso das fileiras da legenda, empurrando as dificuldades surgidas com a denúncia para debaixo do tapete.

Na Presidência do país, sua excelência cresce na aprovação dos seus súditos com a distribuição de bolsas-esmola. Elas rendem altos índices de aprovação à sua gestão. Se pudesse disputar um terceiro mandato, sem nenhuma dúvida sairia vencedor. É só se mirar na prática política de vizinhos, como Fujimori no Peru.

A distribuição de dinheiro, em programas classificados de “sociais”, garante o voto permanente de setores há séculos excluídos, identificados com mandatário que entendem ser “igual” na origem. A massa tem alternativa?

Os índices educacionais, ou de geração de emprego e desenvolvimento em nada serão alterados, mas o auxílio pecuniário, mesmo mínimo, alivia imediatas demandas.

A grande questão nacional parece ser o descrédito a que se vê submetida a chamada classe política. Todos têm seus pecados, lenientes e graves, situando o país em posição de constrangimento mundial. Estamos, afinal, em 72º lugar no índice classificatório da corrupção. Quanto mais embaixo, mais desmoralizado.

Mas a oposição não inspira credibilidade e é aí onde reside o perigo. Quando tudo é permitido, mergulha-se no caos. Basta verificar o que foi a gestão FHC (1995-2003), quando o país foi desmontado e entregue na bacia das almas.

A mistura comprometedora, que torna pardos todos os gatos da política nacional, vai ficando a cada dia mais difícil de ser digerida pela população que financia os ingredientes e se sente lesada no efeito. Quando a decomposição atingir nível de completa perda do senso moral, não vai ter quem segure a eclosão.

Márcio Accioly é Jornalista.

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