segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nada a Acrescentar

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Nos Estados Unidos, o senador Larry Craig (Idaho), foi pressionado pelo seu próprio partido (Republicano), a renunciar ao mandato. Sua excelência foi flagrado num banheiro do aeroporto de St. Paul, em Minneapolis, assediando um homem.

Apesar de se declarar não homossexual, tendo inclusive votado contra o avanço de algumas medidas para aumentar os direitos dessa minoria, sua excelência declarou-se culpado, mas afirmando que queria apenas por fim a desconfortável discussão.

Em Brasília, na última reunião do Conselho de Ética do Senado, quando se argumentava a respeito de votação aberta ou fechada no caso Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) chamou o também senador Almeida Lima (PMDB-SE) de “boneca”, mas não foi admoestado.

E olha que a situação por aqui é bem mais grave: Renan é acusado de utilizar dinheiro da construtora Mendes Júnior, através do lobista Cláudio Gontijo, para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso com quem tem uma filha.

Além disso, o presidente do Congresso Nacional enfrenta outras acusações. Numa delas, é apontado de tráfico de influência para favorecer um irmão, o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), em processo milionário de venda de uma fábrica de Tubaína à Cervejaria Schincariol. Ganharam 27 milhões de reais na brincadeira.

Segundo investigações, a cervejaria foi beneficiada com o perdão de dívida que teria com o INSS, atingindo o montante de 100 milhões de reais. Sua excelência é também acusado de ter comprado empresas de comunicação através de “laranjas”, com dinheiro cuja origem é incapaz de provar.

Pois bem, nem bem assentou a poeira e eis que surge nova acusação: agora, Renan ressurge no foco de depoimento prestado à Polícia Civil do Distrito Federal, pelo advogado Bruno de Miranda Lins, num amplo esquema de lavagem de dinheiro.

Ele teria recebido “sacolas de dinheiro” levadas pelo advogado, a fim de privilegiar o BMG na concessão de crédito consignado a aposentados. Mas não se fala em renúncia de sua excelência nem na certeza de cassação do mandato.

Ao contrário, o terceiro homem na linha do poder para assumir a Presidência da República, recebe infindáveis apoios e “gestos de carinho” por parte dos que supostamente deveriam ser isentos na garantia do funcionamento das instituições.

No último sábado (1), o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal – STF – e atual ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB-RS), efetuou visita a Renan, saindo da residência oficial no carro do seu ex-sócio Eduardo Ferrão, advogado do alagoano.

No domingo (2), o Correio Braziliense deu em manchete à página 10: “Jobim sai em socorro de Renan”. E contou que a estratégia agora é anular o processo na CCJ, Comissão de Constituição de Justiça do Senado, salvando sua excelência a qualquer preço. Jobim seria um aliado, prestando valiosa assessoria.

No depoimento prestado à Polícia Civil do DF, Bruno Lins apontou ainda o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB-MT) e o líder do governo no Senado, Romero Jucá Filho (PMDB-RR), como envolvidos no esquema de receptação de propinas para contemplar o BMG.

É possível que o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) não saiba de nada a respeito desse assunto, em que o atual líder do governo é, mais uma vez, digamos, “incomodado”. Mas a situação revela tremendo desconforto.

Nossos dirigentes transmitem a impressão de não ter qualquer responsabilidade com os rumos dos acontecimentos, nem com a possibilidade de eclosão de convulsão social em função de tantas aberrações e desmandos.

A máquina do Estado é utilizada a bel-prazer, massacrando os que se opõem aos descaminhos, mas punindo com rigor quem ousa expor descalabro criado por pessoas que deveriam zelar pela ordem pública e a preservação das instituições.

O Brasil, que já se transformou no paraíso de megatraficantes, caminha de maneira inapelável para o desmoronamento de suas organizações. E pensar que o senador norte-americano vê-se obrigado a renunciar à vida pública, por conta de simples aventura num mictório público.

Márcio Accioly é Jornalista.

Nenhum comentário: