segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Fantasma da Audiência

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Leila Cordeiro

Ele é de longe o grande divisor de águas em qualquer emissora de TV do planeta. No Brasil, atualmente , ele anda rondando a programação da Globo. Desde quando a Vênus Platinada se preocupava com números de audiência? Esse fantasma não a assombrava e muito menos causava-lhe pesadelos.

De uns tempos para cá, ele vem incomodando e até fazendo com que a líder mexa em sua grade de programação. As manhãs globais já não são as mesmas dos tempos do reinado da musa dos baixinhos. Na época em que Xuxa usava maria chiquinha , botas de cano alto e mini-saia ela reinava absoluta e o fantasma da audiência nem chegava perto . Os números eram claros . A Globo dominava o horário matinal.

Mas baixinhos cresceram e as novas gerações de baixinhos não se ligaram nos conselhos e musiquinhas ensaiadas de Xuxa e suas paquitas. A própria Xuxa amadureceu, mas não quis enxergar que a idade chegara e era preciso mudar o alvo do seu programa. Fazê-lo crescer também. Resultado: o fantasma da audiência , implacável como sempre, começou a assombrar o horário da emissora .

Com os números despencando, a Globo trouxe outra loura para juntar-se ao time matinal e criou um “Mais você” para fazer a audiência ficar mais feminina apostando as fichas em Ana Maria Braga, tirada da Record a peso de ouro e com promessas de grande estrela. O tempo foi passando e a fórmula cansando e de “mais” o programa passou a ser de “menos”, porque os números não chegaram a alcançar o nível global desejado.

O primeiro tiro no horário matinal da Globo foi dado pelo SBT com sua programação alternativa e descomprometida, diferente da engessada e cheia de regras grade da Globo. O segundo tiro foi de canhão e desmoronou as manhãs da Globo. Com uma fórmula simples e descomplicada, a Record reuniu três profissionais que a primeira vista não tinham nada a ver um com o outro. O jornalista descontraído , a mulher sofisticada e o chef de cozinha midiático. Pronto. Televisão é assim. Às vezes é de onde menos se espera que sai um grande campeão de audiência. E o “Hoje em dia” conquistou o público e solidificou sua liderança.

Mas o fantasma da audiência não tem assombrado apenas as manhãs da Globo. Ele está atacando também nas noites de domingo, onde um dos programa mais tradicionais da emissora, o Fantástico, vem despencando no Ibope. De uma média de mais de 30 pontos, o “show da vida” marcou 23 pontos no ultimo domingo, dia 16.

Uma coisa é certa. Apesar de líder absoluta, a Globo já não é a mesma. Pela primeira vez em seus mais de 40 anos, o fantasma da audiência passou a ser uma preocupação nos escritórios e estúdios do Jardim Botânico. Novelas, telejornais e programas de humor já não cativam o público como antes. Um fenômeno que começou ninguém sabe quando e que pode minar os alicerces do império dos Marinho.

Difícil detectar as causas dessa queda. Poderíamos pensar na mesmice da sua programação, nas histórias repetitivas nas novelas, telejornais de conteúdo duvidoso, mas não se pode desprezar o crescimento da concorrência.

O SBT, com sua conhecida instabilidade, volta e meia espeta a líder com um enlatado mexicano ou desenhos antigos. Mas consegue cativar as novas gerações e acaba roubando a audiência por algum tempo.

O que parece não ser o caso da Record. Essa veio mesmo pra ficar, com projetos sérios e de longo prazo, a emissora da Barra Funda tem investido pesado numa programação qualificada. E vai estrear no próximo dia 27 um novo canal, o Record News, que chega com um slogan que vai assustar a concorrência: será o primeiro canal de notícias 24 horas que pode ser visto em TV aberta, ou seja, sem custo para o telespectador.

O fantasma da audiência pode ser ruim para a Globo, mas é bom para o público que só tem a ganhar com uma competição mais democrática.

Leila Cordeiro é Jornalista, Escritora e Artista Plástica. Artigo originalmente publicado no site Direto da Redação, em Publicada em: 23/09/2007.

Um comentário:

Luiz Alberto Mezzomo disse...

É bom não esquecer a origem da força financeira da Record.
Certamente não provém de bons samaritanos.