sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Dize-me com quem andas...

Edição de Artigos de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Acioly

No dia sete de agosto do último ano, efetuei séria denúncia a respeito de desvios praticados na Funasa – Fundação Nacional de Saúde, mostrando a atuação de quadrilha de alta periculosidade, chefiada pelo coordenador daquele órgão em Roraima, Ramiro Teixeira, indicado e apadrinhado pelo senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR).

Um ano, dois meses e 19 dias se cumpriram, até a Polícia Federal desencadear operação, intitulada Metástase, algemando e colocando na cadeia mais de duas dezenas de quadrilheiros que são verdadeiros potentados do dinheiro público.

Notícias de Boa Vista, capital roraimense, dão conta de desvio calculado em torno de 34 milhões de reais. Ledo engano! A PF, que apreendeu computadores e documentos na sede da Funasa/RR, certamente terá condições de verificar com precisão que os valores desviados poderão dobrar. Vamos aguardar.

Além disso, funcionários de carreira do órgão possuem documentos precisos da roubalheira lá dentro, fatos que certamente irão emergir ao longo das investigações. A maioria vivia sofrendo todo tipo de assédio moral, ameaçada de demissão por Ramiro Teixeira, expediente que se arrastou por duríssimas horas, dias, meses e anos.

Mas o que mais preocupa é o fato de o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), de nada saber. Tanto que, certamente iludido e de boa fé, tem o senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR) como líder de seu governo no Senado.

O mesmo a quem nomeou ministro da Previdência e viu-se forçado a demitir, exatos quatro meses depois (22/03/05 a 22/07/05), devido à gravíssima acusação de que levantara empréstimo milionário no Basa – Banco da Amazônia S/A, oferecendo como garantia sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas.

Por conta do episódio do empréstimo, a Folha de S. Paulo colocou-lhe o epíteto de “Fazendeiro do Ar”. Mas, como as coisas aqui levam anos, até que se tomem providências, o senador exerce seu poder e lidera a gestão petista na chamada “Câmara Alta”, vejam só.

Por conta da boa-fé de Dom Luiz Inácio, é bom que se referencie, 40 membros de sua administração foram indiciados pelo procurador-geral da República (como quadrilheiros), lista encabeçada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil Zé Dirceu (PT-SP).

Não se sabe quantos dias os acusados de desvios na Funasa de Roraima irão passar na cadeia. Certamente, não ficarão muito tempo. Logo, estarão livres para disputar mandatos eletivos e cometer novas falcatruas. Afinal, bandidos e criminosos são contabilizados em número significativo na Câmara e no Senado.

Tudo que foi denunciado na série de artigos por mim publicada, no último ano, está sendo infelizmente comprovado. Com acréscimo. É uma vergonha que a legislação seja tão leniente, pois elaborada pelos principais interessados, permitindo que ladrões do dinheiro público fiquem impunes.

Eles intimidam funcionários e se imiscuem nos vários setores administrativos, subornando e corrompendo, formando laços de apoio dentro de ampla rede que se torna quase impossível extirpar.

Mas está faltando o principal responsável: o senador Romero Jucá Filho. Com um pedido de cassação no Conselho de Ética (com provas irrefutáveis, passível de punição), sua excelência navega sobranceiro, consciente do país que habita.

Dom Luiz Inácio teria de tomar conhecimento de alguma coisa, antes que seja tarde demais. Afinal, o líder de seu governo não serve como referência ética ou moral.

Márcio Accioly é Jornalista.

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