segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Pode ter dinheiro do tráfico na Funasa em Roraima

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

A Polícia Federal está investigando o grau de ramificação de uma estrutura de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Funasa de Roraima. O coordenador regional do órgão, Ramiro Teixeira, “é o chefe do esquema criminoso dos desvios”, na opinião do delegado da PF Alexandre Ramagem, responsável pela Operação Metástase.

A quantidade de dinheiro público desviada é impressionante (chega a quase 40 milhões de reais), sem contar que pode haver ainda recursos financeiros provindos do tráfico, de acordo com investigação que está sendo processada pela PF.

Responsável pela indicação de Ramiro Teixeira para a Funasa/RR, o senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR) tem evitado comentar o assunto e se negado a falar com a imprensa. Ele tomou chá de sumiço desde que o imbróglio teve início.

Sua excelência enviou para a Funasa, somente no primeiro semestre deste ano, exatos dez milhões, 561 mil e 526 reais em emendas parlamentares. Além disso, sempre acompanhou Ramiro Teixeira de forma irregular nas visitas pelo interior do estado, quando se anunciava a liberação de verbas para prefeituras.

Nosso país, como se sabe, é conduzido em grande parte por bandidos de alta periculosidade, os quais jamais respondem por seus crimes. Essa situação, considerada de grande volatilidade, reúne ingredientes altamente explosivos para a combustão de sentimento social de enorme insatisfação diante dos acontecimentos.

Tudo isso, por ser fato notório que os chamados dirigentes minimizam crimes horrendos, praticados nas barbas do povo por quem deveria oferecer bons exemplos.

É generalizada a desconfiança. Com o Senado literalmente transformado em bordel, depois de ter absolvido o seu presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de utilizar recursos da construtora Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à amante, o Poder Legislativo se encontra bombardeado.

Quem quiser depurar qualquer uma de suas Casas (Câmara e Senado), submete-se a dores e constrangimentos. Veja-se o caso do senador Jefferson Peres (PDT-AM): designado relator de um dos processos contra Renan, vem sendo alvo de campanha difamatória que pretende destruir sua reputação. É muita canalhice!

Agora, o deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR), vai dar início a coleta de assinaturas para criar a CPI da Funasa/RR. Ele quer deixar bem clara a história de emendas parlamentares engrossando cofres do órgão, esclarecendo qual parlamentar tira vantagem ou faz algum tipo de acordo escuso.

Com relação ao senador Jucá Filho, sua excelência tem grande poder, inclusive no Judiciário, mas tudo caminha de forma célere para seu apagão político. A intransigente defesa que faz das áreas indígenas de Roraima têm causado grande repulsa à população do estado.

Sua excelência conseguiu me condenar num estranho processo na Justiça roraimense, no qual sequer fui citado. Conseguiu também a suspensão dos meus direitos políticos, “provando” que o caluniei num dos artigos. Mas nada como um dia atrás do outro. O castelo de horrores pode desmoronar.

O que mais impressiona é o fato de o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), depois de ter 40 de seus mais próximos assessores indiciados por formação de quadrilha, continuar sem saber o que acontece à sua volta.

Somente por tal motivo é que deve ter indicado o senador para líder de seu governo no Senado. É possível que não tenha tomado conhecimento da denúncia da Folha de S. Paulo, mostrando que Filho ofereceu sete fazendas inexistentes no Amazonas como garantia de empréstimo milionário no Basa – Banco da Amazônia.

Se o Senado se desse a respeito, já teria julgado o pedido de cassação existente no Conselho de Ética, onde é provado por A mais B a utilização de documentos falsos por parte do senador roraimense, em irrefutável quebra de decoro.

Este Brasil é um pobre país rico, em tristes trópicos. E ninguém aprende com a história. Só se pensará em alguma providência quando a maioria resolver imaginar que só terá Justiça com as próprias mãos. Ou quando sentimento de irreversibilidade tiver corroído à razão. Não vemos homens de bem, só de bens. Todos eles, bens públicos.

Márcio Accioly é Jornalista.

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