terça-feira, 9 de outubro de 2007

Renan faz tudo para ser cassado

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotl.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), tivesse apreendido corretamente os ensinamentos da lição 47 (do livro “As 48 Leis do Poder”), aplicando-os corretamente, certamente não estaria, agora, caminhando para o desastre como tudo indica.

Ali, conta-se a história de Ciro, o Grande (não confundir com outro Ciro, o Gomes), que depois de vencer seu avô, Astíages, rei dos medos, derrotar Creso, rei da Lídia, conquistar as ilhas jônicas “e outros reinados”, imaginou-se invencível e se convenceu de ser mesmo rei do mundo.

O presidente do Congresso Nacional, num país transformado em bordel pela Rede Globo (e comandado pelo crime organizado em suas esferas de poder), teve grande vitória pessoal na absolvição pelo voto secreto que o fez acreditar-se absoluto.

Ora, como grande parte dos senadores tem o chamado “rabo preso”, envolvida em negociatas e falcatruas das mais desmoralizantes, não é difícil supor que o parlamentar alagoano estará livre de qualquer acusação, por mais verossímil, sob o manto da votação secreta. Mas tudo tem também seus limites.

E o que diz a lei 47? “Não ultrapasse a meta estabelecida; na vitória, aprenda a parar”. Não é certo que Renan Calheiros teve conquista impressionante? Que a sociedade inteira estava pedindo seu afastamento, no caso do dinheiro transferido à jornalista mãe de sua filha, pago por lobista da construtora Mendes Júnior?

O que significa quebra de decoro? O que caracteriza quebra de decoro? É certo que sua excelência poderá alegar que o ex-presidente FHC (1995-2003), quando nomeado ministro no governo Itamar Franco (1992-95), providenciou exílio para a também jornalista, Miriam Dutra, com quem teve um filho.

Mandou a moça para a Espanha, mais precisamente à cidade de Barcelona, onde se tornou “correspondente” da Rede Globo que lhe pagava o salário (nunca se esclareceu se a pensão alimentícia era também providenciada pela emissora).

FHC vivia a fase áurea de entrega do patrimônio nacional e a chamada grande imprensa jamais veiculou uma só linha sobre o assunto. Foi tudo convenientemente abafado. Há de se notar que sobre a crise do Senado o ex-presidente jamais se pronunciou. Em boca fechada não entra mosquito.

Pois bem: comenta-se nos quatro cantos de Brasília que Renan possui dossiês dos mais variados, acerca da atividade de muita gente tida por defensora dos bons costumes, inclusive levantamento das atividades de Lurian, filha do presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) e de seu filho, Fábio Inácio Lula da Silva, o Lulinha.

Lulinha, como se sabe, tornou-se próspero empresário depois que o pai foi alçado ao Palácio do Planalto. E o pedido de instalação de CPI contra a Editora Abril, esquematizado por Renan, foi recado direto ao presidente, pois tal investigação, supostamente, iria bater à sua porta. Dom Luiz já fez tudo para salvar seu aliado.

Será muito bom se o senador cumprir suas ameaças, revelando ao país, em caso de possível cassação, quem se locupleta de forma descarada dos recursos públicos. Já que as brigas que ele vem comprando contrariam conselhos de Maquiavel.

Sua situação está mudando sensivelmente, em função principalmente de medida arrogante que tomou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), destituindo dois senadores do PMDB que contrariavam suas ordens.

“O momento mais perigoso é o da vitória” disse Napoleão (1769-1821). A crise tomou proporções gigantescas e já não existem panos quentes suficientes nem tapete que possa encobri-la. Tudo isso porque Renan não sabe recuar nem apreender lições.

Márcio Accioly é Jornalista.

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