sábado, 23 de fevereiro de 2008

Por que Fidel Castro deixa o poder como um líder invicto

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Pedro Porfírio

Depois do que Hélio Fernandes escreveu ontem em sua coluna, cuja maior marca é a independência, não precisaria escrever a respeito do fato internacional mais importante deste verão de 2008. Mas como vi por dentro a revolução cubana praticamente desde o seu nascedouro, ouso chamar todos os meus leitores, inclusive os que odeiam Fidel Castro, a uma reflexão honesta a respeito deste líder que foi a grande referência do Terceiro Mundo neste meio século em que esteve à frente do governo cubano.

Com uma coragem que faz falta aos homens públicos em todo o mundo, Fidel Castro exerceu tal papel na história que sua despedida do poder, aos 81 anos, realmente por razões de saúde, mereceu um caderno especial em O GLOBO e as primeiras páginas nos diários de todos os países, sem falar nos destaques dos tele-jornais.

Raciocinemos juntos, numa boa: por que desse noticiário tão inflado e rico em informações para registrar a formalização de ma situação que já se arrastava por 19 meses? Afinal, Cuba é apenas uma ilha de 11 milhões de habitantes, BLOQUEADA por todos os lados pela maior potência mundial, cujos governos e grupos econômicos recorreram a todas as armas para desconstruir sua revolução.

Vê se eu me fiz entender: você já parou para pensar, independente de suas simpatias e antipatias políticas, sobre esse feito sem precedentes desde que os Estados Unidos da América converteram-se no temido arsenal militar e no maior poderio econômico do mundo?

Até a URSS caiu

Compare comigo: se até a outrora poderosa União Soviética desmoronou ainda na condição de segunda potência mundial, se até a gigantesca China Continental assimilou a economia de mercado para sobreviver e crescer, qual o segredo de Fidel Castro, o romântico de Sierra Maestra, alvo de pelo menos 600 tentativas de homicídio concebidas e patrocinadas pelos órgãos de segurança dos EUA?

O que explica a sobrevivência desse regime revolucionário, senão o amplo apoio popular e o êxito de suas políticas públicas, apesar do castigo quase letal de um embargo econômico impiedoso, em que o governo da grande potência não se limita a suas próprias medidas, mas exige que todos os demais países do mundo mantenham os cubanos a pão e água?

Eu bem sei, porque, como disse nas primeiras linhas, fui lá mais de uma vez, em diferentes momentos de seu processo revolucionário: em julho de 1960, quando ainda tinha 17 anos, estava em Havana participando do I Congresso Latino-Americano de Juventudes, representando a União Brasileira de Estudantes Secundaristas.

No ano seguinte, já como jornalista de carteira assinada na ÚLTIMA HORA, fui trabalhar lá até julho de 1962, e testemunhei momentos de grande mudança. Voltei a Cuba, como turista, em 1986. Finalmente, integrei uma delegação parlamentar brasileira que visitou Havana em julho de 2003.

Poucos brasileiros tiveram tantas oportunidades de conhecer e avaliar, em fases tão distintas, a revolução cubana e a liderança de Fidel Castro, que venceu as mais olímpicas das provas em situações em que ninguém, a não ser os teimosos cubanos, imaginavam que ele e seu regime socialista tivesse condição de superar, como no chamado "período especial", conseqüência do desmantelamento da União Soviética e dos países do Leste europeu, cujo marco foi a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

Nenhuma criança na rua

Quando você olhar para aquela ilha rebelde, a 110 Km da costa da Flórida, antes de buscar motivos para criminalizá-la na mais bem industriada orquestração regida pela potência que não se conforma em ter perdido a guerra contra Fidel, reflita sobre esta frase que ele pronunciou, durante a visita do Papa João Paulo II a Cuba, naquele janeiro de 1998: "ESTA NOITE MILHÕES DE CRIANÇAS DORMIRÃO NA RUA, MAS NENHUMA DELAS É CUBANA".

No dias de hoje, em que o regime democrático representativo não encara com seriedade os problemas mínimos do povo de onde, segundo a Carta, emana o poder, dedicando-se a programas compensatórios de mendicância oficial, onde a Justiça pode ser sede de um massacre como no caso da VARIG, entregue a preço de banana a aventureiros internacionais, ou mesmo de um ato de arbitrariedade calçado de formalidades processuais - como a absurda apropriação do meu mandato - você faria muito bem a seus filhos e às futuras gerações se procurasse entender, como eu entendi, a natureza do "milagre cubano", onde já não há analfabetos, todos têm acesso ao melhor ensino público do mundo (segundo a UNESCO) e o nível de escolaridade média da população é de 12 anos, enquanto os índices de saúde são comparáveis aos dos países do primeiro mundo.

Será que você não acha isso relevante? Fidel Castro não ficou por acaso esse tempo todo no poder, asfixiado perversamene pela potência que faz e desfaz governos, que ainda dita as regras do jogo, que acaba de patrocinar mais uma amputação na fatiada Iugoslávia, que tem um orçamento militar de meio trilhão de dólares, mais do dobro de todo o orçamento brasileiro, que tem bases em todos os continentes, o maior arsenal bélico instalado, que promove invasões como a do Iraque hoje ou da pequena Granada ontem, e que banca as tropas brasileiras no Haiti.

Num país em que um em cada 15 habitantes fez uma boa faculdade, em que a UNESCO constata os melhores desempenhos escolares do mundo no primeiro grau, é natural que a população releve o sacrifício imposto pelo boicote e considere emergencialmente inevitável, num estado de guerra permanente, a sobrevivência de um Estado politicamente forte, embora nas eleições para suas casas legislativas (onde os representantes não recebem um centavo pelos mandatos, já que se mantêm em suas atividades laborais), os candidatos saiam de entidades da sociedade e não são obrigatoriamente filiados ao seu partido único.

Como você vê, há muito o que falar sobre Fidel Castro, sem medo e sem rancores, e é possível que eu volte ao assunto, disposto a trocar idéias com você em cima de fatos concretos, que falam mais alto do que qualquer propaganda direcionada.

Pedro Porfírio é Jornalista.

7 comentários:

Anônimo disse...

Caros Senhores:

Dizer que Fidel nao foi ditador acho pessoalmente um insulto. Para os anti-americanops de carteirinha que ontem & hoje usufruem da Internet (TCP) protocolo yankee, que usam processador Intel ou AMD, windows95, 98, XP & Vista, Explorer, voam de boeing ou mesmo usam o blue jeans e escrevem neste BLOG yankee jamais devem esquecer que Fidel foi alem de libertador, um assassino frio e calculista que matou no paredao varios oposicionistas e ate hoje mantem dissidentes cubanos na cadeia por discordarem de seus metodos ou mesmo de sua politica comunista e retorica.

O "moribundo" Fidel, que hoje se faz um "morto vivo" em breve seguira para o paredao da morte com toda pompa e circustancia que Deus lhe reserva.

Seguindo uma forte mudanca pelo mundo o Brasil de hoje "sob a batuta regida pelas maos de um nordestino" faz historia com um sistema que Fidel sempre discordou, a DEMOCRACIA!

Obrigado Fidel por servir de referencia que nem tudo dura para sempre, assim como o regime "autoritario" das juntas militares pela America do Sul nao triumfaram para sempre, a ditadura de Fidel tambem nao sera eterna, apenas um legado de resistencia e perseveranca de quem " nada é eterno "

Viva Cuba, Viva o Brasil, Viva a DEMOCRACIA!

RIP Fidel...

Anônimo disse...

Lamentável. É mesmo muita ousadia (ou ignorância, ou má-fé, ou cegueira ideológica, ou tudo junto) louvar o Carniceiro por o que quer que seja. Vergonha para este blog.

Anônimo disse...

Ora, ora...o que temos aqui?
Os meios justificam os fins nao e mesmo?
E por essa e por outras que tivemos assassinos como Hitler, Stalin e outros.

Anônimo disse...

Recomendo ao ilustre jornalista
que fixe residência nesta paradi-
síaca ilha caribênia.
É pena que os que tentaram fugir
(tenham conseguido ou não)não com-
partilhem de sua avaliação.
Preferiram a liberdade - o maior
bem do homem - mesmo enfrentando a
morte,os tubarões e a captura.

Com todo respeito,de coração,pois
sou um "simples mortal":que adian-
ta ter uducação de qualidade,saúde
de primeiro mundo e outras "cosi-
tas" mais, e não ter o bem maior:
A LIBERDADE.
Não creio que vossa senhoria acei-
taria como nível superior que é,a
remuneração de um médico,professor,
engenheiro... no "paraiso" caribê-
nio.

Com todo respeito(embora anônima-
mente)sem nenhuma ofensa:vossa se-
nhoria esqueceu de criticar a fal-
ta de liberdade de ir e vir,entrar
e sair,que há em Cuba.Ao meu juízo
direito inalienável de qualquer ser
humano.

Abraços,de coração!

Anônimo disse...

Cuba não tem internet. Só para os membros do partido e prostitutas. Alguém sabe um e-mail de cubano? Algum site? Algum? FIdel tinha um Boeing apenas para lhe trazer comida espanhola de Madri às 4as feiras. A população mesmo nunca viu uma maçã. Passeava pela ilha de limusine e tinha centenas de escravas do sexo... Cá entre nós, se você fosse da CIA poderia bolar algo emlhor para fazer propaganda de seu sistema do que este despropositado? Você o derrubaria? Eu ainda pagava para vê-lo ali fazendo do capitalismo motivo de fugas em massa!! Deixaria ele lá apodrecendo como está!!! Vendo a m que fez... Afinal, os yankees nunca saíram de lá, e Kennedy aina entregou a oposição de bandeja na frustrada invasão da Baía dos Porcos. Deixe ele apodrecer... Deixa Lula enriquecer...

Anônimo disse...

Que foi que deu no Blogue?
Criou o dia do Hospício Geral é?
Homenagem aos loucos?
Sério,achei que tinha entrado em blog errado. Ou teria sido uma invasão de crackers substituindo posts por esses, como direi?,papel higiênico usado de algum banheiro de Cuba?

Lia/floripa

Anônimo disse...

Aqui eatá o antídoto para todas essas besteiras ditas a favor do abutre do Caribe:
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6393&language=pt