domingo, 2 de março de 2008

Monstros

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Olavo de Carvalho

Para os comunistas e seus bajuladores, a morte de uns 400 terroristas, durante o regime militar brasileiro, foi algo de incomparavelmente mais grave, mais revoltante, mais intolerável do que a matança de 75 milhões de civis chineses pela ditadura de Mao Dzedong, de 20 milhões de russos pelo governo soviético ou de 3 milhões de cambojanos pela quadrilha de Pol-Pot. Claro, os comunistas são diferentes de nós. Segundo Che Guevara, são "o primeiro escalão da espécie humana". Se você mata um deles, mesmo em defesa própria, é crime hediondo. Se ele mata 100 mil de nós, desarmados e amarrados, torna-se um herói, que é como o senhor Mino Carta define Fidel Castro.

Protestando contra a comparação quantitativa entre a ditadura brasileira e a cubana, que o colunista Reinaldo Azevedo faz na última Veja, Gerald Thomas vocifera seu sacrossanto horror à contagem de cadáveres e em seguida se põe a contá-los por sua vez, acusando os militares brasileiros pela "perda da vida de milhares, digo, milhares de vidas inocentes". Primeiro, não eram inocentes: eram guerrilheiros armados, que só começaram a morrer depois de estourar com bombas dezenas de civis (estes sim, inocentes). Segundo: não foram milhares, foram quatro centenas na mais hiperbólica das hipóteses, jamais submetida a revisão crítica. Para Gerald Thomas, números são um expediente retórico desonesto quando verdadeiros: só os falsos são argumentos honrados.

Sinceramente, já estou velho demais para continuar fingindo que indivíduos capazes de julgar seus semelhantes com um critério tão desproporcional, tão disforme, tão manifestamente iníquo, sejam pessoas normais e decentes com quem eu não tenha senão divergências filosóficas. Esses sujeitos são doentes, são sociopatas perigosos, incapazes de olhar para os discordantes sem antever, com sádica alegria, o cadáver do "inimigo de classe" girando no espeto como um frango no forno da História.

Eis alguns - só alguns - dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos "povos inferiores" (sic).
2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.
3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.
4. Stálin: "Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem" (sic).
5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem "eficientes e frias máquinas de matar" (sic).

Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera "degenerar" em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

Olavo de Carvalho é Filósofo e Jornalista. Publicado no JB de 28 de fevereiro.

3 comentários:

Anônimo disse...

Fico feliz que o JB tenha a coragem moral de publicar textos de Olavo de Carvalho. Aqui vai um texto interessante de Heitor de Paola:

NUNCA NAMOREI FIDEL

O tratamento dado pela imprensa brasileira, com raríssimas e honrosas exceções, à aposentadoria do maior genocida da história da América Latina é no mínimo asqueroso! Bajulação pura travestida, aqui e ali, de críticas ao ditador, mas escorregando logo – por ato falho ou não – a tratá-lo por Presidente, como se Cuba vivesse desde 1959 num sistema de política constitucional normal. Não havia me ocorrido fazer nenhum comentário sobre o assunto – pois nada, a rigor, mudou por lá, nem na mídia chapa branca brasileira - quando na edição de 26 de fevereiro de O Globo, me deparo com um artigo de Arnaldo Jabor no Segundo Caderno, com o suspeito título de “Meu caso de amor com Fidel Castro”. Há muito tempo deixei de ler este sujeito que tem tentado passar por ex-comunista, no que muita gente acredita, mas o título me chamou a atenção e, ao ler o artigo, vi a que ponto de baixeza pode chegar um indivíduo. Muito além da hipocrisia generalizada da mídia, Jabor escreve um texto abjeto, cínico, hipócrita, metido a besta, no qual subliminarmente, por trás de uma aparente crítica, entoa loas ao carniceiro, elevando-o às alturas de um totem.

Jabor faz parte daquela corriola metida a adeptos da Escola de Frankfurt cujo ponto de partida foi uma tentativa esdrúxula de juntar psicanálise e marxismo numa lamentável mixórdia teórica. Mas, como sou psicanalista e já fui marxista – e hoje entendo mais de marxismo do que naqueles tempos – posso perceber que ele não tem a mínima idéia do que seja nem um, nem outro. Como sabe que tem leitores cativos que adoram a vulgarização dos dois numa xaropada enjoativa, costuma usar artifícios pseudo-psicanalíticos bobocas como fingir que está falando da sua homossexualidade – ou “coisa de bicha”, como chama, fugindo ao politicamente correto. Certamente muita gente deve estar dizendo: que maravilha, ele até admite ter “uma parte” homossexual, ou “um lado” feminino, em idioma psicanalês de botequim. Outro adepto desta prática ridícula é o “competentíssimo” “psicanalista” Gerald Thomas que descobriu que falar mal de Fidel e de Cuba comunista é resultado de “problemas com a sexualidade”, como se referiu ofensivamente a Reinaldo Azevedo que ousou romper a unanimidade da mídia puxa-saco.

* * *
Por que nunca namorei Fidel, se fui comunista nos anos 60? Pela simples razão que nem eu, nem ninguém que esteve realmente envolvido no movimento comunista – e não quer apenas posar de bom moço, porque é bonito e dá ibope – jamais acreditou que Fidel fosse outra coisa além do que realmente era: um brutal ditador, assassino de dezenas de milhares de cubanos, latino-americanos em geral, angolanos e quem mais se atravessasse em sua frente e tentasse obstruir seu caminho para o poder total. Assim como Fidel, Lenin, Stalin, Mao, Pol Tot e outros menos votados. Nunca encontrei um revolucionário comunista autêntico – nem quando eu era um, nem depois – que acreditasse por um segundo sequer na tal “utopia” que eles usam – nós usávamos – para enganar os trouxas e imbecis e convertê-los no que já nos primórdios Lenin chamava de idiotas úteis. Lembro-me de como ridicularizávamos estes babacas que serviam de excelente massa de manobra! Nunca houve esta tal de utopia, ou idealismo utópico - só como estratégia de doutrinação.

Tomei conhecimento de Fidel já em 1959, por incrível que possa parecer atualmente, através da revista LIFE, que meu pai assinava. A crônica inocência, burrice, ou sei lá o quê, dos americanos, fez com eles mesmos iniciassem o tal mito dos heróis aventureiros de Sierra Maestra. Lembro que aquela reportagem – a capa mostrava Fidel e outros guerrilheiros, armados até os dentes, em plena selva – desmanchava-se em elogios aos bravos jovens que desafiavam o abominável ditador Fulgencio Batista.

Passados alguns anos, sendo um destes idiotas úteis, comecei a perceber a farsa mas gostei de fazer parte dela. Foi então que me convidaram para entrar no círculo mais restrito – e já secreto, estávamos em 1963 e a reação “burguesa” já era antevista - de militante da Ação Popular. A “promoção” de companheiro de viagem ou, como se dizia na AP, ampliação – neologismo derivado da prática de “ampliação de quadros” - a militante só é merecida por quem atingiu um grau de cinismo e hipocrisia suficiente para calar todas as suas restrições éticas e morais e torcê-las de modo a que sejam escravizadas aos objetivos do Partido. Entenda-se que companheiro de viagem é um estágio superior a idiota útil, é um cara que já começou a perceber o espírito da coisa mas ainda não está maduro para relegar todos seus escrúpulos à lixeira, e entender que seus objetivos pessoais estão em harmonia com os do Partido. Isto é, entender que o comunismo, ao invés de ser uma ideologia altruísta e coletivista, é o supra-sumo do egoísmo e do individualismo. A propalada atitude altruísta serve para esconder que todo militante pensa somente em seus interesses individuais de poder e de viver à custa do Estado. Ou seja, a maravilhosa e sublime revolução não passa de uma roubo-lução!

É por isto que “um mundo melhor é possível”: para os eleitos. O resto da população, em nome de quem é feita a roubo-lução servirá para participar do processo produtivo “coletivo” escravo. O lucro pessoal não pode ser permitido, pois a chamada “mais valia” passará a ser apropriada pela nova classe ou Nomenklatura. Enquanto se prepara o assalto final, existem melhores companheiros de viagem do que aqueles que detêm provisoriamente o poder de divulgação da “utopia”: artistas, escritores, diretores de teatro, o “beautiful people”, os jornalistas, os profissionais de marketing e os bacharéis em psicanálise (a diferenciar dos genuínos)?

É aqui que entram Jabor e Thomas. Momentaneamente estes companheiros fazem parte da nova classe de privilegiados, pois enquanto se constrói o “estado social” eles recebem todas as atenções dos militantes, aqueles que realmente herdarão as benesses. Existe alguém mais ávido por dinheiro público do que a classe artística? Basta ver as vergonhosas caravanas ao Congresso – como a do último dia 27 – para mamar um pouquinho mais do dinheiro produzido pelo suor dos que trabalham sem privilégios. Ipojuca Pontes já contou muitas histórias aqui e muito mais terá a contar da sua passagem pela Secretaria Nacional de Cultura.

Situação emblemática viveu o Rio de Janeiro, quando se descobriu que enquanto a população é dizimada pela dengue e os mata-mosquitos sumiram; enquanto as ruas vão a cada dia se transformando mais em caminhos carroçáveis; enquanto os hospitais fazem neurocirurgias com furadeiras de parede para trepanação e outras atividades médicas se tornam impossíveis, e as escolas definham, o Prefeito maluco-beleza gasta o equivalente a quatro hospitais novos ou sessenta quilômetros de vias expressas com seis a oito pistas e pode-se imaginar quantas escolas, para construir sua obra prima: a Cidade da Música! Considerando-se legítimo sucessor do César original, mas não tendo tropas para invadir o Egito, resolveu combater o Ædes ægypti a golpes de fanfarras! A gritaria foi geral – ou quase –; adivinhem quem assinou o manifesto a favor da importantíssima obra? Ora, artistas, músicos, promotores de shows, etc. Esta gente é tão desavergonhada na sua mamação que chega a ser ridícula!

Além dos raros militantes (suponho que Chico Buarque seja um deles) os companheiros de viagem e principalmente os idiotas úteis como a Letícia Sabatella, o futuro que lhes está reservado no final da opereta é negro! Perguntem a Fidel ou a Raúl o que eles fariam se o Gerald Thomas mostrasse suas impudicas nágedas ao público num teatro em Havana.

Anônimo disse...

Olavo deveria ter esperado um pouco antes de sair defendendo o RA.
Assim como os leitores do blog que saíram em defesa do "tio",Olavo gastou tinta por nada.Ainda periga ter de engolir suas críticas ao GT, uma vez que a'suposta' vítima de agressão gratuita(RA), está só de love e rasgação de seda pro convertido.De maracujá de gaveta virou Dorian Gray.
E dando patada pra todo lado nos leitores, trocados por sua nova amizade de infância.
Se fose um artista popular brasuca, memso rico, duvido que virasse o cd de lado tão ligeiro...

Lia.

Anônimo disse...

Olavo deveria ter esperado um pouco antes de sair defendendo o RA.
Assim como os leitores do blog que saíram em defesa do "tio",Olavo gastou tinta por nada.Ainda periga ter de engolir suas críticas ao GT, uma vez que a'suposta' vítima de agressão gratuita(RA), está só de love e rasgação de seda pro convertido.De maracujá de gaveta virou Dorian Gray.
E dando patada pra todo lado nos leitores, trocados por sua nova amizade de infância.
Se fose um artista popular brasuca, memso rico, duvido que virasse o cd de lado tão ligeiro...

Lia.