quinta-feira, 29 de maio de 2008

Circo armado com lona apodrecida

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Márcio Accioly

Num país onde as pessoas trabalham cinco meses apenas pagar impostos, tudo é feito para confundir e ninguém assume responsabilidades. No Rio de Janeiro, na última segunda-feira (26), o presidente Don Luiz Inácio afirmou não ter visto “nenhum preço cair com o fim da CPMF”.

Será que ninguém retirou nada dos preços por conta da elevação das alíquotas do IOF e da CSLL, efetuada pelo governo justamente para compensar a perda de receita? Mas ainda é pouco, muito pouco. Por isso que paira agora, sobre a cabeça dos que sustentam monumental farra, a ameaça da CSS (Contribuição Social da Saúde).

Enquanto isso, no Haiti, ancorado em suas metáforas futebolísticas, Don Luiz Inácio declarou que o Brasil “está no segundo tempo do jogo”, comparando a presença de forças de paz da ONU a mais uma partida. Que original!

Mas eis que a CPI dos Cartões Corporativos, nos suspiros finais, descobriu que um dos filhos de Don Luiz Inácio teve conta de despesas de internet paga pelos cofres públicos. O beneficiado foi Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aquele que se tornou empresário e é hoje milionário e bem-sucedido. Assim é muito bom.

Como ninguém é punido, ficando o dito pelo não dito, PSDB e PT fizeram acordo e trataram de sepultar a tal CPI, antes que apareçam despesas do ex-presidente FHC (1995-2003), com o filho que teve com a jornalista Mirian Dutra (Rede Globo).

Quem arca com as despesas, no princípio, meio e final de todas as contas, é o contribuinte brasileiro. Ninguém é de ferro e o “Estado Democrático de Direito” está aí para isso mesmo, ora pois.

A base do governo, por sinal, comemorou efusivamente o relatório parcial da CPI dos Cartões, sem culpar ninguém com a chamada “montagem de dossiê” com os gastos do ex-presidente FHC. E sua ex-excelência está livre para trombetear que “não acharam nada” e que, portanto, seu “governo” foi modelo de lisura.

Só tendo mesmo uma cara muito lisa. O que essas pessoas estão fazendo com o país, oferecendo os piores exemplos, é de estarrecer. Desmonta qualquer noção de Justiça. Por isso, não entendem quando a população procura fazer Justiça com as próprias mãos, simplesmente por não mais acreditar nas instituições.

No Rio Grande do Sul, estado governado por Yeda Crusius (PSDB), uma quadrilha organizadíssima levou cerca de 44 milhões de reais dos cofres do Detran gaúcho, segundo denúncia efetuada pelo Ministério Público e acatada pela juíza Simone Fortes da 3ª Vara Federal de Santa Maria (RS).

Suspeita-se que a organização criminosa retirava dinheiro dos cofres públicos para alimentar campanhas eleitorais em que a atual governadora tomou parte. São 40 acusados, exatamente o mesmo número de indiciados na administração federal no caso do mensalão. É muita coincidência.

Por fim, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pediu na quarta-feira (28), autorização ao Supremo Tribunal Federal – STF -, para investigar o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Ele é acusado de envolvimento com uma quadrilha que desviava recursos do BNDES.

O deputado diz estar sendo vítima de “perseguição política”, por defender os trabalhadores. Mas o seu quadro está se agravando já que é preciso, de vez em quando, dar uma satisfação ao grande público e alimentar lobos famintos. Os sinais emitidos apontam para sua possível cassação.

O que seria da travessia do rio, não existisse o boi de piranha?

Márcio Accioly é Jornalista.

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