terça-feira, 15 de julho de 2008

Como construir currais e limitar a boiada

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://www. alertatotal.blogspot.com

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Por Arlindo Montenegro

À lista contemporânea de espécies ameaçadas é preciso acrescentar o o tal de “ser humano”. O artigo editorial do Alerta Total de Segunda-feira, Julho 14, 2008, comentando os riscos da aventura econômica norte americana, resume possibilidades evidenciadas há muito tempo: desde que a racionalidade em economia e o peso familiar sobre a formação de crianças e jovens escapou pelo ralo.

Economia, política, racionalidade, comportamentos estão intimamente ligados. Determinam escolhas individuais. Determinam a vitalidade de um grupo, nação ou o aumento da violência e colapso de uma civilização.

As pessoas buscam alcançar suas próprias metas por mais distanciadas que sejam da realidade. Desde que não sejam impedidas pelo ambiente, pela fome ou perda de memória de plantar os próprios sonhos, para colher no futuro. Perseguir os sonhos é agir produtivamente e medir conseqüências. É um motor de autoconfiança, quando apoiado pela família e freios de uma religião. Conduz pessoas, grupos, nações ao tal progresso e à tal civilização. No mínimo conduzem ao estado garantidor de um ambiente e qualidade de vida estável.

É o que não acontece em estado de risco e incerteza ou em ambientes onde impera o proselitismo ideológico. Onde as pessoas tendem à desconfiança mútua, tendem à irracionalidade da vida instável como regra e o pensamento como exceção. No lugar de agir medindo as conseqüências as pessoas acabam jogando na loteria, atirando no escuro ou caminhando às cegas sem ver onde pisam.

De cima da pirâmide, quem alimenta as decisões dos governantes? E de que modo os governantes fazem valer suas decisões para chegar ao mais humilde cidadão nesta cadeia de comando? Como acionam diretores, chefes, chefetes, ‘chefinhos’ e jagunços?

Se adotamos pressuposto de que escolhas livres não devem ser restringidas por nenhuma autoridade externa, mas é aceitável uma diretiva, informação clara e padrão comportamental para fundamentar e, no seio da família, orientar as pessoas na tomada de decisões produtivas, estaremos falando de consciência, razão, liberdade.

Mas para os governantes e seus diretores, chefes, chefetes, ‘chefinhos’ e jagunços é crucial que todos, sem exceção dancem conforme a música do momento. E a maneira encontrada, que não significa a melhor maneira de formar a nacionalidade é criar a notícia ligeira, o zum zum zum, a desinformação, a confusão e finalmente a decisão pronta que vem na forma de propaganda.

E os que compõem as peças da propaganda sabem como faze-las, de modo frio, calmo, na linguagem calculada para envolver cada segmento profissional ou social: da mãe que decide pelo recém nascido até as fraldas e pílulas para cada ziquizira que se instala na velhice, esta idade chata, sem graça e dependente.

Na década de 60, em Montevidéu, os aposentados liam jornais nas praças e conversavam tranqüilos. No Rio de Janeiro e São Paulo iam ao cinema, olhavam vitrines caminhando por ruas elegantes. Tomavam até sorvete! Foi-se o tempo! Os governantes e as empresas apertaram o cerco e os planos de aposentadoria hoje não chegam nem para pagar os planos de saúde e os produtos químicos que os médicos recomendam para intoxicar a velharia.

Como mais da metade da população não trabalha e a maioria dos que produzem têm remuneração mínima, esta maioria não tem como arcar com mais uma despesa para pagar os tais planos de previdência privada que deveriam reforçar a poupança dos banqueiros. Isto é coisa para salário de primeiro mundo.

E mesmo nos países “ricos e civilizados” os trabalhadores não poupam mais o suficiente porque as manobras dos poderosos controladores das finanças globais estão blefando pesadamente para mudar o curso da história. E a economia do dólar moeda forte parece estar abrindo o bico. Quem vai na feira, no açougue ou no supermercado, sente que está se ferrando, mas não sabe por quê.

O jornalistas de economia derramam teorias, falam do comportamento da economia como se economia fosse gente. Deviam sim falar do comportamento dos jogadores insensíveis que buscam mais e mais poder financeiro, uma força tão poderosa quanto as leis que mantêm a ignorância, o servilismo e a pobreza, impedindo mesmo a maturidade de nações satélites onde o estado democrático de direito acaba na condição de mais um sonho ou mesmo um sofisma barrado pela brutalidade e pela ganância de oligarcas elitistas, que preparam o laço da própria forca.

Atitudes bem diferentes da propalada solidariedade referida por políticos, compaixão referida por religiosos ou o “bem estar”, férias, casa, carro, celular, computador, acenado como recompensa para quem “pode”, não para quem quer ou precisa. E quem “pode”, nem sempre alcança pelo caminho da honestidade. Mas considerável parcela dos que “podem”, servem aos interesses políticos do momento: vendem notas frias, servem como “laranjas”, promovem falcatruas e desvios de recursos, superfaturam obras, enganam, mentem e recebem aplausos pela esperteza.

Viva a “zelite” que rouba em associação com os poderosos e não vai pra cadeia!
Um estado democrático de direito, abre as portas para a educação e informação como instrumentos fundamentais para a construção de um ambiente de liberdade, sem a interferência de partidos ou governantes ou agências estatais como alimentadores dos veículos de comunicação.

Os cidadãos são livres para fazer o que quiserem, as escolhas e oportunidades são multiplicadas e o exercício da responsabilidade, incutida no berço e na escola, encaminha as pessoas a perceber que não estão sozinhas. O sentimento compartido, a posse e defesa da própria casa, fazenda, fábrica, nesga de mato, rio ou praia, ganha a feição de Pátria – um lugar seguro onde repousam os antepassados.

O paternalismo autoritário decide tudo por todos e sabe que estamos no mato sem cachorro. Amplia-se a dependência de todos os setores à grana ilimitada e aos negócios escusos. Os “diretores, chefes, chefetes e chefinhos” utilizam a propaganda sistemática para manter-nos bem caladinhos e encurralados contra os nossos próprios interesses. O que parecem não entender, cegos pelas luzes focadas neles é que estamos todos no mesmo barco. Salve-se quem puder!

Arlindo Montenegro é Apicultor. Também fabrica geléias fantásticas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sr. Jorge Serrão,
poderia por obséquio declinar os nomes dos senadores que estão com as transcrições das conversas via satélite?
Por que eles não fazem nada? Estão sentados em cima delas para ver o quanto valem, para depois trocar a peso de ouro?
O Sr. sempre tem boas "bombas" na manga, mas elas nunca explodem e eu quero ver esse circo pegar fogo!
Por que nada acontece? Vamos ter que esperar 2010 acabar? Será que agüentaremos? Quem viver, verá!