domingo, 27 de julho de 2008

Durma, com um barulho destes!

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Arlindo Montenegro

Buzinas, freiadas, tiroteios, choro e ranger de dentes. Xingamentos, trios elétricos, metálicos, difundindo música funk insolente tipo “to ficando atoladinha”; jornal de tv mostrando acidentes mortais de trânsito, como os bandidos atuam para assaltar, negociar drogas, seqüestrar, manter o controle de comunidades, eleger comparsas para cargos públicos, comprar votos, negociar pedaços da terra que um dia pensamos ser Pátria... “nossa”.

Notícias de promessas e negação da promessa, da esperança. Aumentos e logo a seguir um “teje preso”! Um dia a dia de vertigens e porradas! “E agora, José?” Como lidar com tantas decisões indecentes que afetam, deprimem e por fim destroem tantas vidas? O que se prenuncia como um basta solene da Justiça, logo some como espuma na areia da praia.

Cansei de xingar os inimigos da vida amorosa percebida e aspirada pela humanidade! Quero contribuir para encontrar uma saída honrosa que preserve e fortaleça um Estado democrático de direito. Um Estado racional. Um Estado em que as decisões sejam tomadas à luz das realidades locais e não de modo centrado em arquiteturas contrárias à harmonia da natureza.

Sugiro que busquemos a coerência reflexiva para corrigir os erros pessoais e coletivos. Só falta saber o que queremos, que pode ser diferente do que eu quero, diferente do que eu acredito. Podemos eleger um critério pétreo para a tomada de decisões que afetam a gente. Gente que merece respeito, que é tratada como estatística, que trabalha e deseja apenas viver com dignidade.

Vasculhando a história percebo as marcas das fogueiras, da tortura, das guerras, todas utilizadas para submeter e destruir, dominar. Manobras para manter o poder do príncipe maquiavélico a quem pouco importa ser amado ou odiado, com aplausos da corte.

Para os que detêm o poder o que importa é: prejudicar os que vivem no território conquistado, que assim, “ficando dispersos e pobres, não podem causar dano algum, enquanto que os não lesados ficam à parte, amedrontados” botando o rabo entre as pernas para não ter o mesmo destino dos foram e são espoliados, mordidos e soprados.

É Maquiavel quem diz que: “os homens devem ser acarinhados ou eliminados” e propõe a escolha ao príncipe: ser amado ou odiado. Com o passar do tempo a gente se dá conta que poucos fizeram por ser amados. Mas utilizaram toda a tecnologia de comunicação, para apresentar-se e ser lembrados com a máscara da bondade, pintada pela maquiagem da propaganda que esconde os traços faciais da brutalidade e do desprezo ao bem comum.

Que perspectivas de mudança divisamos? Quem responde é Adriana Vandoni: “Cansei deste país amoral que considera retidão um defeito e onde a safadeza é contada em mesas de restaurantes como sabedoria empresarial.” (Alerta Total, 25 de Julho 2008) Adiante, esbarro com um comentário anônimo, lembrando as “excelências” do nazismo! Terrível!

Hoje precisamos pensar diferente. Âncoras e muletas ideológicas, únicas maneiras de fazer as coisas, gritos raivosos de que “o povo unido jamais será vencido”, são vícios, pílulas para a dor de barriga que anestesiam a dor do câncer. É preciso encarar que estamos vencidos e sitiados, mesmo os que aplaudem.

Vencidos e sitiados os que insistem na luta racional mantendo a polêmica, vencidos e sitiados os que se armam para matar, extripar e enterrar os “imperialistas americanos”, vencidos e sitiados os que atuam nas instituições a serviço do estado, todos distanciados da Pátria e da nação que trabalha sitiada e amedrontada.

Muita gente sabe, mas parece não querer entender a realidade esmagadora. Muita gente continua ouvindo papo furado de grupos fechados e inflexíveis. Prefiro pensar que, o silêncio diante da força bruta do poderoso estado que avança para o totalitarismo, é auto defesa, esforço possível de preservação do inconsciente coletivo para resguardar o que resta de princípios e valores da família e a tradição cultural.

Alguns pensantes com ampla visão e um pouco mais de informação, atacam, gritam, esperneiam como quixotes. Outros falam baixo ou calam e se fecham em casulos de consciência restrita; existem os que só ouvem a própria voz, parecendo seguir um dogma, um roteiro absoluto que não deve ser mudado, atualizado, corrigido, enriquecido.

“Que metro serve para medir-nos?” Que leis científicas ou espirituais guiam as nossas escolhas e decisões? Que realidades de fato queremos superar? Que vícios devemos combater? Que virtudes defendemos? Em que, ou o quê e quando queremos e devemos mudar?

Até agora, as nações foram guiadas por líderes. Até agora, os tais líderes, por herança, conquista ou eleição, servindo-se de mecanismos cada vez mais aprimorados de persuasão, têm escolhido, como o príncipe ensinado por Maquiavel, amar aos bajuladores, desprezar, isolar ou eliminar os contrários.

Do ponto de vista dos “líderes” o que está em jogo é o poder, é a condução das massas populares para os currais de controle. E hoje o comando se aplica sobre cada pessoa: o que pensa, com quem se relaciona, onde se encontra, o que faz para sobreviver. A existência depende do rg, cpf, telefone, cartões de débito e crédito, vigilância eletrônica no solo e com gps. E logo, loguinho, chips implantados na hora do nascimento.

Para o grande controlador a ideologia, seja qual for, não passa de ferramenta tática para alcançar objetivos estratégicos nas várias frentes de manobra: o objetivo do controlador é conquistar e manter governantes dóceis, obedientes, corrompidos até a alma. Que sejam carismáticos e capazes de acarinhar, isolar ou eliminar quem ameace trabalhar pelo bem comum.

Os maiores vitimados integram os currais do povo que jamais foi adversário do povo. Pequenos contingentes são idiotizados pelos poderosos para usar a violência contra as maiorias pacíficas e impor as regras da convivência social, geralmente dividindo limitando a liberdade de ação e mobilidade em espaços artificiais.

A estrutura burocrática, trabalhando sob gigantes retratos postos nas repartições para lembrar o personalismo dominante, o “olho do dono”, que jamais foi pensado como sugestão humana: “DECIDA COM CRITÉRIO NA MEDIDA DO BEM COMUM”.

É ruim constatar a carência de um líder consciente, inteligente, destemido e honesto além de bondoso. A figura de um pastor para apontar os variados campos de alimento mental e espiritual. Os melhores caminhos. É ruim constatar que a geração de canalhas mascarados, de lobos disfarçados de ovelhas, tem sido maior que a de virtuosos.

Talvez, fosse melhor sermos governados não por um, mas por diversos colégios de líderes locais, escolhidos entre os mais capazes e com um currículo transparente. Vários líderes, atuando em todas as áreas, apoiados por pessoas competentes no lugar de ambiciosos burocratas machistas e pedófilos, corrompidos por oligarcas ambiciosos, distanciados do respeito humano e dos comportamentos civilizados.

Como instituir um núcleo monolítico de poder moral, que auditando as vontades e comportamentos possa guiar, em cada bioma, cada profissão para realizar o bem comum?

Há um ponto de coincidência entre os poderosos “príncipes”: antes de raciocinar e ouvir, para corrigir ações improdutivas, o negócio é dar um tiro, prender, isolar, desmoralizar, utilizando todos os meios convenientes para atemorizar o imaginário coletivo. O bem comum que se dane! Convivendo e copiando estas práticas repressivas e atemorizantes de manutenção do poder e eliminação dos antagonistas, estão os sujeitos da história deste momento incoerente do que se chama “civilização”. Barbárie seria mais apropriado.

A reflexão autocrítica, a visão generosa relacionada ao bem comum se turva. A verdade é tratada como objeto conflitivo e retirada de cena como lixo varrido às pressas pra baixo do tapete. O que deveria ser ponto de partida para a correção de rumo, mesmo que contrário a possíveis interesses, sejam pessoais, do grupo, mesmo institucionais é tratado como ameaça a pessoas ou grupos poderosos que se colocam acima das leis.

Carecemos de um ambiente de discussão política de verdade. Política feita com todas as vontades, diferente de camarilha aliada, sem oposição. O que temos feito é manter a tradição autoritária disfarçada, cínica até. A política de imposições e de terra arrasada.

O que temos feito é combater ideologias e modelos de exploração do trabalho mal recompensado. O que temos feito é combater resultados improdutivos sem buscar e apontar caminhos produtivos, sem pensar ou criar alternativas.

PENSAR BRASIL, buscar o inconsciente coletivo, refletir sobre a história da humanidade, decidir sob o critério do bem comum. Objetivo: uma civilização educada para progredir, em liberdade responsável, na direção de um Estado democrático de direito com a participação e usufruto de todos. Um Estado racional. Um Estado humano.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

7 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Arlindo, penso como o senhor. Hoje mesmo, ao acordar, lembrei-me dos Templários, da Idade Média, que foram masacrados na época e que exerciam a maestria antes de exercer a política. Na época, estudando todas as possibiliades da raça humana e o carma do mundo, que impunha um limite ao seu desenvolvimento, utilizavam-se de estudos cabalísticos, para elaborar caminhos de progresso. Posteriormente, alguns movimentos herdaram essas concepções, que existem até hoje, mas, pelos vistos, foram substituindo o conceito mais ético de maestria por um corporativismo que só traz vantagens aos seus associados. Quando pensamos na conspiração que envolve hoje as relações mundiais, é desses herdeiros mesmos que estamos falando. Isto é uma conclusão minha, pessoal.

Ildomar Marques disse...

Caro Arlindo, apenas leio teus artigos e os acho muito bons, muito inteligentes e que nos inspiram a acreditar um pouco mais no potencial dos brasileiros. Prá um "apicultor" você lida muito bem com as palavras. Sou uma pessoa simples, nao tenho formação nas letras e talvez não tenha lido muitos artigos de tua autoria, mas seria salutar você abordar os altos ideais do ser humano numa perspectiva de dependência a Deus, mais precisamente em Jesus Cristo, e não somente nas força do braço humano (do humanismo). Você encontrará nisso a maior de todas as forças, a do Criador.Talvez você até tenha escrito algo nesse sentido e eu não tenha lido (percebido), se assim for, queira me desculpar-me. De qualquer forma, respeitando todos as crenças, e justamente por isso mesmo, é salutar falar do próprio Deus, Jesus Cristo. Atualmente sou um pescador, talvez eu me torne um apicultor também. Um abração virtual prá você, Ildo Gaúcho. Há,ia esquecendo, meu e-mail: ildogaucho@bol.com.br

Ildomar Marques disse...

Caro Arlindo, apenas leio teus artigos e os acho muito bons, muito inteligentes e que nos inspiram a acreditar um pouco mais no potencial dos brasileiros. Prá um "apicultor" você lida muito bem com as palavras. Sou uma pessoa simples, nao tenho formação nas letras e talvez não tenha lido muitos artigos de tua autoria, mas seria salutar você abordar os altos ideais do ser humano numa perspectiva de dependência a Deus, mais precisamente em Jesus Cristo, e não somente nas força do braço humano (do humanismo). Você encontrará nisso a maior de todas as forças, a do Criador.Talvez você até tenha escrito algo nesse sentido e eu não tenha lido (percebido), se assim for, queira me desculpar-me. De qualquer forma, respeitando todos as crenças, e justamente por isso mesmo, é salutar falar do próprio Deus, Jesus Cristo. Atualmente sou um pescador, talvez eu me torne um apicultor também. Um abração virtual prá você, Ildo Gaúcho.Há ia esquecendo meu e-mail:ildogaucho@bol.com.br ou Yldogaucho@gmail.com

Arlindo Montenegro disse...

Rô, no Tratado de Simbólica, (CD anexo ao livro) Mario Ferreira dos Santos comenta sobre a existência dos Templários, nos dias atuais.
Sem dúvida existem muitas pessoas reflexivas e conscientes.
Segundo Mario Ferreira, é possível que grupos de Templários reunam-se em Lojas Maçônicas.
Entre os maçons existem lojas (não todas) que congregam mentes escolhidas entre as melhores. Como existem outras que contam entre seus filiados algumas figuras marcadas e atuantes nos corredores mais sujos do poder.
O fato é que o ambiente cultural do mundo em que vivemos é refratário às idéias racionais mais conservadoras, que primam pelo respeito humano, mente aberta, progresso continuado, liberdade, estado democrático de direito, etc.
O que me gratifica é encontrar pessoas de mente aberta.

Anônimo disse...

A raiz de todos esses descaminhos alinhavados por você é a democracia.
Não aquela, utópica, idealizada pelos gregos, mas esse regime tirânico implantado no Brasil, onde a democracia existe porque se vota e se vota porque existe democracia. Só. Nada mais precisa para ser democracia. A obrigação do cidadão votar implica em nenhuma retribuição do sistema, que pode tudo: eleger bandidos para fazer leis para a manada plácida cumprir, sangrá-la com impostos sufocantes, dispor do dinheiro como bem lhe aprouver, inclusive roubá-lo, pactuar com o crime organizado, promover uma corrupção avassaladora e manter os três poderes em estado de putrefação.
Enquanto a classe média continuar anestesiada e paralisada, bancando esse regime escravizante, nada muda, aliás, tudo piora, até ao ponto em que não mais haverá classe média. Aí é só esperar 70 anos...

Anônimo disse...

O anonimo das 4:37 PM esta coberto de razao. O brasileiro e refem de uma pseudo democracia pra enganar trouxa. O que existe e um sistema de governo perverso com o objetivo de perpetuar no poder uma classe politica corrupta e perdularia.
A impressao que da e que o cidadao brasileiro e devedor do estado quando na realidade deveria ser o contrario.
A passividade bovina do brasileiro e unica no mundo.

Anônimo disse...

Caro Montenegro, há pessoas perplexas como eu que não sabem onde encontrar essas pessoas íntegras, com conhecimento capaz de fazer um contraponto superior a toda essa vileza em que estamos vivendo. Peça a eles que se manifestem um pouco mais, que publiquem um pouco mais, para que possamos achá-las. A discussão atual entre esquerda e direita é muito pobre. É preciso discutir humanidade, espiritualidade, ética, amor à vida...