quarta-feira, 23 de julho de 2008

Prender figurões como exemplo

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Márcio Accioly

Se o delegado Protógenes Queiroz não tomar cuidado, terminará indiciado por conta da Operação Satyagraha que apura esquema de desvio de verbas públicas e crimes financeiros. Os advogados do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), protocolaram na corregedoria e na direção-geral da PF uma representação contra Protógenes.

O problema é que o parlamentar piauiense foi citado em várias ligações telefônicas interceptadas por decisão judicial, e agora está tendo problemas para explicar seu envolvimento com o banqueiro Daniel Dantas. Ele quer saber quem vazou as informações a seu respeito.

Mas não é só Heráclito Fortes que aparece nas tramas dos telefones grampeados. Tem muita gente que ficou calada de repente e resolveu tirar férias compulsórias enquanto a poeira não assenta.

Já se descobriu até mesmo que Daniel Dantas não tem nada a ver com o Banco Opportunity. Quem primeiro contou a história com todas as letras foi a jornalista da área econômica Miriam Leitão, tida e havida como ligadíssima aos banqueiros nacionais. Ela se indignou com a tentativa de prisão de Dantas.

A marca Opportunity pertence a Dantas, mas ele simplesmente a aluga. Dito isso, ele nada tem a ver com relação à administração do Banco, mesmo despachando lá dentro em uma de suas salas. Quer dizer: a responsabilidade deveria ser dos laranjas. E ainda levaram o senador Heráclito Fortes no arrasto. Ninguém tem culpa de nada.

As Assembléias Legislativas das várias unidades de nossa Federação continuam na berlinda. Depois do arraso dos gafanhotos em Roraima, da roubalheira em Rondônia, crimes de morte em Alagoas, etc., eis que o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) foi preso no Rio de Janeiro.

Sua excelência caiu em flagrante, dentro de casa, numa reunião que efetuava “com membros de suposta milícia” a quem a polícia identifica como Liga da Justiça. E ainda há quem diga que o crime organizado é outro, e não o Estado brasileiro.

Natalino tem um irmão vereador, Jerônimo Guimarães, o “Jerominho” (PMDB), que está preso e é apontado juntamente com ele como chefe de milícia. O desmonte no Brasil de Norte a Sul é de meter medo a qualquer um que tenha o mínimo de juízo.

Não existe punição no chamado alto escalão, porque o entrelaçamento entre as figuras ditas de proa gera acumpliciamento devastador. Ao cidadão resta apenas pagar mais de cinco meses de salários por ano, só com impostos, para sustentar luxo e mordomia dos que “se sacrificam” para salvar a nação.

E as coisas não dão a impressão de tão difíceis de serem resolvidas. Basta observar o exemplo da tolerância zero na questão da lei seca. Foi só colocar a polícia na rua, e suspender por um ano a carteira de habilitação de quem é flagrado dirigindo embriagado, para que o número de acidentes fosse reduzido magicamente.

Se existisse também tolerância zero no quesito corrupção, o Brasil iria promover limpeza admirável na administração pública. Poderia até demorar um pouco, mas os resultados seriam positivos.

Mas como retirar ladrões do Executivo, Legislativo e Judiciário que formem teia de proteção em defesa de interesses mútuos? Nem adianta falar em regime militar, porque a corrupção e tortura imperaram sem qualquer resultado prático.

A primeira medida seria a construção de presídios, encarcerando até mesmo presidentes e ex-presidentes da República, fosse o caso. Há de se cumprir a lei e vedar brechas na legislação. Seria bom início. Mas quem irá colocar guizo nos gatos?

Márcio Accioly é Jornalista.

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