sábado, 23 de agosto de 2008

Yes, nós somos de Esquerda

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Por Maria Lucia Barbosa


Em poucas palavras Jean-François Revel, no prefácio da magistral obra de Carlos Rangel, Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário, mostrou a trajetória de séculos da América Latina: “A história da América Latina prolonga a contradição que lhe deu origem. Oscila entre as falsas revoluções e as ditaduras anárquicas, a corrupção e a miséria, a ineficácia e o nacionalismo exacerbado”.

Sem dúvida, essa apropriada análise feita por Revel, em 1976, não se alterou em essência. E é uma realidade da qual o Brasil, com algumas nuanças e diferenças, também faz parte.
Essa história de fracassos e frustrações é confrontada com uma humilhação adicional: o êxito quase indecente para os latino-americanos, dos Estados Unidos. Acrescente-se que a incapacidade para construir Estados democráticos modernos e economias prósperas conduziu a América Latina à tendências revolucionárias, muitas de cunho esquerdista e capitaneadas por lideranças populistas, que trouxeram a seus países mais fracasso e miséria.

Para citar alguns exemplos lembremo-nos da revolução mexicana de 1911, do socialismo peruano de 1969-1974, do justicialismo peronista que arruinou a então próspera Argentina e a mais marcante de todas: a revolução cubana que destruiu a economia da Ilha e a manteve sob o totalitarismo implacável de Fidel Castro. Este, porém, se tornou o símbolo da desforra contra os Estados Unidos e, apesar das atrocidades que cometeu contra os que ousaram contestar seus métodos soviéticos, encarnou o mito do “bom revolucionário”, a figura que encanta o imaginário coletivo latino-americano, ou seja, uma espécie de D. Quixote do comunismo de terceiro-mundo, enquanto o sanguinário e psicopata Che Guevara é até hoje louvado um Cristo laico.

Fidel foi e é a desforra contra o sucesso insuportável dos Estados Unidos. Por isso, yes, orgulhosamente somos todos de esquerda, o que inclui o glorioso governo petista. O maldito império norte-americano só serve para fazermos cursos, turismo, tratamento de saúde, compras. Milhões de brasileiros se evadem para lá viver, trabalhar, ganhar em dólar, esse excremento do diabo. Mas não sabemos o porquê disto já que o Brasil de hoje, sob o governo de Lula da Silva, se converteu num paraíso onde o trabalho é abundante, só existem classes alta e média e a Saúde e a Educação são exemplos magníficos para o mundo.

No momento a grande sensação é a Olimpíada de Pequim. Afinal, a China encarna um império de esquerda. Á bem da verdade a China é capitalista na economia e comunista na política, modelo sonhado para nós pelo ex-revolucionário teórico, ex-ministro, ex-deputado e ainda todo-poderoso das sombras, José Dirceu. Quem sabe chegamos lá no terceiro mandado.

Portanto, não importa se a China viola direitos humanos com sua tradicional crueldade. Também não interessa se a China, com milhares de execuções por ano, é responsável por mais da metade das execuções que ocorrem em todo planeta, se deixa bebês do sexo feminino morrendo nas sarjetas, se tortura crianças desde bem pequenas para que se tornem os atletas perfeitos das Olimpíadas com um falso sorriso afivelado no rosto.

O trajeto da tocha olímpica pelo mundo foi marcado por protestos, especialmente com relação ao Tibete, o que para brasileiros deve ter soado como algo desconhecido ou sem interesse. Será que algum compatriota se perguntou diante da repressão chinesa aos protestos em prol do Tibete, pelo menos porque diabos aquilo estava acontecendo?

Poucos no Brasil devem saber que no Tibete o genocídio perpetrado pelos chineses foi marcado por requintes de atrocidade sinistra e as mortes violentas atingiram uma proporção mais numerosa do que em qualquer outro território do conjunto chinês. Segundo o Dalai-Lama, “os tibetanos não foram apenas fuzilados, foram espancados até a morte, crucificados, queimados vivos, afogados, mutilados, mortos por inanição, estrangulados, enforcados, cozidos em água fervente, enterrados vivos, esquartejados ou decapitados” (O Livro Negro do Comunismo).

Também, centenas de milhares de tibetanos tornaram-se prisioneiros em campos de concentração e mais de 170.000 morreram no cativeiro. Além disto, houve o genocídio cultural com a destruição de templos e de seus manuscritos seculares, afrescos, estátuas, relíquias, tudo destroçados pela brutalidade chinesa.

Os protestos havidos durante a passagem da tocha, que no Brasil não veio, tentaram relembrar ao mundo esses horrores e os infelizes tibetanos que ainda vivem subjugados no seu país de neve e de deuses. Isto, porém, não nos interessa porque, yes, nós somos de esquerda. Sem medo de ser felizes fomos à Pequim e reeditamos nos jogos nossos fracassos e frustrações históricos expressos nos pífios resultados obtidos.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

6 comentários:

Anônimo disse...

Quando a Maria Lúcia acreditar na existência dos illuminati, eu darei atenção ao que ela escreve, embora ela faz isso tão bem como se ela acreditasse na existência dos tais illuminati.

No dia que ela pesquisar sobre os illuminati, os textos dela ficarão ainda mais incríveis.

Critiquei? Sim, mas não pude de citar as qualidades de Maria Lúcia. Go ahead!

Anônimo disse...

Antes era URSSxEUA. Agora é ChinaxEUA. Aparentemente. Aos olhos dos telespectadores, que não conhecem os detalhes escabrosos, a China sai como a milenar nação com uma cultura invejável. Um povo disciplinado e organizado ao extremo. A vitrine vai render aplausos e mais comércio. As portas estão abertas para uma nova onda de proselitismo comunista.

Anônimo disse...

A Revolução cubana acabou com a economia da ilha???
Engraçado que ninguém se lembra (a mídia nunca toca no assunto) como era a ilha ANTES da revolução.
Cuba simplesmente era conhecida como o Bordel dos EUA. Isso é só p/ se ter uma idéia.
Grande Abraço.
Roberto.

Anônimo disse...

Pequenas Frases, Grandes Significados

Frases cuja essência tem como objetivo ajudar no nosso progresso, na nossa caminhada interior e na nossa elevação moral-espiritual.

Comunidade para as pessoas que adoram REFLETIR sobre: O AMOR, A VIDA, AS PESSOAS, O MUNDO, O UNIVERSO, OS MEDOS, OS SONHOS e DEUS.

Frases de filósofos, psicoterapêutas, pensadores, escritores, gênios, livros de auto-ajuda e populares.

Alguns Grandes: Aristóteles, Gandhi, Galileu Galilei, Madre Tereza de Calcutá, Albert Einstein, Shakespeare, Martin Luther King, Charles Chaplin, Simone de Beauvoir, Fernando Sabino, Max Planck, Erasmo de Roterdam, Thomas Edson, Jesus, Platão, Amir Klink, Voltaire, Sócrates, entre muitos outros!

Enfim, uma comunidade para quem quer melhorar-se, crescer em conhecimento e adquirir novos aprendizados para facilitar a vida!


Frase da Semana: “Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade.” Pearl S. Buck

Anônimo disse...

NÃO A ESQUERDA.

Anônimo disse...

"China e Estados Unidos devem se respeitar e se acomodar às preocupações do outro, para poder colocar sobre a mesa temas sensíveis na relação entre ambos os países, particularmente o assunto de Taiwan", lembrou Hu.
A "Xinhua" diz que Obama considerou que a China "é uma grande nação, cujo desenvolvimento e sucesso coincidem com os interesses dos Estados Unidos".
O próximo presidente americano disse a Hu que as relações entre a China e os EUA são "de vital importância no contexto internacional atual (...) e não só beneficiam os interesses dos dois países, mas ao mundo inteiro".
Assim, Obama acredita em aumentar a coordenação com a China em assuntos como segurança, mudança climática e disputas regionais.