quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Taxa real de juros (continua a mais alta do mundo), spread bancário absurdo e impostos inviabilizam o Brasil

Edição de Quinta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão


O Brasil continua com a maior taxa real (descontada a inflação) de juros do mundo. Teve efeito mais pirotécnico que real a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual, para 12,75% ao ano. Os nove membros do Copom fizeram uma média com o mercado e atenderam ao insistente pedido do chefão Lula para dar uma diminuída na taxa selic.

A redução de 1 ponto percentual da taxa Selic trouxe a taxa real de juros para 7,47% a.a. Mas persiste o problema estrutural da política econômica brasileira – uma simbiose entre um governo perdulário e ineficiente com banqueiro que especulam e apostam em lucros cada vez mais recordes. Continua alto o spread bancário (diferença entre a taxa de aplicação e a taxa de captação dos recursos dos empréstimos). Quanto maior o ‘‘spread’’, maior o lucro dos bancos nas operações. A economia real que se dane.

Para alegrar o chefão Lula, os cinco maiores bancos do País anunciaram “quedas em seus juros”. Os bancos adotaram novas tabelas prometendo empréstimos mais baratos. Os bancos privados limitaram a baixa a 0,08 ponto ao mês, equivalente a um ponto no ano. O Banco do Brasil foi o mais agressivo e reduziu os juros em até 0,57 ponto para o crédito ao consumidor. Apesar da marketagem, os bancos continuam oferecendo resistência a conceder empréstimos de curto prazo para cobertura emergencial de fluxo de caixa – que é a necessidade das empresas agora.

A queda dos juros de um patamar altíssimo, para um nível ainda muito alto, faz pouca diferença na prática. As questões estruturais da política econômica não se alteram. Em um mundo que precisa crescer e produzir para superar a crise, o Brasil continua praticando o atraso macroeconômico. A maior demanda do mercado continua sendo o parcelamento de dívidas e a redução de impostos.

A primeira deve acontecer na base da pressão. Quem não tem dinheiro (ou alega não ter) para honrar seus compromissos, vai usar o poder de risco do calote para forçar uma renegociação. Mas a segunda reivindicação dificilmente sairá do papel no curto prazo. A tal reforma tributária nunca sai do papel. Não passa de conversa para o Sapo Boi fazer marketagem com o pesadelo alheio.

O modelo brasileiro tem uma armadilha fatal. Se o governo baixar os hoje elevadíssimos e variados impostos, sua arrecadação pode caiar mais ainda. O problema estrutural é que o governo não baixa seus gastos, e não pratica investimentos realmente produtivos. O Estado é perdulário. Trabalha em favor do bolso de pequenos grupos – e não em prol da produtividade geral. Enquanto tal realidade não mudar, qualquer medida das autoridades econômicas será mera marketagem.

Divisão clara

Apesar da maior redução de juros desde novembro de 2003, o recuo estratégico de ontem mostrou uma clara divisão entre os diretores do BC.

Cinco votaram a favor da queda de um ponto na selic, enquanto três membros queriam apenas 0,75.

A expectativa é de que os cortes tenham continuidade e que em sua próxima reunião, em 10/11 de março, o Copom baixe a taxa básica em mais 0,50 ponto, pelo menos.

O desgoverno espera que a Selic volte ao menor nível de 2008 (taxa real de 6,70% em março).

Papo de economês

Em comunicado, o BC afirmou que, em meio a forte pressão política, a decisão foi técnica...

"O Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros".

Segundo o texto, a decisão não trará prejuízo ao cumprimento da meta de inflação.

Interpretação livre

O comunicado divulgado pelo Copom procurou limitar uma eventual onda de otimismo no mercado financeiro ao afirmar que o corte decidido ontem representa uma "parte relevante" do movimento de queda que pretende fazer na taxa básica de juros.

A ressalva sobre a "parte relevante" do ajuste foi interpretada de duas maneiras pelo mercado.

Uma parte dos analistas entendeu que o Comitê pretendeu indicar que o próximo corte, na reunião de 11 de março, poderá ser de 0,75 ponto e não novamente de um ponto.

Outra parte considerou que o alerta aponta para a manutenção da taxa de 12,75%em li de março.

Mais previsões

A interpretação do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, é que os próximos ajustes devem ser menores, totalizando uma redução entre 2,5 e 3 pontos no ano.

Mas, para André Lóes, do HSBC, a indicação é justamente de que o BC vai agir com maior agressividade.

O consenso é que, na prática, o que vale é a reação do BC com a retomada do ciclo de afrouxamento monetário.

Péssimo exemplo

O setor da indústria que mais demitiu no último bimestre de 2008, o de alimentos e bebidas, foi o que obteve mais recursos do BNDES (R$ 8,6 bilhões, 11% do total de janeiro a novembro).

Em compensação, ao longo de 2008, o segmento foi o que mais contratou, criando 57,5 mil postos.

No fim do ano, porém, com a crise e seus efeitos psicológicos, o setor fechou 123,2 mil vagas.

Estagnação

O varejo não conseguiu dar fim aos produtos que comprou para atender as vendas de fim de ano e ficou com estoques acima do planejado.

Reduziu encomendas à indústria, que agora também tem estoques em excesso.

Pelo menos 48% das empresas do setor eletroeletrônico estão com estoque acima do planejado, entre produtos acabados e insumos.

Teoria desgraça a prática

Algumas perguntas precisam ser feitas, depois da pirotecnia do Copom em baixar s juros:

As prestações dos empréstimos vão caber no orçamento das empresas e famílias?

As empresas que suspenderam a produção voltarão a investir, garantindo os empregos existentes e contratando novos funcionários?

Quem adiou compras vai retomá-las, movimentando os estoques das lojas e estimulando as encomendas à indústria?

Se o consumo e a produção retomarem o fôlego, será revertida a onda de desemprego que tomou conta do País?

Jogo duro

A República Sindicalista está em festa com a desgraça econômica.

O Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos vai à Justiça pleitear a reintegração de 802 trabalhadores demitidos pela GM.

Decisão anterior do TRT da 2ª Região determinou que demissões em massa estão sujeitas a negociação prévia.

Investindo em 2010

O governo deve anunciar na próxima semana um pacote de estímulo à habitação, com concessão de crédito para a compra de material de construção.

Seria uma forma de estimular um dos setores que mais empregam no País.

E de dar uma aliviada a um dos setores que mais contribui nas campanhas eleitorais...

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Janeiro de 2009.

10 comentários:

Anônimo disse...

Falta pouco pra o governo se meter na mesa, determinando as rações em cestas básicas específicas para cada grupo social: feijão, farinha e cachaça para a maioria, ovo com batata frita arroz e feijáo para outro grupo e assim sucessivamente até o caviar com torradinhas e champanhe.
Isto é tirania! Os caras não deixam um mínimo espaço de decisão e criatividade. Amarram tudo à dependência da mercadoria dinheiro com juros que sangram a nação e pagam os banqueiros internacionais que controlam tudo.
LuLu finge que não sabe nada, mas é esperto para opinar sobre tudo.

Anônimo disse...

A VERDADE ESTÁ NA CARA
Arnaldo Jabor

Brasileiro é um povo solidário. Mentira.

Brasileiro é babaca. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque diz ter uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.


Brasileiro é um povo alegre. Mentira.

Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.


Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo- que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.


Brasileiro é um povo honesto. Mentira.

Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.


90% de quem vivem na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.

Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha alternativa, e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3, mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com
a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.


O Brasil é um país democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense nisso!

O famoso jeitinho brasileiro. Em minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeão do mundo né? Grande coisa...
O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.


Deus é brasileiro.

Puxa, essa eu não vou nem comentar... O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.


Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece!

Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meu sentimento amigo continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, biodiesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

Anônimo disse...

Apesar da Venezuela ter um Hugo Chaves, que dise que ia ser do jeito que é antes de ser eleito, lá se enche o tanque de combustível de 70 litros de um veículo a gasolina por pouco mais de R$ 3,00 e roda-se o dobro da kilometragem que um mesmo carro rodaria com combustível brasileiro, um peneu importado tem 1/3 do valor do comprado no Brasil, as estradas são de ótima qualidade e a cerveja de 300ml custa R$0,70. Comparamdo-se os dois paises da pra ver de onde vem tanto dinheiro para esses "RATOS" ficarem roubando, fazendo graça e ninguém faz nada. Eita paiszinho sem vergonha onde nem é preciso ir para um boteco para ouvir um pé inchado cheio da pinga falar babozeiras. Basta ligar a GLOBO e CIA.

Anônimo disse...

22/01/2009 -


Quartiero confirma convite de Chavez para plantar na Venezuela



Foto: Arquivo/Folha

Rizicultor Paulo Cesar Quartiero diz que produção de arroz aumentou este ano


Cyneida Correia

O produtor de arroz e ex-prefeito de Pacaraima, Paulo Cesar Quartiero, confirmou que foi convidado pelo presidente Hugo Chávez para plantar na Venezuela. “A gente tem uma amizade. Ele é solidário com a situação dos latino-americanos e o sonho dele é a integração da América Latina. Eu acho que se pode até criticar seu modo de atuação, mas não seu patriotismo. Temos as mesmas idéias de necessidade de soberania nacional e afirmação de nossos respectivos países como nações. Nessa questão, todo patriota tem o mesmo pensamento”, explicou.

Quartiero foi o líder do movimento de resistência à retirada de produtores de arroz e não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol, área localizada na fronteira do Brasil com a Venezuela e que foi palco de grande conflito.

Na próxima semana, o rizicultor vai visitar terras no país vizinho onde poderá iniciar plantações de arroz, milho ou soja. “Eu realmente recebi o convite e estou indo na semana que vem dar uma olhada nas terras, mas não devo plantar arroz, apenas soja e milho que são as bases alimentares da Venezuela. Eu já conheço algumas áreas agrícolas, mas quero conhecer mais e ter uma noção melhor do que podemos escolher lá”, disse.

O produtor ocupa hoje quase dez mil hectares de terra em Roraima, onde planta arroz que abastece todos os estados da Amazônia, incluindo Roraima, Amazonas e Pará. Janeiro é época de colheita e apesar das chuvas que caem torrencialmente na região, aumentou sua produção e pretende colher quinhentas mil sacas, cem mil a mais que no ano passado.

“Aqui eu planto, mas não recebo incentivo, pois se quiser escoar minha produção, tenho que arrumar estrada, fazer manutenção de ponte e até consertar balsa. O governo só aparece na hora de comprar, mas na hora de ajudar, não ajuda. Se fosse assim e eu não fosse perseguido ainda vá lá, mas sou taxado de invasor e criminoso em meu país”, reclamou.
O governo venezuelano teria oferecido grandes vantagens para Quartiero mudar suas plantações para o país vizinho, mas o produtor afirmou que não acredita mais em promessas políticas e criticou o governo brasileiro pelo posicionamento em relação à Raposa Serra do Sol.

“Espero que na Venezuela me permitam trabalhar e realmente dêem incentivo à agricultura, coisa que o governo brasileiro não está fazendo. Sinceramente, eu não acredito em incentivo de nenhum governo, eu quero simplesmente liberdade para poder trabalhar e ser respeitado como produtor”, esclareceu.

Quartiero também reclamou dos impostos que paga no Brasil e classificou de “extorsão” a política fiscal brasileira. “A política fiscal da Venezuela é diferente do Brasil. Aqui chega a 40% o que pago de impostos e lá o que vou gastar não vai passar de 10 a 15 %. O governo não tem política fiscal de extorsão na Venezuela” explicou.

Quando questionado se iria abandonar Roraima e o Brasil, o produtor de arroz mostrou-se bastante magoado e disse que ele não tem mais pátria. “Eu não vou abandonar Roraima. Eu fui expulso do Brasil, sou um sem terra, sem produção, sem país. Eu sou um pária no Brasil, um brasileiro que foi expulso do seu país e aceito no país vizinho”, concluiu.

fonte, www.folhabv.com.br

Anônimo disse...

22/01/2009 -

Fonte: a A A A

Índios contrários à homologação protestam



Bos Vista-RR

Homens, mulheres e crianças cantam e dançam na praça do Centro Cívico, durante as manifestações


MARCOS RAIYLSON

Cerca de 200 índios de comunidades indígenas ligados à Sociedade dos Índios Unidos do Norte de Roraima (Sodiurr), contrários à homologação da reserva Raposa Serra do Sol de forma contínua, iniciaram na manhã de ontem uma manifestação na Praça do Centro Cívico. Eles reivindicam uma presença mais efetiva dos governos Federal e do Estado, com postos de saúde, escolas e segurança.

Homens, mulheres e crianças indígenas participam da manifestação. Eles instalaram uma tenda na praça, onde tem água e alimentos. Os índios estão pintados a caráter e entoam cânticos e fazem danças tradicionais.

No início da manhã de ontem, uma viatura do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi deslocada até o local e orientou os índios para que a manifestação continuasse pacífica e que não usassem arcos e flechas como armas.

De acordo com o presidente da Sodiurr, Sílvio da Silva, a ocupação dos índios na praça permanecerá até que o Estado, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) se manifestem sobre suas reivindicações.

“Estamos sem condições financeiras para manter nossas necessidades básicas. Atualmente a comunidade precisa de transporte para locomover os índios dos locais mais afastados da Capital. Mesmo assim, ainda faltam estradas de acesso aos povoados, alimentos, educação e saúde especificamente nas comunidades de Santa Creuza, Santa Rita, Nova Cidade, Cidade Nova e Maracanã, todos próximos ao Município de Uiramutã. E só vamos sair da praça quando formos ouvidos pela Funasa, Funai e Governo do Estado”, disse.

A reivindicação contra a demarcação contínua da área indígena foi motivada pelo fato deles defenderem seus direitos. Segundo Silva, a homologação contínua das terras impossibilita o desenvolvimento social das comunidades indígenas. Além disso, ele afirmou que os índios querem uma integridade social com os não-índios. “Não queremos viver somente de caça e pesca, queremos espaço na sociedade para expandir e trocar conhecimentos, como também desenvolver o trabalho de agricultura. Em nossa comunidade temos eleitores, professores e enfermeiros, por isso não acho necessário haver um isolamento de uma área onde os índios pensam em participar ativamente do processo de desenvolvimento econômico do Estado. Ou seja, queremos uma demarcação em ilha”, afirmou, completando que os índios que são favoráveis à demarcação contínua são de comunidades que vivem de recursos de ONGs estrangeirais.

O tuxaua Avelino Pereira, da comunidade Santa Rita, no Município de Uiramutã, disse que sua comunidade não concorda com a demarcação. “Somos uma civilização inteligente, educada e todos que vivem em nossa comunidade são índios Macuxi, e não estrangeiros. E quando oito ministros do Supremo Tribunal Federal deram uma decisão favorável à demarcação das terras nos provocou. Queremos que o Governo Federal nos ouça agora”, disse.

Pereira menciona a importância do papel desempenhado pelo presidente da República, Lula da Silva (PT), e pede sua presença nas terras indígenas a fim de solucionar o problema. “Não somos de acordo com o ato do presidente Lula, que prometeu nos ouvir e nem está levando em consideração nosso pedido pela conservação da harmonia em Roraima”, disse.

Em apoio à manifestação do grupo ligado ao Sodiurr, estavam presentes líderes dos grupos Alidcirr, Arikon, Amkb, Ceikal e Oider, expondo uma faixa com a seguinte frase: “Também queremos ser ouvidos”.

Na manifestação estão presentes indígenas das comunidades Flechal, Santa Creusa, Santa Luzia, Monte Moriá II, Sarabatana, Santa Rita, Sorocaima I, Maracanã, Nova Cidade e Cidade Nova.

Apesar da decisão favorável da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à manutenção da demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, o julgamento só será concluído em fevereiro devido ao pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello.

FUNAI – A Folha entrou em contato com a Funai para esclarecimentos a respeito das reivindicações dos índios, porém o órgão disse que somente se manifestará mediante apresentação de um documento por parte dos manifestantes.

FUNASA - O coordenador regional da Funasa, Marcelo Lopes, em entrevista à Folha, disse que o atendimento as comunidades próximas a Uiramutã, como Santa Creuza, Santa Rita, Nova Cidade, Cidade Nova e Maracanã, funciona com equipe de saúde multidisciplinar e em forma de rodízio.

Ele afirmou que os postos médicos de saúde são instalados somente onde há uma grande demanda de população indígena. Segundo ele, em cada comunidade dessas, onde existem cerca de 50 índios, devem ser assistidos pelos postos de atendimento instalados no município mais próximo, Uiramutã.

CIR – Em repostas às manifestações, o coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito Macuxi, disse que a manifestação dos índios contra a Terra indígena Raposa Serra do Sol é um desrespeito contra as autoridades brasileiras da mais alta Corte judicial.



Julgamento da Raposa Serra do Sol deverá ser em fevereiro

Aproximadamente 19 mil índios vivem em uma área de 1,7 milhão de hectares, o que corresponde a 8% do Estado de Roraima. Os arrozeiros ocupam cerca de 1% da reserva.

Entre vários conflitos, em abril do ano passado, a Polícia Federal (PF) preparou uma operação de retirada dos arrozeiros. Diante da possibilidade de um conflito armado, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a medida até uma decisão final, prevista para dezembro de 2008.

O julgamento da demarcação da reserva indígena foi adiado no dia 10 de dezembro pelo STF, com oito votos favoráveis à demarcação das terras contínua.

O adiamento ocorreu porque o ministro Marco Aurélio Mello manteve o pedido de vista que já havia antecipado na primeira parte da sessão do julgamento. O relator, ministro Carlos Ayres Britto, tentou argumentar que a maioria já estava formada e, portanto, o pedido de vista não caberia ao caso. Contudo, o presidente Gilmar Mendes preferiu aguardar a manifestação de Marco Aurélio para proclamar o resultado oficial previsto para fevereiro.

Os votos finalizados foram os dos ministros Carlos Ayres Britto, relator da ação, Carlos Alberto Menezes Direito, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ellen Gracie. Assim, ainda faltam votar Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Gilmar Mendes.

fonte. folhabv.com.br

julio disse...

Eleger este é mesmo ser idiota.
brasileiro gosta de trocer para bandido...


ESTA É A FRASE DA SEMANA,

"O pior atentado que se pode cometer contra Lula, além de alvejá-lo com um mortífero dicionário, é atirar-lhe uma Carteira de Trabalho."

(Esperidião Amin)

Anônimo disse...

"Desemprego no Brasil fica em 7,9% em 2008, menor desde 2002" ahahaah...manchete de portal de noticias petralha eh muito engracado... eles torcem e retorcem pra que a coisa sempre fique a favor do governo lulistico... se possivel fosse, eles retornariam no tempo, a epoca do Brasil Colonia, pra tentar justificar dizendo que o desemprego da era petista eh menor do que os de outras epocas... eh a turma do copo esta meio cheio ou meio vazio?

MIL-B disse...

A mídia amestrada tenta a qualquer custo blindar Lula, pelo fato dele ser de esquerda. A mídia não quer que o povo saiba que quem financia o Comunismo é o dinheiro dos banqueiros internacionalistas capitalistas. Agora essa de desemprego baixo em plena era de demissões em massa. Anauê!!

Tio Vader disse...

Gostaria de ter seu blog em minha lista de favoritos, no meu blog CRÍTICAS DO COTIDIANO:

http://criticas-do-cotidiano.blogspot.com/

Aguardo contato, boa noite e parabéns, ótimo post.

Anônimo disse...

Esses p* só vão compreender a m* que estão fazendo quando o país falir, a economia entrar em uma brutal recessão, a arrecadação
fiscal cair pela metade, o funcionalismo e os aposentados ficarem sem receber e o pau quebrar em cada esquina, tudo isso
junto com hiperinflação, desemprego e explosão da criminalidade.
Breve, em 2 ou 3 anos...
Não tem como ser diferente, face ao
que o Serrão comentou...