domingo, 22 de fevereiro de 2009

O carnaval do capimunismo chinês

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Por Jorge Serrão


Quem tem reservas internacionais estimadas em quase US$ 2 trilhões pode se dar ao luxo de cair na folia em plena crise global. A República Popular da China tem dinheiro a rodo para investir em ativos reais pelo planeta afora. Comunistas no autoritarismo de sua política (aliás, nunca conheceram democracia em sua história) e capitalistas (até selvagens) na economia, os chineses seguem firmes em seu projeto de hegemonia global, antecipando-se ao quase certo agravamento da desestruturação econômica nos EUA.

Os capimunistas chineses botaram o bloco econômico na rua. A ideologia comunista é mera alegoria. Só vale como instrumento de dominação e controle internos. Para os chineses, berra mais alto o pragmatismo dengxiaopingano de “pegar o rato, não importa com que gato”. Por isso, os capimunistas chineses partem com tudo para cima de negócios seguros e promissores em países “emergentes” (ou que só fingem que se desenvolvem, como é o caso, infelizmente, do Brasil).

No tsunami de conquistas econômicas, o Banco Industrial e Comercial da China – considerado o maior do mundo em valor de mercado - pede passagem na passarela dos investimentos globais. Aqui no Brasil, o braço dos chineses é o Standard Bank (um conglomerado financeiro sul-africano, com capital chinês). O BICC, que tem 20% de participação no Standard, planeja usar o banco como plataforma de investimentos na América do Sul – principalmente em terras tupiniquins.

As empresas brasileiras que se cuidem. Os chineses vêm prontos para o arrastão econômico. A turma do Standford só pensa naquilo: fusões & aquisições. O objetivo deles é promover investimentos contra-cíclicos. Onde a crise infesta, o dinheiro chinês se manifesta e, no fim, faz a festa, assumindo o controle do negócio. A Arte da Guerra Econômica está em marcha batida, mesmo sem a presença do general Sun Tzu (que hoje seria um consultor de muito sucesso).

Os chineses vão usar seus dólares sobrando (enquanto eles ainda valem alguma coisa) para montar fundos de investimento e comprar empresas na América do Sul. O objetivo é assimilá-las e agora e vendê-las, depois, com lucro. De imediato, o negócio consiste em proteger as reservas chineses com ativos reais, de menor risco e grande liquidez no curto e médio prazos.

Os capimunistas não brincam em serviço. Semana passada, injetaram US$ 6 bilhões em um fundo conjunto de desenvolvimento, com a Venezuela do Chapolim Colorado Hugo Chávez. Até 2015, o objetivo é aumentar para 1 milhão de barris/dia as exportações de petróleo da Venezuela para a China. Também a estatal chinesa de alumínio, Chinalco, adquiriu 15% da mina de cobre chilena Escondida – a maior do mundo.

A China colhe os frutos da política firmada por Deng Xiaoping. O esperto chinês liderou “quatro modernizações” que considerou necessárias e fundamentais para a China avançar no século XXI: a modernização da agricultura, da indústria, da ciência e tecnologia, e do setor militar. Deng implantou, na prática, os slogans "socialismo com características chinesas" e "economia socialista de mercado". Os resultados aparecem agora. A China potência de verdade – e não apenas no discurso comunista, no qual tudo é sempre maravilha.

Aqui no Brasil da República Sindicalista – onde sobra mosquito da Dengue, e falta um espírito de liderança (mesmo que de um Deng) -, a marolinha vai produzindo desemprego e tantos medos dele oriundos. O chefão Lula não lidera modernização de nada. Vende-nos, apenas, o conto do PACo, com fins eleitoreiros e financeiros (agradar aos aliados empreiteiros).

E o “popular líder” ainda manda o povo consumir, mesmos em renda, mas usando o crédito a juros e spreads elevados – que tantos lucros dão aos aliados banqueiros, com quem agora Luiz Inácio finge brigar, no mais cínico teatrinho.

É neste cenário de grandes oportunidades, para quem tem dinheiro sobrando, que os chineses farão seu carnaval. Apenas a barreira cultural pode atrapalhar a empreitada dos guerreiros econômicos (com cara de Mao mas estratégia de Deng).

Abram alas, empresários sem visão. O capimunismo pede passagem. Tomem cuidado para não atravessar o samba. Alheio à invasão chinesa, Lula só tem uma preocupação. Não tomar vaia no Sambódromo do Rio de Janeiro. As vaias do Maracanã, nos Jogos Panamericanos doem até hoje em seus ouvidos. Mas agora é carnaval. Que a lata lhe seja leve...

A Mágica da Morte

Nota enigmática sobre um recente falecimento súbito:

Mágico que briga com o Coelho acaba enterrado na própria cartola.

O coração de ninguém agüenta a pressão da disputa com grupos mafiosos de shopping center.

Querido Sergio Naya: Que a Terra lhe seja leve!

Jorge Serrão, Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Fevereiro de 2009.

3 comentários:

DO disse...

Sempre otimos seus artigos,Jorge

Abraços!

Paulo Figueiredo disse...

Caro Serrão, lúcido e esclarecedor o seu artigo sobre os investimentos chineses, no Brasil e no mundo. Aproveitando o espaço oferecido aos comentários dos leitores deixo aqui um ponto para reflexões, suas e demais leitores; e, principalmente, para mim mesmo, pois não quero pretender que seja expressão da verdade, apenas uma teoria, mas que no momento acredito:


OS INVESTIMENTOS CHINESES E OS VERDADEIROS MOTIVOS DA “GUERRA” DO IRAQUE TÊM O MESMO PERSONAGEM: O DÓLAR


Muito se tem ouvido e lido a respeito dos motivos da agressão dos Estados Unidos e Inglaterra contra o Iraque, que a mídia insistia em chamar de guerra. Antes de mais nada, tratou-se de uma covarde agressão e só. Guerra, entende-se por confronto de forças; e não foi isso que vimos. Esta foi primeira grande mentira incutida, insistentemente. “O Iraque tem armas químicas de destruição em massa”. “O Iraque financia o terrorismo internacional”. “Saddam Hussein é um ditador sanguinário”, etc... Estas foram algumas das justificativas para a tal incursão. Como a grande mídia, principalmente a brasileira, só repete as notícias que recebe das grandes agências; e estas grandes agências, em sua maioria, são pró-imperialistas e fecharam acordos entre si para praticarem auto censura, estas são as grandes pistas para distorções dos atos e fatos. Não era de se admirar se os americanos encontrassem armas químicas e/ou biológicas em território iraquiano. É coisa que pode ser transportada para qualquer lugar e estas armas os americanos têm de sobra. Mas nem disso se deram ao trabalho, tamanha era a certeza da cumplicidade da mídia.

Agora, os reais motivos da agressão: Tratou-se de ato de desespero de americanos e ingleses. O dólar é hoje uma moeda sem lastro, portanto, uma farsa, e se mantém, ainda, forte às custas de esforços políticos, comerciais, bélicos e, principalmente, midiático. Saddam era realmente um grande paspalho e sanguinário, mas este não era o motivo, mas pretexto. Pinochet, só como exemplo, e outros ditadores durante séculos, que eram bem piores, foram tutelados pelos ingleses e americanos durante todo o tempo que lhes foram úteis.

O grande “pecado” de Saddam (para os americanos e ingleses) foi ter atrelado o preço internacional do petróleo do Iraque ao EURO, em substituição ao DÓLAR, no final do ano de 2000. Como o EURO se valorizou 15% frente ao DÓLAR só no ultimo ano antes da agressão ao Iraque; e grande parte dos países árabes, exportadores de petróleo, entre eles: Síria, Líbia e Arábia Saudita; cogitavam seguir o exemplo do Iraque e se bandearem apara o EURO, que hoje é a moeda estrangeira mais segura e próspera, sem falar que desde sua criação, sempre vale mais que o dólar. Assim, começa-se a compreender melhor, porque as oposições da França, Alemanha, Rússia e a falta de apoio explícito do restante da Europa ao conflito bélico anglo-americano contra o Iraque, porque o EURO é a moeda deles. Lembrando que a Inglaterra não adotou o EURO nas transações comerciais internacionais e continua dependente dos dólares para isso. E as ameaças diretas à Síria e à Líbia; e as veladas à Arábia Saudita; que os americanos fizeram logo após a invasão ao Iraque, tem como motivo primordial, o EURO balizando o preço do petróleo. E os americanos e ingleses sabem que se fosse levado a cabo o atrelamento do preço do petróleo ao EURO, seria o fim do império.

George Walker Bush não é um sujeito mau. Era um sujeito desesperado. E a grande mídia, também dependente do DÓLAR, não queria que soubéssemos disso. O império está vivendo de poses, ameaças e propagandas. Porém o maior sustentáculo do DÓLAR, hoje, é a REPÚBLICA POPULAR DA CHINA. Se não é isso, como explicar o fenômeno contraditório de os americanos estarem com suas economias em frangalho, fazendo emissões absurdas de moeda e o DÓLAR continua se valorizando??? E nós estamos na mesma dança. Se o DÓLAR cair para onde deveria, há tempos, a nossa economia também vai para o inferno, devido à dependência. Só que a dos Estados Unidos também vai, mas de cabeça para baixo. Por isso os americanos bajulam os chineses e não lhes dirige quaisquer críticas quanto ao regime ditatorial, ao contrário de como agem contra os adversários econômicos. Se a China abandonar o DÓLAR em suas negociações internacionais será o fim dos Estados Unidos da América. Por sua vez a China tira proveitos da situação frente aos americanos.

Agora, a sinuca: A China acumulou muitos DÓLARES e isso a está incomodando. Há necessidade de se desfazer destes numerários sem estrutura sólida. O que fazer?
O mesmo que fizeram os paises europeus quando tinham muitas reservas desta moeda, e se desfizeram comprando ativos e empresas no terceiro mundo, na época das privatizações, para depois as negociarem ou as venderem, em EUROS. É exatamente isso que a China está fazendo. O resultado? Veremos.

Paulo Figueiredo

Anônimo disse...

Existe uma página circlando na net, atribuida a um ex agente da kgb, preconizando a divisão dos EUA em 3 territórios distindos, um dos quais sob domínio da China.