segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sarney preside Senado: Lula e PMDB ganham, Serra perde e Michel Temer vence fácil a presidência da Câmara

3ª Edição de Segunda-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

Antiguidade continua posto. O favorito José Sarney venceu a eleição para a Presidência do Senado. Com o voto de todos os 81 senadores, o placar foi de 49 para Sarney e 32 para Tião. No panorama de 2010, a eleição de Sarney foi boa para Lula, que já o tinha como um grande aliado. E péssima para José Serra, que nunca se deu bem com Sarney e forçou o PSDB a fazer o contorcionismo político de votar em Tião.

Na Câmara, também não houve zebra. Venceu o favorito Michel Temer (PMDB-SP), que ganhou com a maioria absoluta de 304 votos. Em segundo ficou Ciro Nogueira (PP), representante do chamado "baixo clero", com 129 votos, que já teve mais força em outros tempos. Em terceiro, ficou Aldo Rebelo (PC do B), com 76 votos. No total, votaram 509 parlamentares. Assim, o PMDB controla totalmente o Congresso Nacional, e será mais que fiel na balança na sucessão de 2010.

Ontem, o candidato do PT à presidência do Senado, Tião Viana (AC), previa que vencerá pois contaria com 43 votos, contra 38 de José Sarney (PMDB-AP). A liderança de campanha do PMDB garantia que José Sarney irá ganhar a disputa com 55 a 57 votos. Os dois tiveram menos votos do que esperavam. Mas Sarney ganhou, o que era esperado. Presidirá o Senado pela terceira vez.

Tião Viana fez um discurso bem burocrático e frio, pedindo votos no fim da disputa: “Os ventos de mudança que varrem o mundo de hoje sussurram que agora é hora de dar uma chance a quem traz algo de novo. Muitos já tiveram essa oportunidade. A renovação pelo entendimento é a inovação que representamos, a mudança que pode unir o Senado, fortalecer o Legislativo e aproximar o Congresso da cidadania. Quero me inspirar em grandes personagens que, ao longo do tempo, com diferentes visões de mundo e distintas formas de atuação política, não permitiram que esta Casa se acomodasse no imobilismo, temerosa das mudanças”.

Já Sarney foi mais que político: “Tenho só eu e o senador Rui Barbosa cinco mandatos eletivos. Sem dúvida alguma eu não estaria sendo escolhido sempre em eleição direta se não tivesse defeito e qualidades, qualidades essas que me trouxeram aqui”. Alegou, ainda que não queria o cargo: “Todos sabem que eu não desejava, não queria disputar a presidência do Senado. Eu fui convocado como um homem público que não pôde deixar de atender a essa convocação”.

Sarney respondeu às críticas dos que o chamaram de retrógrado: “esde que comecei como político procurei me caracterizar como inovador. Nunca fiquei com minhas lanternas voltadas pra trás. Como governador procurei inovar e mudei a estrutura do estado. Fui o primeiro governador a levar o primeiro computador ao nordeste para mudar o sistema que o governo usava. Não me chamem de um homem retrógrado, como um homem velho que chega aqui e não quer mudar o Senado. Eu envelheço, mas não envelhece para mim a vontade de mudar o Brasil”.

Sarney foi além em defesa própria: “Fundei os primeiro circuito fechado de televisão e fiz o primeira TV educativa. Não me chame de um velho que não tem apreço pela inovação. Eu não posso, acho injusta a acusação de que é um retrocesso eu ser presidente do senado. Eu criei o sistema nacional (SIAFI) que existe até hoje. Isso se chama transparência”.E fez uma promessa administrativa: “e eu ganhar vou cotar em 3% de forma linear o Orçamento do Senado”. E deu um recado direto aos seus opositores: “O nome José Sarney nunca constou em caso de corrupção que passaram nesta Casa”. Sarney terminou o discurso mais aplaudido que Viana.

Ginástica verbal

Antes da votação, em discurso exaltado, porque o Colégio de líderes não queria que ninguém falasse antes da eleição, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) fez uma ginástica para justificar o apoio a Tião Viana.

Alegou que a eleição do Senado não era uma disputa entre governo e oposição.

Revelou que apoiou Tião porque ele se comprometeu com as 12 propostas dos tucanos, e Sarney não se sentiu à vontade para assinar em baixo as propostas do PSDB.

Profissão perigo

Bastante enfático, Virgílio ressaltou que o Senado precisava de mudanças:

A casa não pode ser integrada por quem precisa tirar o brochinho de Senador para entrar num avião ou sair ás ruas. Eu não tenho este problema”.

Do jeito que a coisa anda atualmente, o melhor é esconder o broche...

Mudanças

Renan Calheiros deu a volta por cima e vai liderar o PMDB no Senado.

Mais forte, Renan ainda fechou um acordo com Francisco Dornelles, do PP, para formar o bloco majoritário.

No anúncio da notícia, no expediente, Renan ria à toa e era abraçado por todos.

Ainda mais quando informou que a bancada do PMDB escolheu Sarney, por aclamação, para disputar a presidência do Senado.

Outro retorno

Quem tenta se erguer é o senador Aloísio Mercadante – que passou um tempo grande de filme queimado com o Palácio do Planalto, desde o escândalo do dossiê dos aloprados contra José Serra, que quase atrapalhou a reeleição de Lula.

Mercadante volta a ser o líder no PT no Senado, pensando em visibilidade para a eleição do ano que vem.

Lembrando que hoje era dia de Iemanjá, Ideli Salvati, a líder que sai depois de quatro anos, desejou sorte a Mercadante.

Pelo visto, o petista vai precisar de muita, sobretudo para se reeleger em 2010.

Leia, abaixo, as Rapidinhas Políticas e, mais abaixo, as Rapidinhas Econômicas

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 02 de Fevereiro de 2009.

4 comentários:

Anônimo disse...

Sinceramente, Serrão. Não acredito de forma alguma que o DEM votasse em Sarney se ele fosse o candidato do Lula. Conhecendo o PT, acredito sim que eles tentaram, mineiramente, aquela história do aeroporto (dizer que está indo pra SP pra que os outros pensem que tá indo pra Brasília, quando o destino é SP mesmo). O PT de Lula apoiou sim Tião Viana, irmão do governador do Acre. A imprensa petista em peso apoiou Tião Viana com notas que ele iria ganhar, muito provavelmente vinda da escrivaninha do Palácio. Lula só disse que apoiaria Sarney pra não correr riscos, mas as manobras dos últimos dias deixam claro quem é que foi apoiado pelo PT.

BRAGA disse...

Boa tarde Serrão. Não sei se "tem a ver", mas aí vai meu comentário.
Interessante que não haja nada que preste numa noite de domingo. Sem nostalgia barata, mas quando as emissoras de rádio estavam no apogeu, como havia programas de qualidade!
Hoje com a internet, muita coisa boa circula. Mas na minha opinião assuntos extremamente relevantes são esquecidos, tais como cidadania, participação, críticas e mostrar a cara, isso passa ao largo.
Estamos vivendo tempos difíceis, por termos semeado a omissão. Jesus foi muito claro em várias passagens do Evangelho (desculpem, não sou religioso), da oração e vigilância, dos servos que receberam as moedas, do filho pródigo, da figueira seca, etc.
O arrependimento sincero nos leva ao perdão de Deus, mas o que semeamos teremos que colher.
Por favor, meditem sobre isso. Quem é seguidor de Jesus Cristo não tem medo de morrer. Jesus nunca prometeu portas largas, nem a ninguém ganhar na mega-sena sozinho.
É preciso, que os religiosos não se deixem levar por ideologias exóticas que usam o Santo Nome do Senhor para destruir todo o legado que Ele deixou através de Jesus.
Comecem a fazer chegar aos seus amigos as suas idéias, mostrar que pensamos e existimos, senão vai tudo pro beleléu!
Mesmo não sendo religioso creio em Deus e Jesus; Eles são primeiro em tudo na vida. E, certamente, podem me tirar tudo, mas não a minha Fé.
Vale a pena refletir!

Anônimo disse...

Parabens pelo blog,Jorge. Achei-o pq procurei seu nome na internet,por causa de seu texto de 2006 ,falando sobre um estudo feito por americanos e entregue a senadores brasileiros.
Já te inclui em meus favoritos.
Abraços!

barroso disse...

Sarney reinou no maranhão durante 40 anos! O que se ve ali é pobreza mesmo, ora O Brasil tem 20 muni-cípios com IDH menor que cinco e o
Maranhão tem onze. Ele vai fazer tudo pelo plebiscito em prol do
terceiro mandato Vamos esperar pra ver que a ministra Dilma é apenas pano de fundo para as aspiraçaões
de lula, assim como Hugo Chaves. (a)antonio barroso