sábado, 19 de setembro de 2009

Guerra Econômica - III

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Pedro Chaves

Um soldado é considerado valente quando enfrenta o inimigo com eficiência e eficácia. Coragem é a capacidade de compreender as ameaças reais, mesmo as de difícil identificação, e de agir conforme as circunstâncias, para assegurar o objetivo – a aniquilação do inimigo. Assim sendo o soldado valente pode atacar, retirar-se ou optar por lutar até a morte na defesa de um ponto estratégico vital.

O santo Nuno Alvares Pereira, recentemente canonizado pelo Papa Bento XVI, na batalha de Aljubarrota, decidiu atacar os castelhanos, ainda que mais numerosos. Mais tarde já velho e viúvo resolveu tomar o hábito carmelita e, para surpresa do consagrante, vestiu-o por cima de sua armadura, dizendo “Acaso a Pátria ainda venha precisar de mim...”

Episódio de bravura também foi a Retirada de Laguna. Leônidas e seus trezentos espartanos decidiram morrer na defesa do desfiladeiro das Termópilas. Todos estes foram gestos de “valor” ou seja, de grande utilidade para os seus respectivos propósitos.

Este conceito de valor foi apropriado pelos comerciantes, banqueiros e economistas.
Para eles os “valores” são as utilidades. Entendem que o valor pode ser intrínseco (como o do ouro de uma moeda cunhada por um Estado que deixou de existir) ou extrínseco (como uma condecoração de mérito a combatente, muito embora confeccionada em metal ordinário). Desta forma vemos que o valor intrínseco também é chamado VALOR DE USO, ao passo que o valor extrínseco é chamado VALOR DE ESTIMA.

Toda a economia moderna e as finanças internacionais estão baseadas na tentativa de minimizar a importância do Valor de Uso e maximizar artificialmente o Valor de Estima. É por este motivo que uma caneta esferográfica de plástico tem o mesmo Valor de Uso que uma caneta de ouro e brilhantes, embora com preços diferentes. A maximização do valor de estima faz a caneta de luxo custar várias vezes mais que os insumos necessários para sua fabricação. A diferença é atribuída a uma percepção de elegância criada pela imagem da grife. A construção de uma imagem de marca requer vultuosos investimentos.

A Guerra Econômica é e será travada na mente das pessoas. O teatro de operações será o cérebro o, consciente e o subconsciente, e as armas a informação e a desinformação.

Leia também os artigos: Guerra Econômica - I e Guerra Econômica - II

Pedro Chaves é Advogado. Artigo publicado no Jornal Incofidência 31 de agosto de 2.009 pág. 10

Um comentário:

Anônimo disse...

O valor "utilidade" é material e necessita de uma ferramenta afinada para produzí-lo. Por trás da ferramenta uma mão, guiada por um cérebro e a escala de valores espirituais ou não que conduzem aquele cérebro. Quando o valor maior, prioritário, essencial, deixa de ser espiritual, o valor utilitário esquece o objetivo do bem comum.