segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Jobim comanda lobby político para impedir auditoria no voto eletrônico, e TSE impede Diebold de trocar urnas

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Por Jorge Serrão

Exclusivo – A parada de 8 de setembro é sinistra e indigesta! Está convocada para esta terça-feira uma reunião-almoço do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, com o colégio de lideres da Câmara Federal. O regabofe não tratará de questões militares e nem da provável ida de Jobim para o Ministério da Justiça. O assunto é a próxima eleição.

O objetivo bem definido do encontro é pressionar os deputados-lideres para não reincluirem, na mini-reforma eleitoral, a auditoria independente do software nas urnas eletrônicas. Ou seja, o resultado de nossa eleição continuará uma “caixa-preta” que só o TSE pode abrir – se quiser e for conveniente, é claro! A falta de transparência eleitoral continua assombrando o processo político brasileiro.

Para ficar afastada dos holofotes da imprensa, a reunião entre os líderes e Jobim está agendada para as 12h, na residência do Presidente da Câmara Michel Temer. A revelação sobre o “cardápio” (indigesto para a democracia) e a hora do encontro são do engenheiro Amílcar Brunazo Filho - Representante Técnico do PDT junto ao Tribunal Superior Eleitoral e membro da ONG Votoseguro.org. Os deputados-lideres já foram convidados e estão com o encontro agendado. Pode ser que a divulgação e o objetivo do encontro atrapalhem os planos. Tomara que sim!

Além dessa reunião mal-intencionada, vazou no mercado de informática um mega-negócio que não se concluiu, por decisão unilateral do TSE. No começo do ano passado, a norte-americana Diebold fez uma proposta oficial ao Tribunal Eleitoral para a troca de todas as urnas eletrônicas a serem usadas em 2010. A empresa apresentou um estudo reservado indicando vulnerabilidades no sistema das atuais urnas. Estranhamente, a cúpula do TSE recomendou aos dirigentes da Diebold que desistissem da proposta, e que não tocassem publicamente no assunto.

A “ordem” do TSE foi cumprida parcialmente, já que em Brasília todos os assuntos sigilosos costumam vazar para a torcida do Flamengo – ou do Corinthians (o que soa melhor ao fanático torcedor Stalinácio). Em 2010, só teremos “eleição segura” na retórica oficial. E sem direito a auditoria no sistema – como deseja o desgoverno petista-peemedebista -, o processo fica ainda mais nebuloso e parecido com o cassino do Dom Corleone.

Armação ilimitada

Amílcar Brunazo Filho explica que o texto original do Art. 5º da minirreforma eleitoral, aprovado na Câmara, prevê a criação da Auditoria Independente do Software das urnas eletrônicas por meio da recontagem dos Votos Impressos Conferidos pelo Eleitor de 2% das urnas.

Quando o projeto chegou ao Senado, o Ministro da Defesa foi ouvido em audiência pública (dia 12/08), durante 2 horas.

Jobim rgumentou a favor de todos pontos polêmicos incluídos na reforma (uso eleitoral da Internet, cotas das mulheres, prestação de contas, etc.) com exceção do art. 5º, que recomendou ser excluído integralmente.

Falácias

Brunazo lembra que, para justificar sua posição, o ministro Jobim apresentou falácias e falsidades.

Uma delas foi que o voto impresso vai permitir a identificação do voto, o eleitor vai poder colocar mais de um voto nas urnas, etc.

Em vez de excluir o Art. 5º, os senadores-relatores o modificaram para acabar com a auditoria independente do software mas não colocaram nada no seu lugar.

Os EUA não confiam nas urnas

A Diebold vendeu seu negócio de urnas eletrônicas, nos Estados Unidos.

Quem comprou foi seu principal concorrente, a Election Systems & Software.

O valor do negócio foi de US$ 5 milhões em dinheiro, mais 70% das receitas geradas pelo negócio, durante cinco anos, a partir de 31 de agosto deste ano.

No ano fiscal de 2009, a Diebold terá custos de US$ 55 milhões com a operação.

Ideia fora do lugar

Ao contrário do Brasil, o sistema de voto eletrônico não “pegou” nos desconfiados Estados Unidos da América.

Os norte-americanos insistem na tese de que as urnas eletrônicas são suscetíveis à fraude.

Ao propor um aprimoramento de nosso hardware eleitoral, a Diebold demonstrou seriedade e compromisso com a qualidade do processo eleitoral.

O mistério insondável é por que o TSE não aceitou a proposta deles, e insiste em rejeitar qualquer proposta de auditoria independente do software nas urnas eletrônicas

A empresa

Diebold, Incorporated é líder global em soluções de autoatendimento e sistemas e serviços de segurança.

Sediada em Canton, Ohio (EUA), emprega mais de 17.000 colaboradores e está presente em quase 90 países.

Suas ações são negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque sob a sigla ‘DBD’.

Acesse: http://www.diebold.com/ (site global) ou http://www.diebold.com.br/

Quem manda

A Diebold é líder nos segmentos de automação bancária e automação eleitoral no Brasil

É presidida, no Brasil, por João Abud Júnior.

Por aqui, em 2008, faturou R$ 1 bilhão – com 60% da receita advinda do setor bancário.

Os bancos trocaram a maioria dos equipamentos de sua rede de atendimento – maioria fabricados pela Diebold.

A unidade brasileira ficou em primeiro lugar entre as subsidiárias que mais contribuíram para o resultado global da Diebold.

Poderoso Jobim está em todas

O Ministro da Defesa negocia, diretamente, mega-acordo militar de R$ 22,5 bilhões que será assinado neste “dependence day” com a França.

O brilhante jurista Jobim também participou, diretamente, da redação da polêmica legislação sobre o marco-regulatório do pré-sal recém enviada ao Congresso.

Agora, Jobim também entra na mini-reforma eleitoral...

Cotado para substituir seu colega de infância Tarso Genro na pasta da Justiça, Jobim é uma das poderosas interfaces entre o PMDB (ao qual é filiado) e o governo petista.

Enfim, se derem mole, Jobim acaba se credenciando como candidato a vice na chapa da Dilma – lugar que hoje é pretendido pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) – sobrinho do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, onde Crivella também é bispo licenciado.

Sinônimo de poder empresarial

O poderoso grupo baiano Odebrecht – um dos mais influentes do Brasil atual - vai comemorar hoje o início da realidade do contrato de 1,8 bilhão de Euros para a construção de um estaleiro e de uma nova base naval de submarinos para a Marinha do Brasil.

A Odebrecht e o grupo francês DCNS formaram o Consórcio Baía de Sepetiba para tocar o negócio, onde cada empresa tem 50% do capital.

A Marinha ganhou uma ação especial (Golden Share) para ter direito a votar ou vetar decisões.

Escolha de quem?

O comandante da Marinha, Almirante de esquadra Júlio Soares de Moura, em entrevista à Folha de S. Paulo, garante que não partiu do governo brasileiro ou da Marinha a escolha da Odebrecht para a parceria com os franceses da DCNS:

Não, não. Foi o contrário. Os franceses é que escolheram a Odebrecht, que simplesmente aceitou. O Brasil não poderia dizer: ´Não quero a Odebrechet´. Os franceses é que têm de nos fornecer material e tecnologia, e então eles já escolheram mais de 30 empresas no Brasil partes dos nossos submarinos”.

O negócio, agora, é ver como as empresas escolhidas vão contribuir – direta ou indiretamente – na campanha eleitoral do ano que vem...

Trem bão, sô!

Devem botar as barbas de molho os interessados em concorrer pela construção do polêmico e caríssimo trem-bala Rio-São Paulo-Campinas.

A Odebrecht tem tudo para engolir os principais pretendentes: o consórcio inglês Hal Crow (que atua com as brasileiras Sinergia e Balman), além da Trends, Siemens e Alstom - que correm por fora.

A missão para pegar o trem bala – em parceria com os franceses – é tocada pessoalmente pelo diretor executivo da Odebrecht, Irineu Meireles, junto com o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht – filho do velho Emílio.

Ideologia industrial

O poderoso Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial tem novo presidente.

É Pedro Passos, acionista da Natura, que agora comanda o principal centro de “ideologia empresarial” do Brasil.

Passos ocupa a cadeira ocupada, desde 2005, por uma “águia” do mundo corporativo: o empresário Josué Gomes da Silva, controlador da Coteminas e filho do vice-presidente da República José Alencar.

Vale do Eike

O megaempresário Eike Batista tem tudo para fechar nos próximos dias a compra da fatia que o Bradesco tem na Vale.

Eike investiria a bagatela de R$ 9 bilhões para abocanhar os 17,5% que a Bradespar tem da Valepar (que controla 53% do capital votante da Vale).

Credit Suisse Hedging Griffo, BGT e Itaú Unibanco dariam apoio financeiro à empreitada de Eike, o homem mais rico do Brasil (segundo a revista Forbes) e poderoso senhor do grupo que tem empresas com a letra X no meio – para dar sorte e multiplicar os negócios e lucros.

Eike influindo diretamente na Vale é o sonho de seu pai – o gênio Eliezer Batista, que presidiu a empresa no ano de 1961 e entre os anos de 1979 a 1986.

Dia do Camarada Protógenes

Cabra marcado para ser expulso da Polícia Federal antes da próxima eleição, o ainda delegado federal Protógenes Queiroz se filia hoje ao PC do B.

Protógenes ainda não sabe se, ano que vem, disputa o Senado ou uma vaga de deputado federal por São Paulo.

Protógenes espera contar com o apoio de seus irmãos da Maçonaria nesta nada fácil missão de brigar pelo voto em um partido da base aliado do governo que o persegue.

Socialismo da prosperidade

Do ex-guerrilheiro do Grupo de Libertação Nacional Tupamaros e candidato à presidência do Uruguai pelo governismo de extrema esquerda, José Mujica, de 75 anos, sobre as possibilidades do socialismo, em entrevista à Folha de S. Paulo de ontem:

Eu não conseguirei o socialismo com o poder do Estado, de cima para baixo. Precisa ser um processo de maturação, de baixo. E há pré-requisitos, precisa ser a partir de uma sociedade rica e culta. Fazer países socialistas a partir de países pobres não dá resultado”.

Deve ser por isso que Dilma cogita o bispo licenciado Marcelo Crivella para ser seu vice.

A teologia ideológica da prosperidade anda mesmo na moda no mundo capimunista.

Que droga!

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou ontem um artigo no jornal britânico The Observer no qual defende que a guerra contra as drogas fracassou.

FHC prega que deveria haver um esforço internacional para promover a descriminalização dos usuários de maconha:

"Continuar a luta contra as drogas da mesma maneira seria absurdo. O que precisamos é de um debate sério que leve à adoção de estratégias mais humanas e mais efetivas para lidar com o problema global das drogas".

Afinado com o discurso da Nova Ordem Mundial, FHC acredita que a solução seria deixar a política de repressão aos usuários de lado e investir em tratamento e prevenção.

Novidade no ar da web

O investigador de polícia e poeta Walter Tadeu estréia seu programa de rádio, na Internet, nesta quarta-feira à tarde.

Será das 14h às 15h 30min na http://www.novaradioweb.com.br/

Tadeu enfocará músicas, poesias e consciência ambiental – além da sua especialidade, que é prevenção ao uso e abuso de drogas.

Lulairaniano

O chefão Stalinácio pregou ontem que as forças ocidentais devem parar de condenar o Irã por causa de seu programa nuclear e, em vez disso, estabelecer conversas para promover a paz.

Em entrevista a três veículos de mídia francesa: TV5 Monde, rádio RFI e o jornal Le Monde, Lula reclamou, na mesma linha de seu aliado Hugo Chavez, do Foro de São Paulo:

Acho que há muitas sanções e conversas insuficientes com o Irã”.

Lula criticou o que foi dito por seu “companheiro” Barack Obama, deu ao Irã até o final de setembro para aceitar uma oferta de Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China, França e Alemanha para discutir benefícios comerciais caso Teerã deixe de lado o enriquecimento nuclear.

Sobre este rolo, releia o artigo de ontem: Jour de la Dépendance

Mais 8 mil vereadores?

Nada menos que 7.343 suplentes podem arrumar um emprego de vereador da noite para o dia.

Basta que a o Congresso aprove a Proposta de Emenda Constitucional que permite aumentar, imediatamente, o número de vereadores no Brasil.

Como os políticos gostam de gerar empregos neste Brasil capimunista...

Tudo é possível

Quarta-feira o Supremo Tribunal Federal decide se julgará ou não o pedido de extradição do terrorista italiano Cesare Battisti – que hoje tem status de refugiado no Brasil.

Tudo indica que o STF, em apertado placar teatral, vai tomar alguma decisão favorável a Battisti, nos moldes da sentença que favoreceu o ex-militante das FARC, Olivério Medina, que conseguiu ser refugiado no Brasil.

Battisti teve seu refúgio negado pelo Conare (Conselho Nacional de Refugiados), mas o ministro da Justiça, Tarso Genro, passou por cima da decisão do órgão e lhe deu o asilo, por considerar Battisti vítima de “perseguição política”.

Atualmente, o Brasil tem 4.153 refugiados de 72 diferentes nacionalidades.

Empurra pra frente

Mas são grandes as chances de que o STF decida julgar o mérito da extradição.

Battisti é defendido pelo advogado Luís Roberto Barroso.

Já o governo italiano, que deseja a extradição do terrorista condenado à prisão perpétua, é defendido pelo advogado Nabor Bulhões.

Cesare Battisti continua preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, mesmo depois de ter recebido o status de refugiado, oito meses atrás.

Almoço indigesto

Serginho Cabral almoça hoje com a bancada estadual petista.

Tenta demovê-los da ideia de lançar o lindinho Lindberg Farias ao governo do Estado.

Mas o prefeito de Nova Iguaçu pretende atropelar a cúpula petista e sair candidato contra Cabral, que tentará a reeleição.

Vaiado

Está virando moda o governador Sérgio Cabral Filho levar vaias.

Desta vez, as estrondosas ocorreram no sábado passado, em Nova Friburgo, e a turma da oposição jogou no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=4N7lalcL6Yg

JB do Reino de Deus?

O centenário Jornal do Brasil corre o mesmo perigo da Gazeta Mercantil.

O empresário Nelson Tanure ameaça encerrar as atividades do jornal no dia 31 de dezembro.

A não ser que encontre alguém para comprar o jornal ou ficar com seu título.

O Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, tem imenso interesse na marca JB...

Porque hoje é 7 de setembro...

Como hoje celebramos brasilidade, e nossa busca pela independência real, nada melhor que um poema do sensível patriota Ernesto Caruso, Coronel da reserva do EB:

Hino, símbolo e respeito

Vai musa do passado
senhora do presente,
com todo respeito,
não cante o Hino mal cantado,
nem doente e juízo medicado.

Hino embaralhado,
versos trocados, dor no peito,
olhar espantado, platéia atônita
gente da mesa pasmada;
parecia explosão atômica
olhar esbugalhado,
sem saber o que dizer e fazer.

Sem controle, convite mal feito
ao Hino deturpado,
fora da lei, do compasso,
estrábico.
Não foi o primeiro.
Castigo só pra ser diferente
do Brasil pra frente,
sem aloprado e ponto decadente.

Retrato, pictórico,
etílico, governo, política e embaraço
espelha a não grandeza
com pizza e safadeza
com ministro da maconha,
presidente do colar de coca,
ridículo, boboca.
Esperar o quê
da gente no poder,
fora do ponto.
No palanque besteira, conto
da carochinha, abobrinha,
e no bolso conto e mais conto

Tristeza do papel televisado
choro do nosso coração
pelo Hino estraçalhado,
não do ufanismo da vibração,
tão comum; o seu já fez,
na solenidade, no esporte,
no pódio,
nunca como dessa vez
multiplicado, dobrado
por ela mãe, gente; deu pena,
e pelo canto incompetente.

Convidassem meia dúzia de soldado,
com porte, perfilado,
coral de gente, criança ensaiada,
um CD gravado, telão,
belas imagens, verso exposto,
acompanhado, bem sabido e cantado.

Façam o mesmo no estádio,
caraoquê da brasilidade,
Pátria, entusiasmo,
peito estufado, povão cantando
de qualquer idade,
aprendendo, sem ódio,
torcendo, mas se respeitando.

Vida que segue...

Ave atque Vale!

Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente (analítico e provocador de novos valores humanos) com análise estratégica, conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 7 de Setembro de 2009.

6 comentários:

Domaneschi disse...

Serrão,
hoje é o Dia da nossa Pátria,
que juramos defender,
parabéns a voce e a todos que mantém seu juramento,
Brasil Acima de Tudo!

Anônimo disse...

aposto que com essas urnas de fraudes eletrônicas a Dilma vai ganhar, da mesma forma que o Apedeuta ganhou no segundo turno.

Anônimo disse...

Geisel e Lula
07 de setembro de 2009
Por Carlos Alberto Sardenberg (*)

Não foi por acaso que parte da esquerda brasileira se encantou com a política econômica do presidente Ernesto Geisel, na década de 70. O general, que trazia uma bronca dos americanos, a qual caía muito bem para o figurino, tinha uma visão de economia muito ao gosto do que se chamou de ala desenvolvimentista da América Latina: o Estado comanda as atividades econômicas, investindo, financiando, subsidiando, autorizando (ou vetando) os negócios e a atuação de empresas, determinando ainda quais setores devem ser estimulados. Mais ainda: com a força das estatais e seus monopólios, o governo organizava empresas para atuar em determinadas áreas.

O presidente Geisel, como se vê, tinha mais poderes do que o presidente Lula. Todos os setores importantes da economia estavam nas mãos de estatais, de modo que o controle era mais direto. Além disso, havia o AI-5, instrumento de poder absoluto. Quando o presidente dizia a um empresário ou banqueiro o que deveria fazer, a proposta, digamos assim, tinha uma força extra.

Lula, mesmo com menos poderes, tenta fazer do mesmo modo. Geisel era o dono da Vale. Lula não é, mas pressiona os atuais controladores da mineradora para que ajam deste ou daquele modo.

Geisel montou empresas, como as famosas companhias da área petroquímica, tripartites, constituídas por uma companhia estrangeira, uma nacional privada e uma estatal, na base do um terço cada. Aliás, convém notar: não faltaram multinacionais interessadas. O capital não se move por ideologia, mas por... dinheiro. Devia ser um bom negócio entrar num país sem competição e com apoio do governo local.

Do mesmo modo, as multinacionais do petróleo vão topar (ou não) o novo modelo de exploração do pré-sal não por motivos políticos, mas pela possibilidade de ganhar (ou não) dinheiro. E pela segurança do negócio.

De certo modo, o ambiente todo era mais seguro no tempo de Geisel. Não havia como se opor às determinações do presidente. Fechado o negócio com o seu governo, estava fechado. Com o Legislativo, o Judiciário, partidos e imprensa manietados, como se opor ou mesmo discutir?

Hoje, o presidente Lula tem as limitações de um regime democrático, além de seu poder econômico ter sido muito reduzido depois das privatizações e da rearrumação da ordem econômica. Ainda assim, tem instrumentos poderosos, como o BNDES, e a possibilidade de manipular a carga tributária, aumentando e reduzindo conforme seu interesse neste ou naquele setor.

Anônimo disse...

Ora, o financiamento do BNDES, por ser subsidiado pelo contribuinte brasileiro, é o mais vantajoso da praça. Num país de carga tributária tão elevada, qualquer redução dá uma vantagem enorme ao setor beneficiado. Assim, em vez de se concentrar em seu negócio, pode ser mais útil para o empresário fazer o lobby em Brasília.

De certo modo, Lula até organizou essa ida a Brasília, ao pôr representantes dos empresários no Conselhão (o Conselho de Desenvolvimento) e em diversos comitês, como este mais recente, de avaliação da crise.

Geisel fortaleceu a Petrobrás, da qual, aliás, havia sido presidente. Verdade que a esquerda não gostou dos tais contratos de risco de exploração de petróleo, criados pelo presidente numa tentativa de atrair mais capitais. Mas não funcionou. O que funcionou foi a enorme expansão da Petrobrás, que então já era dona exclusiva do monopólio do petróleo.

Geisel levou-a à petroquímica, ao comércio externo e ao varejo dos postos de gasolina. Com privilégios. Geisel reservou para a estatal a instalação de postos de gasolina em determinadas estradas e áreas.

O presidente Lula trata de devolver à Petrobrás privilégios que perdeu com a Lei do Petróleo de 1997.

Outra coisa comum aos dois governos é o apreço por obras grandiosas. Não é por acaso que Lula tenta retomar alguns programas de Geisel, como as usinas nucleares.

Mas há aí uma grande diferença. Geisel fazia, punha os projetos na rua, como a Ferrovia do Aço, o programa nuclear (feito com os alemães, para bronca dos americanos) e tantos outros. Mais fácil, claro: não tinha licença ambiental, não tinha Ministério Público, nem sindicatos, nem juízes para parar obras na base de liminares.

Hoje, Lula tenta driblar esses "estorvos", mas vai tudo mais devagar.

E - quer saber? - pode até ser bom para o País. O estrago será menor. Porque, esse é o resultado geral, o governo Geisel deixou uma ampla coleção de cemitérios fiscais e empresariais. Enquanto o Brasil conseguiu financiamento externo - com os bancos internacionais passando para os países em desenvolvimento os petrodólares, a juros baratos -, o modelo ficou de pé.

Com a crise mundial dos anos 70 - com inflação e recessão, consequência da alta dos preços do petróleo, de alimentos e, em seguida, do choque de juros - a fonte secou e o Brasil quebrou.

Resultaram estatais tão grandes quanto ineficientes. Lembram-se das teles? Havia a Telebrás e uma estatal federal em cada Estado. E uma linha fixa de telefone, em São Paulo, custava US$ 5 mil.

Resultaram também empresas mistas e privadas absolutamente ineficientes, as produtoras das carroças, que só vendiam alguma coisa aqui dentro porque era proibido importar. De computadores e carros a macarrão. Só quando o comércio externo começou a ser aberto, no governo Collor, a gente soube o que era um verdadeiro espaguete.

Não foi por azar que tivemos uma década perdida, com inflação descontrolada, contas públicas falidas, dívida externa não financiável e empresas incapazes, que só existiam à sombra do dinheiro e da proteção do Estado. Ou seja, com o dinheiro do contribuinte.

Convém pensar nisso quando Lula, por exemplo, força o Banco do Brasil a ampliar o crédito e reduzir os juros na marra ou quando leva o BNDES a financiar cada vez mais bilhões. Os bancos públicos já quebraram mais de uma vez. O Brasil também.

(*) Carlos Alberto Sardenberg é jornalista

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090907/not_imp430577,0.php
Site: www.sardenberg.com.br

Anônimo disse...

Qual a intenção em impedir auditorias em voto eletrônico?
Será que pensam que a gente é bobo para implantar uma arbitrariedade dessas?
Prepare-se Brasil: Estão oficializando o Ministério da Mentira e da Fraude.

Pejota disse...

A surpresa da vitória de Eduardo "Cabral" Paes no Rio de janeiro já passa por estas questões !!! Sabe-se que Cabral comprou uma urna com 100.000 votos ganhando assim do Gabeira e aumentando a quadrilhagem no eixo Brasília-Rio !!! Qualquer sistema de software é vulnerável, afinal estão aí os hackers para provar isso. Lembro-me de uma denuncia nesse sentido feita pela ex vereadora Verônica Costa quando perdeu as eleições no Rj. como diria Jobim, o Nelson: "Abafa o Caso" !!!