quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Poder é Afrodisíaco

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Maria Lucia Barbosa

Algumas pessoas não entendem a aceitação quase unânime de Lula da Silva. Aconteça o que acontecer, pesquisas sempre registram assombroso e crescente prestígio do presidente da República. Escândalos atingindo seus companheiros mais próximos de partido e de governo, algo que em outros países no mínimo traria descrédito à figura presidencial, não acarreta consequência sobre o mito do salvador da pátria cuidadosamente construído.

Apagões de transporte aéreo, apagões de energia, Educação no fundo do poço da mediocridade, Saúde em descalabro, estradas em estado calamitoso, nada perturba a paz e a alegria do presidente voador, que quando não se encontra em palanques ou sob as luzes das TVs está usufruindo de uma de suas inúmeras e maravilhosas voltas ao mundo.

No ano passado, o presidente que tanto criticou as viagens do seu antecessor passou 83 dias circulando pelo Brasil em campanha ilegal por Dilma Rousseff e 91 dias em 31 países. Neste ano ele já visitou, somente em janeiro, sete Estados, sempre acompanhado por sua ministra da Casa Civil e candidata. Entre frenéticos discursos Lula da Silva inaugura o que existe e o que não existe.

A popularidade do presidente, segundo alguns, vem do seu carisma. Será? Se fosse tão carismático ele teria se alçado à presidência da República na primeira tentativa e não na quarta. Outros atribuem o prestígio de Lula da Silva a sua genialidade. Mas gênio não emite tantos disparates quando deixa de lado a leitura dos discursos oficiais e expande sua verve populista, entremeada de palavrões e ataques pesados aos adversários.

Na verdade, a aceitação de Lula da Silva vem de alguns aspectos já conhecidos e por mim já abordados em artigos, tais como: propaganda asfixiante, impressionante culto da personalidade, exposição em over dose da figura presidencial trabalhada como um pop star, “bondades” distribuídas aos ricos, aos pobres e a chamada base aliada, o que demonstra a velha máxima: “pagando bem que mal tem”.

Tudo isso seria suficiente para o endeusamento de Lula da Silva. Mas tem algo mais que tem sido feito por ele mesmo. Em arroubos megalomaníacos o presidente não cessa de se endeusar, de se auto-elogiar, de ensinar ao mundo seu exuberante êxito.

Ele sente prazer em exercitar sua autoridade, de se impor. Por isso se diz que há algo afrodisíaco no poder. Rendida, a massa que escuta apaixonada a violência verbal chega ao êxtase coletivo e se rende ao culto do chefe ou à sua imagem, o dá a ele o grande recurso para governar.
A Lula da Silva basta a imagem, o tom de voz, os esgares. E quando a imagem se sobrepõe à verbalização temos o antidiscurso que justamente consagra o fascínio pela incoerência tão cara às massas.

Lula é a personificação do antidiscurso. Some-se a isso o que Hannah Arendt denominou como “instinto de submissão: “um desejo ardente de se deixar dirigir, de obedecer a um homem forte”. Isso explica um dos fatores da obscura adesão a uma imagem, a uma projeção idealizada que jamais resistiria a sua própria realidade tosca, incoerente, medíocre, vulgar.

Em sua magistral obra, “O Estado Espetáculo”, Roger-Gérard Schwartzenberg mostra como no fascismo a “multidão italiana se entregou ao Duce, o macho latino, de forma voluptuosamente submissa”. E Hitler, demonstrando o comportamento machista do nazismo, declarou: “A grande maioria do povo se encontra numa disposição e num estado de espírito tão femininos que suas opiniões e seus atos são determinados muito mais pela impressão produzida sobre seus sentidos, que por uma reflexão pura”.

Também na obra acima citada se encontra o que disse William Gavin, que foi membro da equipe de Nixon: “O eleitor é fundamentalmente preguiçoso e em hipótese alguma se poderá esperar que ele faça o menor esforço para compreender o que lhe dizem.

Raciocinar exige um grau elevado de disciplina e concentração; é mais fácil impressionar. O raciocínio repugna ao telespectador, ou então o agride, exige que ele concorde ou recuse; uma impressão, ao contrário, pode envolvê-lo, solicitá-lo sem o colocar diante de uma exigência intelectual”.

Os marqueteiros, esses construtores de imagens, sabem tudo isso. E os ególatras que alcançaram o poder praticam a sedução e a submissão das massas de modo espontâneo e masoquista. Seu egocentrismo desenfreado, seu hedonismo patológico os torna megalomaníacos. Entretanto, todos também sabem que paixões não são eternas. Tampouco existem deuses mortais.

Note-se que a paixão dos venezuelanos por Hugo Chávez, outro macho latino com características fascistas, começa chegar ao fim. Quanto ao presidente brasileiro é um homem de sorte incomensurável, mas sorte é algo aleatório e um dia pode acabar.

Recentemente Lula da Silva provou para si mesmo que não é imortal. E começa a aprender o que ensinou Maquiavel: “Quem cria o poder de outrem se arruína”. Ele que se cuide com Dilma Rousseff.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga. www.maluvibar.blogspot.com

Um comentário:

Paulo Figueiredo disse...

Prezada Maria Lucia Victor Barbosa, suas análises estão prefeitas, sob ponto de vista operacional. Como bem disse, os marqueteiros sabem de tudo isso e os aplica com muita competência, por sinal. Porém, limitamos nossas compreensões quando ficamos analisando, puramente, o dualismo simplista entre as “causas” e “conseqüências”; fica faltando o principal elemento para uma compreensão plena de toda esta situação: “as origens das causas”.

Porquê?

Ficamos muito presos ao que nos salta aos olhos físicos e não damos importância, nenhuma, ao óbvio. E onde está este óbvio? No raciocínio e na observação crítica.

Maria Lúcia, este mundo tem donos e estes donos não gostam, ou não podem aparecer aos olhos físicos; mas, em compensação, não podem se esconder do óbvio. Só que este óbvio é muito pouco observado.

Nada acontece por acaso, tudo obedece a um ordenamento, que nem sempre é bem executado ou planejado, afinal são seres humanos; sábio, mas somente humanos. São muito mais sábios e inteligentes que a média das massa populares, daí o domínio absoluto das mentes, corações, idéias, ideais, etc. Seus objetivos, intenções e planejamento? Sempre muito escondidos, mas continuam óbvios.

Não precisamos entrar em detalhes, até porque são muitos. Mas podemos citar alguns.
Porquê determinados assuntos são terminantemente proibidos nas redações de jornalismo?

Porquê a mídia expõe excessivamente imagens dos que precisam ser aceitos por serem agentes elementos de projetos de dominação global, tais como: Lula, Chavez, Moralles, Kirchner, Obama, Osama, Ahmadinejahd, etc? Para citar os próximos de nós. Não são somente os de agora; os do passado também se prestaram.

Nos atendo ao Lula, este foi criado pelo poder quando ainda era sindicalista, para servir a certos desígnios, dentre muitos outros:
• Inventar uma falsa esquerda para minar a verdadeira;
• Promover falsas greves para disfarçar interesses de lockout’s (que são ilegais).
• Elevar o status da representação proletária para inseri-las nas órbitas do domínio.
• Incrementar as lutas sociais e de classes.

Como se saiu muito bem, nestas primeiras empreitadas, gradualmente foi sendo preparado para atividades maiores. E o resultado aí está.

Mas tem um porém: A sua vaidade e arrogância só serão toleradas enquanto não estiverem atrapalhando os interesses dos donos do mundo.

Cordiais saudações.