terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Policiamento comunitário: bom caminho para a paz social

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Archimedes Marques

A paz no seio da sociedade é a aspiração, o desejo fundamental de toda pessoa de bom senso, entretanto, só pode ser atingida com a ordenação da potencialidade da comunidade em confiança e somação ao poder público em torno do ideal comum de uma segurança justa.

A eficiência do trabalho da polícia está intimamente ligada ao bom relacionamento entre o cidadão e o policial. Os estudiosos da sociologia criminal entendem que a necessidade desta interação nada mais é do que uma “co-produção dos serviços policiais”, querendo com isso chamar a atenção para a relação simbiótica que deve existir entre a Polícia e o povo, ou seja, o povo precisa da Polícia para compor a sua proteção e em contrapartida lhe fornece os meios para alcançar tal finalidade.

Tal assertiva comunga com a filosofia do policiamento comunitário e é por via da confiança e da amizade que são formadas parcerias entre a população e as instituições de segurança publica no sentido de identificar, priorizar e resolver os problemas que afetam as comunidades relacionados a violência e o crime.

A estratégia principal do policiamento comunitário é de caráter preventivo para a conseqüente redução da criminalidade, contudo, alcança também a questão da diminuição do dano da vítima e modifica os fatores comportamentais da população em relação a instituição policial fazendo com que boas informações sejam colhidas para o trabalho da Polícia investigativa em repressão ao delitos ocorridos.

É fato que em tempos idos a Polícia e a comunidade andavam de mãos dadas contra o crime, época em que o policiamento vivia junto com o povo saneando as suas questões inerentes, mas, com o aumento populacional, com o crescimento desordenado das cidades e com a transformação das eras foram surgindo problemas diferentes, aumentando a violência e a marginalidade substancialmente fazendo com que novos modelos de Polícia fossem implementados e fossem abandonadas aquelas velhas e boas interações, começando assim o afastamento entre a Policia e a sociedade

As más ações policiais ocorridas no tempo e principalmente as executadas na ditadura militar em que os direitos do cidadão brasileiro foram rasgados e totalmente desrespeitados com grande número de pessoas inocentes ou não criminosas sendo torturadas, mortas e desaparecidas ajudaram a distanciar de vez o povo da sua Polícia.

Com esse afastamento a população passou a ter a Polícia não mais como sua amiga ou sua parceira contra o crime e, somente como sua protetora, dela exigindo tudo sem apoio nenhum a lhe fornecer em troca.

Aproveitando os espaços deixados entre Polícia e povo, o crime organizado foi assim ocupando os lugares vazios engrossando as fileiras do tráfico de drogas, raiz central de tantos outros tipos de crimes que assola o nosso País.

As favelas, invasões, morros, foram dominados pelos traficantes que organizaram facções criminosas para maior fortalecimento, enquanto os agentes públicos viam naqueles amontoados de barracos de vidas subumanas apenas possíveis votos a serem comprados.

O tráfico passou então a funcionar como uma espécie de governo paralelo dentro das diversas comunidades, realizando em troca de favores e informações o trabalho social para o povo carente local, distribuindo alimentos, mantimentos e remédios que são tomados de assalto em cargas diversas para tais finalidades. Funcionando também o grande traficante como se fosse um Juiz opressor ou ditador na resolução das contendas do povo,

Assim, em diversas localidades, o povo por falta de opção, prefere o tráfico ao poder público. O policial fora trocado pelo traficante por pura imprevidência e inabilidade do Estado. A alternativa plausível para resgatar o espaço perdido é, sem sombras de dúvidas, o policiamento comunitário.

Há mais de uma década atrás o grande Jurisconsulto, professor e Filosofo MIGUEL REALE assim inteligentemente já entendia: ...”A polícia comunitária, aquela que diuturnamente convive com o povo, não é senão a visão da polícia à luz do valor da amizade; e é a única solução a ser dada com êxito para resolver a preocupante questão da violência, sobretudo nas grandes cidades.”

Um programa de policiamento comunitário bem aplicado resulta no aumento da qualidade de vida da comunidade, na redução do medo que sofre a população, na restauração da ordem publica danificada, na satisfação do povo em relação ao serviço policial prestado, no melhor relacionamento e confiança da sociedade nas ações policiais, além da redução da criminalidade e da real punição dos criminosos.

Fortes projetos inerentes abrangendo todos os Estados da Nação, bem monitorados e administrados com ética, legalidade e responsabilidade além de resgatar a interatividade perdida ainda farão com que os olhos do povo sejam a extensão dos olhos da Polícia para que nada de mal passe despercebido e nos aproximemos mais da tão sonhada paz social.

Archimedes Marques, Delegado de Policia no Estado de Sergipe, é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – www.infonet.com.br

3 comentários:

Anônimo disse...

Ilustre Doutor Delegado, sua afirmação: "principalmente as executadas na ditadura militar em que os direitos do cidadão brasileiro foram rasgados e totalmente desrespeitados com grande número de pessoas inocentes ou não criminosas sendo torturadas, mortas e desaparecidas" omite um fato histórico e documentado: integrantes das polícias, notadamente no norte e nordeste, desde bem antes dos governos militares, já eram apontados como responsáveis por tortura, mortes e desaparecimentos. Situar este fato como "principal" atitude de "desrespeito aos direitos do cidadão durante a ditadura militar", o alinha entre os que nos conduzem por veredas ditatoriais extremas. O doutor é melancia consciente ou inocente útil?

Archimedes Marques disse...

SENHOR ANÔNIMO:
Não deveria lhe responder pois o Sr. esta escondido no anonimato e suas palavras não denotam crédito algum, mas mesmo assim lhe darei algumas rápidas explicações:
Quando eu falo que a ditadura tratou o cidadão brasileiro desunamanamente eu falo com cátedra e com provas. Só aqui em Sergipe que é o menor Estado de país tenho dezenas de casos cruéis como exemplo. Só para citar três para não alongar muito esta resposta incômoda e desnecessária :Nos idos dos anos sessenta, três jovens estudantes da Universidade Federal de Sergipe por serem líderes de movimentos em prol do comunismo foram torturados da seguinte maneira para entregar os nomes de todos os componentes do grupo: Em um deles fora colocado pixe quente na sua cabeça e nunca mais cresceu um fio de cabelo sequer; noutro colocaram uma venda nos seus olhos e por horas ficaram batendo fortemente em cima e como resultado da tortura ele perdeu a visão, ficou cego para o resto da sua vida só pelo simples fato de ter cometido o crime bárbaro de falar em comunismo; o terceiro, que era casado há pouco tempo e sua esposa estava grávida de quatro meses, por trás das grades de um dos porões dos quartéis da ditadura, assistiu ao vivo, dois valentes torturadores estuprá-las de todas as maneiras possíveis... Será que o ilustre ANÔNIMO gostaria de passar o que eles passaram??? Ou será que o digníssimo ANÔNIMO era um desses valorosos torturadores que milhares de vítimas não criminosas fizeram pelo Brasil afora???
Outro item Sr. ANÔNIMO: Torturas sempre ocorreram , antes e depois da ditadura, só que no tempo da ditadura as torturas eram legalizadas enquanto que as atuais, quando ocorrem são ilegais e veementemente punidas. A Lei combate a tortura como sendo crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia e com pena de até oito anos de reclusão justamente pelos resquícios deixados pela ditadura que muitos teimaram em continuar com tal prática.
Agora se o senhor que defende tanto aquele tempo insano ao ponto de pegar os seus próprios apelidos relacionados a MELANCIA E COISA E TAL e querer jogar para um profissional de Segurança Pública respeitado como sou, que possui mais de 25 anos de carreira, que tem dezenas de artigos publicados em mais de quatrocentos portais do Brasil e que o único objetivo com isso é ajudar e orientar a população para melhorar a sua própria segurança, lhe dou meus pêsames, pois a DITADURA JAMAIS VOLTARÁ PARA O NOSSO QUERIDO BRASIL.
Archimedes Marques
Archimedes-marques@bol.com.br

archimedes marques disse...

SENHOR ANÔNIMO:
Não deveria lhe responder pois o Sr. esta escondido no anonimato e suas palavras não denotam crédito algum, mas mesmo assim lhe darei algumas rápidas explicações:
Quando eu falo que a ditadura tratou o cidadão brasileiro desunamanamente eu falo com cátedra e com provas. Só aqui em Sergipe que é o menor Estado de país tenho dezenas de casos cruéis como exemplo. Só para citar três para não alongar muito esta resposta incômoda e desnecessária :Nos idos dos anos sessenta, três jovens estudantes da Universidade Federal de Sergipe por serem líderes de movimentos em prol do comunismo foram torturados da seguinte maneira para entregar os nomes de todos os componentes do grupo: Em um deles fora colocado pixe quente na sua cabeça e nunca mais cresceu um fio de cabelo sequer; noutro colocaram uma venda nos seus olhos e por horas ficaram batendo fortemente em cima e como resultado da tortura ele perdeu a visão, ficou cego para o resto da sua vida só pelo simples fato de ter cometido o crime bárbaro de falar em comunismo; o terceiro, que era casado há pouco tempo e sua esposa estava grávida de quatro meses, por trás das grades de um dos porões dos quartéis da ditadura, assistiu ao vivo, dois valentes torturadores estuprá-las de todas as maneiras possíveis... Será que o ilustre ANÔNIMO gostaria de passar o que eles passaram??? Ou será que o digníssimo ANÔNIMO era um desses valorosos torturadores que milhares de vítimas não criminosas fizeram pelo Brasil afora???
Outro item Sr. ANÔNIMO: Torturas sempre ocorreram , antes e depois da ditadura, só que no tempo da ditadura as torturas eram legalizadas enquanto que as atuais, quando ocorrem são ilegais e veementemente punidas. A Lei combate a tortura como sendo crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia e com pena de até oito anos de reclusão justamente pelos resquícios deixados pela ditadura que muitos teimaram em continuar com tal prática.
Agora se o senhor que defende tanto aquele tempo insano ao ponto de pegar os seus próprios apelidos relacionados a MELANCIA E COISA E TAL e querer jogar para um profissional de Segurança Pública respeitado como sou, que possui mais de 25 anos de carreira, que tem dezenas de artigos publicados em mais de quatrocentos portais do Brasil e que o único objetivo com isso é ajudar e orientar a população para melhorar a sua própria segurança, lhe dou meus pêsames, pois a DITADURA JAMAIS VOLTARÁ PARA O NOSSO QUERIDO BRASIL.
Archimedes Marques
Archimedes-marques@bol.com.br