quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ser ou não ser Pilatos

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Ernesto Caruso

O STF foi Pilatos quando não decidiu entre barrar o ficha suja nesta eleição ou livrá-lo por mais tempo até a próxima. O resultado de 5 a 5 vai ficar registrado na História da Corte Suprema, principalmente pela renúncia do seu presidente ao direito de votar a pleno; manifestou a sua posição no momento em que estava 5 a 4, levando a questão ao empate e, lavando as mãos no momento da decisão. Tinha direito ao segundo voto e não o exerceu.

O Brasil vive o crucial momento entre eleger Serra ou Dilma para presidente, no segundo turno, 31/10/2010.

Entre mudar ou prosseguir sob a égide do governo petista do presidente Lula, somando mais quatro anos aos oito praticamente esgotados, nem sempre puros, virtuosos, cristalinos como se espera e se aspira, que se vê, se sente e se confia.

Entre quebrar ou manter essa corrente de alianças desacreditadas, corrompidas nos princípios e nos fins; aninhadas no Palácio que sem pudor é transformado em palanque de comício e comitê central de campanha, quando a chacota, a piada forçada é aplaudida pela claque de auditório, ora “gozando” as multas da Justiça eleitoral, a liberdade de imprensa, as instituições, como recentemente ao falar da Petrobrás, ao discorrer sobre a sua transparência para em seguida pronunciar um “nem sempre”, seguido de risadas que apequenam a figura de um presidente da República, misto de engraçado e ridículo; como se sempre estivesse na roda de botequim, mesmo no exterior, reunido com os presidentes Obama, Sarkozy ou Putin.

Entre romper ou sufragar o pensamento volúvel, instável, constatado e divulgado pela imprensa, pois escrito e assinado em documentos, que a magnitude e responsabilidade do cargo não permitem se dizer que não foi lido, alterando em seguida o seu teor, abrandando o aspecto refutado pela sociedade, mas sem o suprimir; ora se dá uma entrevista favorável ao aborto, ora se diz católica no segundo momento e favorável à vida. A persistir uma dubiedade, indecisão nessa e outras posturas, atributos incompatíveis com o perfil de um presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, que precisa ter posições bem definidas.

Entre rejeitar ou aceitar o compadrio protecionista, irmanado com tantos quantos envolvidos em atos de corrupção, afastados dos cargos públicos, mas mantidos nas mesmas trincheiras, nos mesmos postos de comando, nas ações partidárias e da campanha eleitoral, pondo por terra os fundamentos e qualidades do homem público e de todo cidadão, como honestidade, honradez, responsabilidade, cumprimento dos deveres, abnegação.

Enfim, votar é preciso, assumir uma posição, tomar uma decisão e escolher alguém que nos parece ser o melhor para o Brasil e para os brasileiros.

Nem Pilatos, nem como fez o STF.

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ao que saiba, nenhuma lei entra em vigor no ano em que é promulgada. Corrijam-me se eu estiver errado.

Zé Bigorna