sábado, 2 de abril de 2011

Inconfidência, um novo Tiradentes

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Por óbvio, muita gente apoiou a condenação do mártir da Independência, o Tiradentes, ainda, que composta de tanta barbaridade, enforcado, ter o corpo esquartejado, os restos mortais expostos até o tempo consumir e servir de lição aos que ameaçassem a estabilidade da rica colônia, dos quintos e derramas em prol dos suntuosos salões europeus.

Gente honesta, Inocentes úteis, fiéis a Portugal, respeitadores da estrutura estabelecida, gente servil, traidores, vendidos, e também os de pouca visão sobre o significado da expressão liberdade, cujas aspirações ponteavam o mundo e vagarosamente semeavam as mentes. Revoltas contra coisas da tirania, como o apedrejamento de uma mulher por razões várias, presente neste mundo não mais prenhe dos “bárbaros” de hoje.

Ainda que mal comparando, os fatos são vistos com olhar diferente. Análises superficiais ou com mais profundidade podem influenciar opiniões e decisões.

Relembrando uma ocorrência com repercussão nacional e muitas críticas feitas pela imprensa ao comandante do Exército da época que olhando a sua questão interior, como consta, mandou retornar um avião de carreira para embarcar. É a liberdade de imprensa cumprindo o seu papel. Sempre com justiça, pura, imparcial, claro que não. Se extrapolando e agredindo o direito das pessoas, a Justiça, nem sempre justa, condena ou absolve autores de matérias ofensivas, caluniosas.

Por instinto, competição e venda da notícia, as questões que envolvem o poder responsável, de um juiz, governador, deputado, militar, policial, levam o jornalista a carregar nas tintas, com o seu viés ideológico/partidário. Com essa imprensa e publicações convive a sociedade. Jornais, telejornais, revistas, além de blogs, twitter, facebook, WikiLeaks, penetram nas residências, repartições, hospitais e porque não, nos quartéis. Textos políticos e não políticos, contra e a favor, acusações falsas e verdadeiras.

Lembro que nos cursos de preparação para o concurso de ingresso na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, recomendava-se a assinatura de bons jornais e revistas, tipo Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Veja, etc, interligando o estudo da História das formações das nacionalidades, estabelecimento das linhas de fronteiras, conflitos, antecedentes, com os dias presentes. As organizações militares tinham verbas para assinaturas de jornais e revistas, como componente e enriquecimento da cultura. Será diferente, hoje?

Embora, os meios de hoje sejam mais variados, jornais, livros e revistas mantêm a sua importância, como meio de aprofundar o abordado na notícia e, saber mais.

Por outro lado, quaisquer órgãos da imprensa recebem verbas publicitárias do Banco do Brasil, CEF, Petrobrás, entidades ligadas ao governo central, e são independentes nas suas opiniões. Se algum desvio há, é às escondidas. Publicamente não houve escândalos de suspensão das propagandas por críticas feitas a governos e a homens públicos.

Ora, não é crível que o jornal Inconfidência com profundas raízes em defesa das Forças Armadas, da liberdade, das causas democráticas, da justeza da Revolução de 1964 — Jornal Inconfidência - Edição 162 — único baluarte que ainda resiste, me parece, como jornal impresso, honestamente reproduzindo os textos da outra imprensa, restabelecendo a verdade histórica do que se escrevia no passado e a esconde ou se altera, hoje, sofra qualquer tipo de dificuldade para adentrar nos quartéis e, seja impedido de ter em suas páginas, propaganda paga para ajudá-lo a sobreviver, como vinha ocorrendo com a Fundação Habitacional do Exército/POUPEX, que com forte razão é destinado ao público militar, sob pena de se supor a existência de pressão por parte do governo sobre esse órgão de capitação de recursos como poupança interna e destinação da construção da casa própria, anseio e necessidade de todos, incluindo os militares e suas famílias.

Inadmissível por irracional um novo enforcamento tão distante do 21 de abril de 1792, que o jornal Inconfidência prima por homenagear.

Se a união do segmento fardado não se der pelos pontos comuns como agem os detratores das Forças Armadas, a fragmentação é certa e o pó é o resultado que o venta leva.

Ou será isso que desejam:

“A Polícia Federal cumpriu ontem um mandado de busca e apreensão nas residências do oficial da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, apontado como um dos líderes da repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975), durante a ditadura militar. De acordo com o Ministério Público Federal, um computador, documentos e uma arma foram apreendidos e passarão por perícia e análise do órgão. Segundo a procuradora da República Luciana Loureiro, “as buscas e apreensões são uma tentativa de localizar documentos que possam revelar o paradeiro de corpos de militantes políticos que participaram da guerrilha do Araguaia”. correioweb.com.br”

A tentativa de localizar documentos que possam revelar o paradeiro de corpos dos guerrilheiros e terroristas é uma truculenta, intolerável e inaceitável afronta à lei da anistia e à decisão do STF sobre a sua amplitude. Uma irrefutável ameaça às liberdades democráticas, tipo Chávez. Apreenderam até uma arma. Quem sabe para achar um mapa das ossadas no interior do cano.

Imagine-se uma invasão do domicílio do ex-guerrilheiro José Genoino para busca de algo semelhante.

Será isso que desejam:

“Segundo o Estadão, a ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, anunciou ontem que o governo federal pretende construir um memorial em homenagem aos desaparecidos no período da ditadura militar e suas famílias. Ela, porém, não informou o local nem a possível data de inauguração do monumento. "Que nesse memorial se registre os desaparecidos e os mortos pela ditadura. Que se registre que o Estado brasileiro torturou e matou, mas que se registre também que as famílias dos desaparecidos nunca abandonaram seus entes queridos", disse a ministra enquanto acompanhava buscas por restos mortais de dois desaparecidos no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, conforme divulgou a Agência Brasil.”

Não há pureza, nem imparcialidade no governo Dilma. Enquanto a ministra dos Direitos Humanas se manifesta do modo que querem, o da Segurança Institucional, Gen Elito Siqueira, é chamado para explicar o que disse e como a imprensa divulgou, se desculpar do que disse. A área militar não tem direito de pensar e falar.

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

Um comentário:

Anônimo disse...

SÓ NÃO CONCORDO COM CITAÇÃO HUGO CHAVES - O PRESIDENTE VENEZUELANO ESTÁ DEFENDENDO O INTERESSE NACIONAL DA VENEZUELA(AO MENOS) AQUI SE TEM DEFENDIDO, ATÉ NO TEMPO DOS GOVERNOS MILITARES, O INTERESSE EXTERNO.É SÓ VERIFICAR A ENTREGA DO PATRIMONIO PÚBLICO BRASILEIRO DE RIQUEZA INCOMENSURAVEL E DE VALORES ESTRATÉGICOS ÍMPARES.