domingo, 17 de abril de 2011

Submissão ao império latrogenocida

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

Em reuniões nas quais se canta o Hino Nacional, vemos comoventes sentimentos de solidariedade nacional, embora as pessoas ignorem que o Brasil está perdendo as últimas expressões de independência.

A parte mais consciente do povo desaprova a submissão dos poderes da República ao império mundial, mas predomina a passividade no grosso da população, anestesiada pelas redes de televisão e demais fontes da alienação. Pior: muitos percebem a submissão e a aceitam como natural.

A Nação acaba de assistir, com grande cobertura dos meios de comunicação de massa, ao espetáculo deprimente da visita de Obama ao Brasil.

Com medo de incidentes e demonstrações contrárias, ele desistiu de falar na Cinelândia diante do povo, não obstante os serviços de segurança norte-americana terem tido carta branca, em todos os lugares do Brasil por onde passou o relações-públicas do império, para ocupar e controlar esses lugares durante o tempo que quisessem.

Entre os copiosos vexames e pisoteios à dignidade nacional, ministros e outras autoridades “brasileiras” foram revistados por policiais dos EUA.

Passando para os assuntos substantivos, o “governo brasileiro” firmou uma dezena de acordos com o governo norte-americano, como se o Brasil já não estivesse amarrado a acordos bilaterais e multilaterais grandemente lesivos aos seus interesses.

Apressou-se, ainda, com a colaboração não menos subserviente do Congresso, em fazer com que este ratificasse acordos assinados há mais tempo, como o de transporte marítimo entre o Brasil e os Estados Unidos, assinado em Washington em setembro de 2005.

Esse tratado permite que navios norte-americanos transportem cargas reservadas brasileiras, ao excluir da reserva as cargas a granel e as transportadas entre portos ou pontos do território de um dos dois países. Ele fora aprovado na Câmara dos Deputados e estava pendente na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Ali a relatora, Gleisi Hoffmann (PT-PR), recomendou a aprovação, louvando-se na contraditória opinião da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ - (mais uma agência criada sob o modelo Washington-FHC), segundo a qual o pacto não acarretará perdas de fretes para as empresas brasileiras de navegação.

Em suma, uma visita oficial em que o Estado-cliente, saqueado em seus recursos naturais, humanos e financeiros, presta vassalagens ao Estado imperial. Por toda parte, tapetes vermelhos em homenagem ao estafeta dos banqueiros de Wall Street e do complexo industrial-militar.

No caso, pode-se dizer que os tapetes vermelhos simbolizam o sangue de milhões de seres humanos massacrados, mundo afora, pelo império e seus coadjuvantes.

No mesmo instante vítimas de mais um latrogenocídio estavam sendo atingidas na Líbia pelos mísseis das FFAA do império formado pelos EUA e Reino Unido, com a ajuda de um satélite, a França, como foram antes as vítimas imoladas com as bombas de urânio e outras armas de destruição em massa na Sérvia, no Iraque, no Afeganistão e em n outros países.

Por aqui, por enquanto, trata-se do sangue de martirizados sem agressão militar, mas por meio da política econômica do governo e do Banco Central, que outra coisa não faz senão desnacionalizar, desindustrializar a economia e favorecer os bancos e empresas oligopolistas e monopolistas.

Essa política, entre os danos que causa ao País no interesse das transnacionais financeiras e industriais estrangeiras, não controla nem preços nem quantidades dos minérios e outros recursos naturais estratégicos e preciosos que saem do País.

Através desse esquema, o Brasil acumula saldos negativos nas transações correntes com o exterior e paga conta anual de juros cada vez mais pesada na dívida externa, bem como a dos juros mais altos do Mundo na dívida interna.

É insensatez justificar os rapapés aos agentes imperiais em nome de acenos destes, ao dizer que vêem com bons olhos a pretensão de o Brasil tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Primeiro, são meros acenos. Segundo, de nada vale o suposto prêmio à maior subserviência. Seria só pretenso prestígio para um governo que tributa seu povo em favor do estrangeiro. Seria honra vazia, enquanto o País se desindustrializa e está destituído de poder militar num mundo em que só a força assegura direitos.

Adriano Benayon, doutor em economia, autor de “Globalização versus Desenvolvimento”. Artigo originalmente publicado em A Nova Democracia, nº 76, abril de 2011

2 comentários:

Anônimo disse...

Os EUA são a nação mais terrorista do planeta. Quem não se curva ás suas exigências, ou è liquidado ou deposto! Ou então como dilma e fhc, para não falar no lulla e restantes traidores, todos prestam vassalagem aos terroristas do EUA cometendo conscientemente crime lesa-patria e alta traição.

Maju disse...

Parabéns, por ser um brasileiro patriota, que se preocupa com o querido Brasil. Seus artigos, bastante esclarecedores e altamente necessários nos deixam, porém, deprimidos, porque temos a certeza absoluta de que não é só o nosso País, mas o Planeta inteiro, em todas as questões, desde moralidade, honestidade, decência etc, simplesmente não tem mais jeito. E além de tudo, você vê os comentários tolos, das pessoas. Muitas não sabem sequer escrever, não sabem sequer o valor do idioma. A consciênica, a constatação da real situação é desoladora. Solução única possível: tsunami e terremoto globalmente, que chacoalhe o Planeta e toda a imundície moral, que se apossou dele. A Terra já se desviou da rota, já está fora do eixo. É só esperar para ver. E que não demore muito. Portanto, não há mais nada a esperar, apenas e tão somente a implosão do Planeta. Quem sabe ele será arremessado no Espaço e partirá para um novo rumo, livre da sujeira moral.