quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Carta de um General Português ao Ministro da Defesa de seu País

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Eduardo Eugênio Silvestre dos Santos

Ex..º Sr. General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada: Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos. Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1º de Fevereiro. De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.

Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ª classe) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa. Presentemente, faço parte com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.

Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro. Como disse o Sr. Coronel Vasco Lou-renço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…”

Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política

vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.

Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral, não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!

As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis, “ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.

Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir? Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S. Ex.ª o “delito de opinião”?

Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!

Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.

Com respeitosos cumprimentos de camaradagem.

P.S. – Informo V. Ex.ª que tenho a intenção de tornar público este texto.

Eduardo Eugênio Silvestre dos Santos é Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B. Carta enviada em 15 de fevereiro de 2012. Originalmente publicada no site do Clube de Jornalistas de Portugal - http://www.clubedejornalistas.pt/?p=5413

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Serrão,
Estou sentindo um cheirinho de oliva (verde-oliva) no ar.....
Portugal, Brasil.
Sei que não é prá já, mas alguma coisa vai ter que mudar. O descaramento, a sem-vergonhice, o eterno, raivoso, provocativo e vingativo desejo de represália dos comunistas derrotados em 1964, estão beirando o precipício da quebra do Estado de Direito.
O tecido está se esgarçando; em algum momento haverá a ruptura, com conseqüências danosas para a quadrilha esquerdopata e com benefícios para o País.
Se precisar, estarei na linha de frente para botar essa cambada de aloprados comunistas em seu devido lugar.
Mas, por enquanto, tenhamos paciência, muita paciência, de esperar a hora certa.
PRÁ FRENTE BRASIL, SIL, SIL!!!!
ABAIXO A DITADURA PETRALHA!!!!
Abraço. Paulão.

Anônimo disse...

Então o Brasil quer voltar a ser colonia?
Brasil já é independente.
Brasil escolhe através do voto DEMOCRATICO o seus representantes
Democracia é isso:
A maioria manda e a minoria tem que acatar,pois isso é ESTADO DE DIREITO.Essa é a regra do jogo.Apelar para as armas não vai ser correto.Essa opinião retrata uma visão esquizofrenica da realidade.O povo escolhe através do voto.Os militares também são do povo.
2014,LULA de novo com a força do povo.
abraços a todos !!!