domingo, 12 de fevereiro de 2012

Gonçalves Dias, um Pacificador

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Durval Carneiro Neto

Rendeu muito o episódio envolvendo o General Gonçalves Dias, comandante da 6a Região Militar, que simplesmente cedeu a uma pequena homenagem que lhe foi feita por manifestantes ligados à causa dos policiais amotinados na Bahia. Sem descuidar do seu dever, o nobre militar teve um gesto humilde, digno da autoridade moral que ostenta.

O fato de haver se emocionado, ante a inusitada surpresa, incomodou apenas os medíocres que ainda pensam em militares como pessoas brutas e insensíveis, confundindo rigor no cumprimento da missão com exercício arrogante e arbitrário de força.

Curiosamente esperam dos militares de hoje a mesma brutalidade que tanto criticavam nos militares do passado. Mas, cadê aquele brado de que hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás!, que tanto foi entoado por muitos desses políticos que hoje aí estão no Governo?! A mediocridade parece disputar espaço com a hipocrisia, e mais uma vez se confirma a velha máxima de que se quiser por à prova o caráter de um homem (ou mulher), dê-lhe poder...

Quanto aos colegas de farda do General, que porventura não tenham gostado do tom amistoso com que tratou os rebelados, convém que, como militares, lembrem-se que o patrono do Exército Brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva, agiu de maneira semelhante em diversas campanhas, aliando extraordinária capacidade técnico-militar com singular habilidade pacificadora. Foram tais qualidades que levaram o Duque de Caxias a negociar o término de diversas rebeliões no segundo império, como a Balaiada e a Farroupilha. Não à toa que veio a receber o epíteto de "O Pacificador".

Ressaltando a honradez de Caxias no trato com os revoltosos, o jornalista Barbosa Lima Sobrinho, em artigo publicado no Jornal do Brasil, tratou-lhe como "Patrono da Anistia", pois "sempre que se pudesse invocar a presença da fraternidade, numa luta entre irmãos, ocasionalmente desavindos, Luiz Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, soube dar prioridade às promessas da anistia, com uma constância exemplar, com que se construíram algumas páginas de nossa história política.

Logo depois do combate de Santa Luzia, em que foram vencidos e esmagados os revoltosos do Partido Liberal, quando Caxias foi informado de que os vencidos vinham caminhando dois a dois acorrentados e algemados, tomou medidas imediatas para que lhes tirassem as algemas e lhes dessem cavalos, no percurso que devia conduzir a Ouro Preto. E entre os acorrentados vinham altas figuras da Monarquia, à frente de todos, uma glória do liberalismo brasileiro, Teófilo Ottoni”.

Em outro episódio, no final da Guerra do Paraguai, de cara com o resto das tropas de Solano Lopez, Caxias recusou-se a perseguir os soldados inimigos em fuga, pois não reputava digno que um comandante militar agisse como um capitão-do-mato. Acostumado a buscar vitórias honradas e sem excessos, Caxias recusou-se a humilhar o inimigo vencido, retirando-se da guerra sob alegação de doença, irritando com isso D. Pedro II, que insistia num combate implacável até a completa aniquilação das forças paraguaias.

Caxias foi então substituído pelo Conde D'Eu, enviado pelo Imperador com a indigna missão de endurecer impiedosamente o cerco contra os paraguaios acuados.

Haveria aí alguma semelhança com o momento presente?

Se o General Gonçalves Dias errou, errou também Caxias. Então, por medida de coerência, que se mude o Patrono do Exército! De minha parte, prefiro homenagear esses dois pacificadores, e que haja cada vez mais militares seguindo o seu exemplo.

Parabéns ao General Gonçalves Dias! Parabéns ao Exército Brasileiro!

Durval Carneiro Neto é Juiz Federal e Professor de Direito na UFBA.

Nota da Redação do Alerta Total: O ilustre magistrado não é obrigado a conhecer o que se ensina no Curso Básico da Academia Militar das Agulhas Negras. Na AMAN se aprende que o Posto de Comando do General está localizado mais à retaguarda, por vários motivos: Para preservar a sua integridade física e moral, permitir uma melhor coordenação das ações táticas, dar liberdade de manobra aos escalões subordinados e não prejudicar o andamento das operações. A linha de contato (para comer bolo com manifestantes, por exemplo) é território do tenente comandante de pelotão.

Portanto, Gonçalves Dias não agiu, tecnicamente, como General. Os tempos em que serviu como segurança pessoal de Lula da Silva devem ter feito muito mal à doutrina que ele tanto estudou. O Velho Almirante Aragão, que se confraternizou com os marinheiros baderneiros nos idos de 1964, deve ter morrido (novamente) de inveja do General com sobrenome de poeta. Azar do militar que tende ficar com sua promoção a General de Exército prejudicada pelo gesto populista. Terá de se contentar com a quarta estrela se ela vier do PT e não do EB...

Uma resposta ao juiz que elogiou Gonçalves Dias


Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Péricles da Cunha

Juiz Durval Carneiro Neto, vou tratá-lo por senhor porque não gosto muito de rapapés de Vossa Excelência, mas se considere uma.

Li o seu texto “Gonçalves Dias, um Pacificador” que me foi encaminhado pelo coronel Mario Monteiro Campos.

O senhor fez várias considerações e vou comentá-las:

1. A lei como o senhor bem sabe é como se fossem as paredes que nos permitem no 20º andar de um edifício circular com toda a segurança, pois sabemos que elas nos protegem, porque sabemos que mesmo se quisermos não poderemos ultrapassá-las porque nos quebraremos, porque elas são inflexíveis. Caso alguém se arremesse contra uma parede vai se quebrar. Por isso ela é respeitada. Por isso ela dá segurança.

2. Não confunda luta entre irmãos com a repressão a amotinados. Não me venha colocar no mesmo saco as demandas ocorridas em Balaiadas e na Revolução Farroupilha com as badernas provocadas por estes amotinados. Não vou nem lhe explicar a diferença porque o senhor sabe. Vou é dizer-lhe que foi mal intencionado ao tentar, com o seu título de juiz federal e professor de Direito, induzir na opinião pública uma inverdade.

3. Não me venha confundir o período chamado de Consolidação da unidade nacional (1828-1865) com essa bagunça patrocinada por sindicatos pelegos. Não me venha confundir o grande Caxias com um general que tentou imitar seu ex-chefe no populismo barato que foi o causador dos atuais desatinos, esquecendo-se de tudo que aprendeu desde a Academia Militar das Agulhas Negras. Descuidou-se, sim, do seu dever porque encorajou, com o seu gesto inconsequente, os amotinados a desafiar a lei. Não confunda a habilidade pacificadora de Caxias com os desatinos deste general. Caxias não errou, mas o general errou.

4. Com a hipocrisia que aponta nos outros o senhor tenta provocar uma divisão entre os militares do presente e os do passado porque estes nunca praticaram as brutalidades que maldosamente aponta. Os que os militares do passado - entre os quais orgulhosamente me incluo como um dos Tenentes de 64- fizeram foi evitar que hoje este país fosse dominado por uma ditadura, daquelas que produziram a miséria e dizimaram centenas de milhões durante o regime comunista. Mas não vai conseguir porque o Exército é um só e ninguém vai provocar divisões.

5. O senhor pode homenagear quem quiser, mas não me venha induzir nos militares que sigam o exemplo dado pelo general ao confraternizar com praças amotinados. Porque os militares, do passado e do presente, sempre souberam divisar o joio do trigo no que se refere ao cumprimento da lei.

Péricles da Cunha é Tenente-Coronel do Exército e já está reformado.

5 comentários:

Anônimo disse...

Com todo o respeito ao comentário do Ten Cel Péricles da Cunha.

Divirjo de vossa senhoria no que tange ao comentário que nomina os Praças da PM da Bahia - COMO BADERNEIROS.

A mesma Constituição que lhe permite,Sr. Ten Cel Péricles Cunha, dizer isso dos PMs da Bahia - BADERNEIROS - TAMBÉM LHES GARANTE UM SALÁRIO DIGNO E QUE DEVE SER REAJUSTADO ANUALMENTE VISANDO RECONSTITUIR O PODER AQUISITIVO DOS RESPECITVOS SOLDOS.

Já dizia NAPOLEÃO BONAPARTE - GRANDE GENERAL FRANCÊS - os Exércitos Marcham sob seus estômagos. Ou seja parafraseando o Grande General Francês, - AS POLÍCIAS MILITARRES, BEM COMO OS DEMAIS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS - TAMBÉM MARCHAM SOB SEUS ESTÔMAGOS.

Meu caro Ten Cel Péricles Cunha. O General Goçalves Dias - ESTAVA COMANDANDO UM EXÉRCITO CONSTITUÍDO DE "FAMINTOS" MILITARES. Pois desde 2008, NÃO LHES É RECONSTITUÍDO O PODER AQUISITIVO DOS SEUS RESPECTIVOS SOLDOS. Creio que - NÃO DEVE SER DO SEU CONHECIMENTO TAL FATO -.

A mesma autoridade que deu ordem para o EXÉRCITO IR CONTRA OS POLICIAIS MILITARES DA BAHIA - É A MESMA AUTORIDADE QUE DESCUMPRE O PREVISTO NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, no que se refere aos soldos dos MILITARES FEDERAIS - também defasados.

Sr. Ten Cel Péricles Cunha! PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É "REFRESCO".

ACORDE TEN CEL PÉRICLES CUNHA!

Anônimo disse...

A paz que nos divide?
Antes a PAZ do túmulo.
Uma ovelhinha,
duas ovelhinhas...
adormecer e dormir.
Abraço,
Pé de alface

Anônimo disse...

A revolta do Ten Cel é a doutrina da AMAN que induz oficiais a tratar praças (ST/SGT/CB/SD) como seres inferiores. O Gen tratou os praças grevistas com dignidade e educação.
Praça para estes tipos de oficiais não são considerados seres humanos. A revolta dele é a confraternização do Gen com praças. Pode-se verificar que quando estes tipos de oficiais quando se referem ao EB falam como o EB fosse feito apenas de oficiais.

Oromar Trevizan Lozano disse...

P/os críticos da matéria do juiz ,só um conselho:vão estudar,não só história, como até com mais afinco,a atualidade dos fatos que os cerca,prá não ficarem se passando por ignorantes.Se for para ficarmos na mesma,que tal revogar-se a Lei Áurea?
Oromar Trevizan Lozano-Ten Cel R1 EB

Oromar Trevizan Lozano disse...

P/os críticos da matéria do juiz ,só um conselho:vão estudar,não só história, como até com mais afinco,a atualidade dos fatos que os cerca,prá não ficarem se passando por ignorantes.Se for para ficarmos na mesma,que tal revogar-se a Lei Áurea?
Oromar Trevizan Lozano-Ten Cel R1 EB